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Publicação do Valor Online de 22 de novembro de 2006

 

Pedágio não cobrirá custo do Rodoanel, diz secretário


Bianca Ribeiro* e Samantha Maia

O pedágio a ser cobrado dos motoristas que passarem pelo Rodoanel a partir de 2008 não deve bancar o custo total da obra. Com isso, é quase certo que o governo do Estado de São Paulo tenha de desembolsar uma contrapartida financeira para tornar viável o funcionamento da via.

"O pedágio não vai cobrir todo o valor da obra do Rodoanel Sul. Parte será ainda do governo do Estado", disse o secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernández. O custo total das obras está estimado em R$ 3,5 bilhões.

Apesar da afirmação, o secretário disse que ainda não está decidido se o Rodoanel será gerido por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) ou por uma concessão pura, ou seja, sem participação de recursos públicos.

Fernández disse que é inevitável a cobrança do pedágio, devido à falta de recursos públicos, e afirma que apesar da cobrança do pedágio, deve haver demanda pelo uso da via, tendo em vista o tráfego intenso nas marginais.

"Se tiver um custo menor, sim, vai haver preferência pela marginal. Mas se o motorista fizer a conta de combustível e tempo, ele vai preferir pagar. É o que se chama de custo alternativo", disse.

Todas essas questões, inclusive o modo de cobrança de pedágios dos transportes de carga terão de ser definidas até janeiro de 2007, quando, segundo o secretário, deve haver a licitação para as obras.

Apesar do setor de transporte de carga reivindicar a isenção da cobrança de pedágio para uso do Rodoanel, o governo do Estado não vê abertura suficiente para essa discussão. "Não vejo nada indicando que deva haver cobrança de um e não de outro. A priori haverá cobrança para todos", disse Fernández.

Na sua avaliação, o setor já teria ganhos de produtividade com o Rodoanel, reduzindo o tempo de transporte e os gastos com combustível. Fernández lembra que quando o setor procurou o governo federal para ajudar no empreendimento, o argumento era de que eles teriam 30% na redução de custos para trafegar na região.

O secretário não descarta, entretanto, discussões em torno do modelo de cobrança, como por exemplo considerar o pedágio por veículo e não por eixo, como é feito atualmente nas rodovias.

Para Geraldo Vianna, presidente da Associação Nacional dos Transportes de Carga e Logística, se houver cobrança de todos os motoristas, corre-se o risco de os caminhões continuarem usando as marginais. "O caminhão pode acabar trocando o congestionamento pago do Rodoanel pelo gratuito das marginais", disse. No seu entendimento, o ideal seria cobrar apenas dos automóveis para evitar que esses motoristas utilizem o Rodoanel como uma "avenida".

"Se for para cobrar, que seja do carro de passeio, porque o Rodoanel não é para ele", disse. Vianna acrescenta que o risco maior para a operação de transporte de carga nessa via é o governo adotar o modelo usado nas rodovias, com pagamento por eixo. "Isso não é inteligente (o custo maior de operação) e acaba refletindo nos preços das mercadorias. É o aumento do “Custo Brasil”." E contesta o argumento de que não há recursos públicos para a construção da via: "A falta de dinheiro é decisão política."

Vianna e Fernández participaram ontem do seminário "Desafios e Soluções para o Tráfego Urbano", promovido pelo Valor em São Paulo.

Para o urbanista Cândido Malta Filho, que também participou do seminário, existe o risco do trânsito ser desviado para dentro de São Paulo devido ao pedágio. Ele explicou que hoje a demanda pelo Rodoanel é muito forte e por isso sua construção não pode ser parada. "Mas as concessionárias vão pedir uma garantia de fluxo mínimo e se elas não tiverem o retorno esperado, vão querer dinheiro público para completar", explica.

Para Luiz Afonso Senna, secretário de Transportes da Prefeitura de Porto Alegre e ex-diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a rapidez do percurso no Rodoanel já é um grande atrativo para os veículos. "Haverá um grupo que fugirá do pedágio, mas haverá também quem tem interesse na rapidez e não se importará em pagar", diz. (*Do Valor Online)


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