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Publicação do Valor Econômico
de 22 de novembro de 2006
Primeira PPP do país deve ser executada
na cidade de Rio Claro
Samantha Maia
A primeira Parceria Público-Privada
(PPP) pode ser implementada em um município. Rio
Claro, cidade localizada a 173 quilômetros da capital
paulista, anunciou ontem o grupo vencedor da licitação
da PPP para a universalização de seu serviço
de coleta e tratamento de esgoto. Quem venceu foi o Consórcio
Rio Claro, formado por empresas do grupo Odebrecht, entre
elas a Construtora Norberto Odebrecht e a Lumina Engenharia
Ambiental Ltda.
As únicas PPPs que já chegaram
a essa fase foram a da Linha 4 do Metrô paulista e
o emissário submarino da Bahia. O projeto do Metrô,
no entanto, está parado, no aguardo de uma liberação
do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, ainda sem
previsão. O edital do projeto foi contestado pelo
Sindicato dos Metroviários, e o TJ não autorizou
a contratação de nenhuma empresa enquanto
não for julgado o recurso. Na Bahia, o governo estava
negociando com o grupo vencedor, também encabeçado
pela Odebrecht, um menor valor da obra por causa de mudanças
no projeto. Segundo o diretor de investimentos da Área
Sul da Odebrecht, Geraldo Villin, a assinatura do contrato
pode acontecer ainda no começo de dezembro.
No âmbito da União não
há, ainda, nenhuma PPP com licitação
aberta. O primeiro projeto deve ser o das concessões
das BRs 324 e 116, em trechos localizados na Bahia. Estes
projetos passaram, recentemente, pela fase de audiências
públicas, onde os principais questionamentos dos
investidores interessados foram relativos ao preço
dos pedágios.
O prefeito de Rio Claro, Demerval da Fonseca
Nevoeiro Junior (PFL) classifica a PPP como uma forma de
"fazer a obra a curto prazo e pagar a longo prazo".
Segundo a prefeitura, a cidade não tem recursos próprios
suficientes para investir em tratamento de esgoto, nem condições
de buscar financiamento com bancos de fomento, como o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A obra está orçada em R$
70 milhões e o parceiro privado deverá investir
R$ 140 milhões nos 30 anos de concessão do
serviço de esgoto. Em contrapartida, receberá
40% da receita arrecadada pelo Departamento Autônomo
de Água e esgoto (Daee) com o serviço de saneamento.
Segundo o diretor da Odebrecht, há negócios
que garantem lucros mais rápidos, mas o projeto é
lucrativo.
A meta é universalizar coleta e
tratamento de esgoto em dois anos, com a construção
de oito estações de tratamento. "Depois
de atingir 100% do tratamento em dois anos, a cidade cresce,
o que exigirá investimento constante", diz o
prefeito.
A cidade de Rio Claro trata atualmente
cerca de 25% do esgoto e possui três estações.
No Estado de São Paulo, segundo dados da Fundação
Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) relativos
a 2003, mais da metade dos 635 municípios não
possuem nenhum sistema de tratamento do esgoto, embora mais
de 90% da população do Estado tenha acesso
à coleta de esgoto.
"Queremos conseguir o ISO 14000, pois
é do nosso interesse atrair empresas voltadas ao
mercado exportador, que pagam altos salários e melhoram
nossa arrecadação de tributos", diz Nevoeiro
Junior. O tratamento de esgoto também leva à
melhora no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
do município. Além disso, há a pressão,
por meio de multas, do órgão de fiscalização
ambiental pela universalização do tratamento
de esgoto.
Segundo o prefeito, a vantagem da PPP é
que a gestão continua nas mãos do poder público.
"O planejamento e a política tarifária
continuam sendo nossos", diz. A lei de PPP foi aprovada
na cidade em novembro de 2005, com base na lei federal.
O Daee foi o responsável pela elaboração
do projeto, com consultoria da Blue Water Managemant (BWM).
Geraldo Villin, diretor da Odebrecht, diz
que a expectativa da empresa é muito positiva. "Menos
pela dimensão do projeto, e mais por significar uma
retoma de negócios em saneamento", explicou
o executivo. A homologação da licitação
deve ser feita daqui uma semana, mas há um prazo
de 60 dias para a assinatura do contrato. "Não
acredito que haverá grandes atrasos, devemos tomar
posse do sistema de esgoto em fevereiro, e as obras podem
começar em meados de março", diz o diretor
da construtora.
A PPP de Rio Claro chegou a ser questionada
pelo vereador Agnelo da Silva Matos Neto (PT). A ação
judicial alegou falta de clareza nas regras de concessão
e na projeção de tarifas. O advogado do vereador,
Charles Carvalho, informa, porém, que o pedido de
suspensão da licitação foi negado ontem.
(Colaborou Marta Watanabe, de São Paulo).
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