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Publicação de o Estado de
São Paulo de 22 de novembro de 2006
Evento debate déficit de moradias
no País
Crédito para população mais
pobre é visto como o grande nó do sistema
Lilian Primi
A falta de oferta de financiamento habitacional
para as classes de renda mais baixa esteve no centro das
discussões no primeiro dia de debates do Fórum
Tendências, Oportunidades de Negócios e Alternativas
de Capitalização, aberto ontem em São
Paulo. O objetivo do evento, organizado pela International
Business Communications (IBC) com apoio do Estado, é
fazer uma análise crítica do impacto das medidas
de incentivo à construção de habitações
no Brasil, já anunciadas pelo governo, e das medidas
fiscais em estudo.
“O primeiro grande paradigma é
a incompatibilidade entre a demanda atual, em torno de 1,4
milhão por ano, contra o volume de produção,
que este ano ficará em 250 mil unidades”, disse
João Batista Crestana, vice-presidente de Incorporação
do Sindicato da habitação (Secovi).
Segundo Crestana, esse é o crescimento
anual do déficit habitacional no Brasil, estimado
em 7 milhões de unidades em 2005 - 90% desse número
concentrado nas faixas de renda de 0 a 10 salários
mínimos. “Se nos anos 80 o Brasil produzia
600 mil habitações/ano para uma população
- jovem - de 100 milhões, hoje, com 200 milhões
de pessoas e um aumento considerável na população
adulta, esse número deveria ser no mínimo
o dobro”, argumenta.
Para Crestana, que centrou sua apresentação
no crédito imobiliário, o financiamento de
moradias para a população mais pobre é
o grande nó do sistema, ainda sem perspectivas de
ser desatado. “Hoje apenas a Caixa Econômica
Federal financia moradias para essa faixa. É preciso
que a sociedade e os trabalhadores revejam o modelo de distribuição
dos recursos do Fundo de Garantia (FGTS), para que o salto
tão desejado possa acontecer.”
Para ele, a população que
ganha até três salários mínimos
deve ser atendida com recursos da União ou por programas
de construção de moradias para aluguel social,
financiados por meio de Parcerias Público-Privadas
(PPPs) ou pelos fundos estatais. Na faixa seguinte, de três
a cinco salários mínimos, o financiamento
seria misto (FGTS mais recursos da União) e para
o restante (de cinco a dez salários mínimos),
exclusivamente pelo FGTS.
“O problema é que a Caixa
é financiadora e também responsável
pela distribuição dos recursos e elaboração
das regras . Os demais agentes do setor querem entrar nesse
mercado, mas reclamam do emaranhado de regras existentes.”
Além de Crestana, falaram ontem Paulo Melo, diretor
da Odebrecht; Caio Sérgio Calfat Jacob, diretor da
CJ&N Real Estate Consulting; Michel Rike, gerente de
projetos da Alphaville Urbanismo; Sandra Ralston, chefe
para a América Latina da Jones Lang Lasalle; e Hugo
Marques da Rosa, presidente da Método Engenharia.
As discussões se encerram hoje.
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