Ministra tocará obras para fazer de 2005 o ano do investimento
Além
de participar do esforço para debelar a crise política,
a futura ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, terá
de trabalhar, ao lado do responsável pela articulação
política do governo, para transformar em realidade
a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
de fazer de 2005 o ano do investimento no país. No
início do ano, o chefe do Executivo traçou um
cenário no qual recursos públicos e privados
seriam destinados para setores de infra-esetrutura, como energia
e transportes.
Os
objetivos eram superar gargalos que prejudicam o crescimento
da economia brasileira e pavimentar a reeleição
do presidente Lula em 2006. Mas, a menos de dez dias do fim
do primeiro semestre, os dois principais mecanismos idealizados
pelo Palácio do Planalto para aumentar os investimentos
em infra-estrutura ainda não saíram do papel.
E projetos considerados prioritários pelo ministro
da Fazenda, Antonio Palocci Filho, e pelo setor produtivo
continuam à espera de aprovação no Congresso
Nacional.
"Temos
uma agenda grande. A nossa expectativa é que ela possa
ser articulada de forma mais eficiente", disse o presidente
da Associação Brasileira de Infra-Estrutura
e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy. Em reunião
com o presidente Lula há cerca de três semanas,
Godoy reafirmou a intenção do setor privado
de investir US$ 14,5 bilhões neste ano, entre outros,
em gás, energia e rodovias. Para tanto, pediu ao governo
agilidade para desatar nós que amarram projetos da
iniciativa privada.
Um
deles é a regulamentação do fundo garantidor
da Parceria Público-Privada, considerada fundamental
para viabilizar a PPP. Vice-presidente da Confederação
Nacional das Indústrias (CNI) e presidente do conselho
de infra-estrutura da entidade, José de Freitas Mascarenhas
defende que o governo feche o mais rápido possível
um ou dois contratos de PPP, para fazer deslanchar o mecanismo.
A Abdib também quer a liberação dos editais
do programa de concessão de rodovias e de recursos
orçamentários para o Departamento Nacional de
Infra-Estrutura de Transportes (DNIT).
"As
rodovias federais que cortam o Estado de Goiás estão
parecendo o solo lunar, repletos de crateras", disse
ontem o senador Demóstenes Torres (PFL-GO), em discurso
no plenário do Senado. Para aumentar os investimentos
em estradas e portos, além de sistemas de irrigação
e de água, o governo negociou com o Fundo Monetário
Internacional (FMI) um projeto-piloto que retira US$ 2,8 bilhões
em investimentos na área de infra-estrutura do cálculo
do superávit primário, a economia realizada
pelo setor público para o pagamento de juros.
Em
audiência na Comissão Mista de Orçamento
do Congresso na última quarta-feira, o secretário
do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, afirmou que apenas 0,23%
do montante foi aplicado pelos ministérios até
maio. "Há a crítica sobre a capacidade
do Ministério dos Transportes que, mesmo com um orçamento
maior, não consegue gastar toda a verba que possui.
É preciso ampliar a capacidade de análise dos
projetos de logística e reordenar os modais de forma
a fazer com que os custos da locomoção de mercadorias
caia", afirmou Mascarenhas.
Para
o vice-presidente da CNI, que é um dos diretores da
Odebrecht S/A, são necessárias ainda a reforma
da máquina pública e a aprovação
do projeto de lei das agências reguladoras, parado na
Câmara em razão de divergências no mérito
entre governistas e oposição. "O quadro
é complexo. Existem projetos, como o das agências
reguladoras, que precisam ser aprovados, porque, da forma
como está, inibem investimentos estrangeiros e nacionais.
Esses investimentos não vão se materializar
enquanto o marco regulatório não estiver definido",
declarou o vice-presidente da CNI.
Outro
marco regulatório reivindicado pelo setor privado é
o do saneamento básico. O governo aposta em sua aprovação
para atrair recursos privados à empreitada de garantir
a todos os brasileiros acesso a água tratada e a rede
de esgoto. De acordo com o Ministério das Cidades,
a universalização dos dois serviços requer
R$ 178 bilhões no período de 20 anos.
(Gazeta
Mercantil/Caderno A - Pág. 8)(Daniel Pereira e Luciana
Otoni)