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Publicação do DCI de 20
de dezembro de 2006
Prefeitura quer ampliar reciclagem de entulho
Carolina Santana
De acordo com estudos feitos pelo Sindicato
da Indústria da Construção Civil de
São Paulo, a cidade gera, diariamente, 17 mil toneladas
de resíduos de construção civil, também
conhecido como entulho. De acordo com a Companhia de Tecnologia
de Saneamento Ambiental (Cetesb), existem 10 aterros de
resíduos sólidos inertes licenciados. O município,
por meio de contratação, utiliza três
aterros particulares para fazer o depósito dos resíduos,
que diariamente, recebem cerca de 3,8 mil toneladas de entulho.
Para 2007, está programada a abertura de um edital
de contratação de cinco aterros. A intenção
é que haja um em cada área da cidade e que
todos contenham uma máquina recicladora, o que só
acontece em um dos contratados hoje.
O presidente da Associação Paulista das empresas
de Tratamento e Destinação de Resíduos
Urbanos (Apetres), Horácio Pedro Peralta, afirma
que o uso atual dos aterros pela prefeitura é irregular.
“Apenas um atende à resolução
do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama ) para poder
receber resíduos da construção. Os
outros dois são aterros sanitários”,
argumenta. Peralta ainda acusa a prefeitura de fazer dumping
ao cobrar R$ 5,40 dos caçambeiros para receber os
entulhos antes de enviá-los aos aterros. “O
preço para cada tonelada é R$ 27. Mas a prefeitura
subsidia o resto, prejudicando a iniciativa privada”,
reclama.
Por conta do subsídio, de acordo com Peralta, apenas
três das sete Áreas de Transbordo e Triagem
(ATT) funcionam bem. Na ATT o material é separado,
o resíduo de origem mineral (concreto, argamassa,
alvenaria, etc.), é encaminhado para aterros de inertes,
o rejeito é levado para aterros sanitários
e o resíduo reaproveitável é comercializado.
No caso das novas ATTs, os resíduos serão
levados para aterros particulares.
Reciclagem
Para o advogado especialista em construção
civil e consultor do escritório L.O Batista, Fernando
Henrique Cunha, é preciso que a resolução
307 do Conama seja regulamentada em São Paulo. “A
resolução determina que haja um plano integrado
de gerenciamento de resíduos, o que não existe
em São Paulo. Os aterros da cidade estão com
sua capacidade máxima quase esgotada”, diz
Cunha.
O advogado, que realizou um estudo sobre a necessidade e
viabilidade de construir usinas de reciclagem de resíduos
da construção civil, destaca a existência
de grupos estrangeiros de investidores interessados em estabelecer
uma parceria pública privada (PPP) para explorar
a venda do material gerado pela reciclagem.
“Acaba sendo um serviço público, pois
engloba o trabalho da coleta, os produtos podem ser reaproveitados
em novas obras na parte de acabamento, o que implica em
economia, novos recursos e menor impacto ambiental”,
comenta.
Cunha lembra que o material proveniente da reciclagem, chamado
de agregado, seguindo a resolução do Conama,
pode ser usado para pavimentação e concretos
não estrutural.
“Tijolos, concretos e cerâmicas podem ser usados
no acabamento de obras, mas sem função estrutural”,
explica.
A Apetres informou que não existem estudos sobre
o real reaproveitamento dos resíduos. No entanto,
o cálculo aproximado é de 20%. “Se a
prefeitura implantasse um modelo de reaproveitamento, se
comprometendo a usar o agregado nas obras públicas
já formaria um mercado consumidor, elevando o reaproveitamento
para 60%. Existe uma britadora parada no aterro de Itaquera,
que foi desativado”, reclama Peralta. O presidente
ainda acrescenta que uma britadora pode chegar a custar
R$ 2 milhões. “Se não houver mercado
consumidor dos agregados, ela não se paga. A medida
também é benéfica para o meio ambiente”.
Recolhimento de entulho
A assessoria de imprensa da prefeitura municipal de São
Paulo informou que quando a produção de diária
de entulho for até 50 quilos, o munícipe pode
ensacá-lo e colocar para coleta residencial.
Nos outros casos, é preciso contratar uma empresa
particular para fazer o recolhimento. De acordo com a prefeitura
essas empresas de caçamba devem ser regulamentadas
e podem fazer o depósito do material em aterros particulares
ou, mediante pagamento, usar um dos três locais da
prefeitura. No site www.limpurb.sp.gov.br existe a lista
das empresas de caçamba autorizadas para fazer o
recolhimento.
Em 2005, a Secretaria de Serviços apreendeu mais
de 630 caçambas em situação irregular
estacionadas em vias públicas. Este ano, de janeiro
até o mês de maio, cerca de 300 caçambas
foram recolhidas e 750 multas aplicadas. Os valores das
multas variam de R$ 250 a R$ 1.200, dependendo da infração.
As pessoas que contratarem empresas clandestinas correm
o risco de arcar com estas despesas.
Outra opção para os paulistanos envolvidos
em pequenas reformas ou demolições são
os sete EcoPontos espalhados pela cidade. São locais
de entrega voluntária de pequenos volumes de entulho
(até 1 metro cúbico), grandes objetos (móveis,
poda de árvores, etc.) e resíduos recicláveis.
Nos EcoPontos, o munícipe poderá dispor o
material gratuitamente em caçambas distintas para
cada tipo de resíduo. A intenção da
Prefeitura de São Paulo é aumentar o número
de unidades.
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