São Paulo dá a largada para operações de PPP
O investimento previsto para
2004-2007 é de R$ 30 bi, sendo R$ 7,5 bi por parceria
Liliana Lavoratti
As próximas etapas
são a licitação das obras e assinatura
dos contratos. Há possibilidade de licitação
para a construção do corredor de exportação
até o final deste ano, bem como para a linha 4 do Metrô.
A idéia é fazer no início de 2006 a licitação
para o corredor de ônibus Noroeste de Campinas, segundo
a coordenadora da Unidade de PPP da Secretaria de Economia
e Planejamento, Elizabeth Cechin. Também estão
em análise outras oportunidades de negócios
por meio de PPP, como o expresso aeroporto de Cumbica, o trem
de Guarulhos e o Ferroanel, além de empreendimentos
nas áreas de saúde, segurança, saneamento
e governo eletrônico.
Consórcios de capitais
nacionais e estrangeiros, já existentes ou em formação,
segundo o secretário Tavares, estão interessados
nesses projetos. Inclusive um dos que estão sob análise
é de iniciativa dos próprios investidores -
o expresso aeroporto, uma linha de trem rápido que
pretende interligar o centro de São Paulo à
cidade de Guarulhos e ao aeroporto de Cumbica.
Os capitais privados também
querem participar da construção de uma estação
de tratamento de água e esgoto na capital, um projeto
da Sabesp. 'Vamos dar prioridade aos investimentos cujas taxas
de retorno não são tão atrativas para
os capitais privados explorarem sozinhos e ao mesmo tempo
são imprescindíveis para a população
a ponto do setor público colocar recursos orçamentários',
diz Tavares.
Sem a parceria com empresas
privadas, esses investimentos demorariam muito mais tempo
para serem viabilizados somente com dinheiro do orçamento
estadual. Os investimentos previstos para o período
2004-2007 no estado, conforme o último Plano Plurianual
(PPA), é de R$ 30 bilhões, dentre os quais R$
7,5 bilhões seriam realizados por meio de PPP; outros
R$ 7,5 bilhões pelas estatais estaduais e R$ 15 bilhões
viabilizados por verbas orçamentárias.
São três as modalidades
de PPP admitidas pela legislação federal (lei
11.079/2004, que delimita o espaço para estados e municípios
implementarem seu programa de PPP), em combinação
com a lei estadual paulista número 11.688/2004. Os
contratos devem ter duração de 5 e 35 anos,
valor mínimo de R$ 20 milhões e é vedada
a contratação de parcerias que tenham como objeto
único o fornecimento de mão-de-obra, instalação
de equipamentos ou a execução isolada de obra
pública. A legislação diz ainda que o
governo paulista não poderá gastar mais do que
1% da receita corrente líquida anual para tocar todos
os projetos de PPP (R$ 490 milhões ano).
Os contratos serão
feitos dentro de dois tipos de modalidades de concessão,
que são inovadoras em relação à
concessão comum - quando as tarifas remuneram 100%
dos serviços prestados. As PPP possibilitam a concessão
patrocinada e administrativa, em áreas de interesse
público com taxas de retorno menos atrativas e por
embutirem doses maiores de risco. Na concessão patrocinada,
a remuneração do parceiro privado será
realizada por meio da cobrança de tarifas e em parte
subsidiada pelo setor público. Na concessão
administrativa, o usuário é a própria
administração pública, que pagará
pelos serviços prestados, tais como hospitais e presídios.
Depois de passar pelo Conselho
Gestor - que identifica os empreendimentos com potencial de
PPP e define a modelagem da parceria -, os projetos também
são submetidos à Companhia Paulista de Parcerias,
que dá garantias à parcela dos contratos assumida
pelo governo estadual. É o equivalente ao Fundo Garantidor
criado na esfera federal para as PPP da União.
PPP é o terceiro estágio
da reforma, diz Tavares
Sem contar com recursos oriundos
da privatização e pressionados pelo forte ajuste
nas contas públicas, os estados entram em uma nova
fase da reforma do Estado, o que ocorre também com
governo federal e municipais. Buscam melhorar sua capacidade
de investimento em parceria com o setor privado, por meio
das Parcerias Público-Privadas (PPP).
A implantação
das PPP é o terceiro estágio da reforma do Estado,
analisa o secretário de Economia e Planejamento do
Estado de São Paulo e ex-ministro do Planejamento e
Orçamento no governo de Fernando Henrique Cardoso,
Martus Tavares.
Segundo ele, o arcabouço
institucional-legal das PPP, criado nos últimos dois
anos pelo governo paulista em paralelo à legislação
federal, 'é tão bom que oferece risco mínimo
para o investidor privado e para o setor público'.
Os governos de Minas Gerais, Goiás, Ceará e
Santa Catarina também já estão negociando
a implantação das PPP.
Ainda segundo Tavares, os
receios existentes hoje sobre as PPP correspondem àqueles
de dez anos atrás sobre os contratos de concessões
de serviços públicos. 'Passado esse tempo, está
mais do que comprovado que as concessões deram certo,
por isso está na hora de tirar os advogados e colocar
os engenheiros financeiros nas PPP federais, estaduais e municipais
para provar que este instrumento funciona', defende Tavares.
Em tom de brincadeira, ele
diz que não aceita mais convite para discutir o aspecto
legal das PPP. 'Daqui para frente vamos concentrar esforços
na identificação de oportunidades com vocação
de PPP e vender aquelas já selecionadas pelo governo
estadual', enfatiza o secretário estadual.
'A face mais visível
da reforma do Estado é a desestatização,
mas as concessões públicas ainda estão
longe de esgotar o seu potencial, espe-cialmente no setor
elétrico e saneamento', afirma Tavares. Em 1996 o governo
paulista começou o Programa Estadual de Desestatização,
que até 2002 movimentou um total de R$ 18,2 bilhões
com a venda de empresas estatais.