PPP é o terceiro estágio da reforma, diz Tavares
Sem contar com recursos oriundos
da privatização e pressionados pelo forte ajuste
nas contas públicas, os estados entram em uma nova
fase da reforma do Estado, o que ocorre também com
governo federal e municipais. Buscam melhorar sua capacidade
de investimento em parceria com o setor privado, por meio
das Parcerias Público-Privadas (PPP).
A implantação
das PPP é o terceiro estágio da reforma do Estado,
analisa o secretário de Economia e Planejamento do
Estado de São Paulo e ex-ministro do Planejamento e
Orçamento no governo de Fernando Henrique Cardoso,
Martus Tavares.
Segundo ele, o arcabouço
institucional-legal das PPP, criado nos últimos dois
anos pelo governo paulista em paralelo à legislação
federal, "é tão bom que oferece risco mínimo
para o investidor privado e para o setor público".
Os governos de Minas Gerais, Goiás, Ceará e
Santa Catarina também já estão negociando
a implantação das PPP.
Ainda segundo Tavares, os
receios existentes hoje sobre as PPP correspondem àqueles
de dez anos atrás sobre os contratos de concessões
de serviços públicos. "Passado esse tempo,
está mais do que comprovado que as concessões
deram certo, por isso está na hora de tirar os advogados
e colocar os engenheiros financeiros nas PPP federais, estaduais
e municipais para provar que este instrumento funciona",
defende Tavares.
Em tom de brincadeira, ele
diz que não aceita mais convite para discutir o aspecto
legal das PPP. "Daqui para frente vamos concentrar esforços
na identificação de oportunidades com vocação
de PPP e vender aquelas já selecionadas pelo governo
estadual", enfatiza o secretário estadual.
"A face mais visível
da reforma do Estado é a desestatização,
mas as concessões públicas ainda estão
longe de esgotar o seu potencial, espe-cialmente no setor
elétrico e saneamento", afirma Tavares. Em 1996
o governo paulista começou o Programa Estadual de Desestatização,
que até 2002 movimentou um total de R$ 18,2 bilhões
com a venda de empresas estatais.
(Gazeta Mercantil/Caderno
A - Pág. 4)