Coube
ao ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guido
Mantega, apresentar aos membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico
e Social (CDES), reunidos em São Paulo, o Projeto de Lei
de Parceria Público-Privada (PPP). Segundo Mantega, o Projeto
de Lei deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional até
o fim deste mês, depois do período em que o projeto
ficará em consulta pública para o recebimento de sugestões
que podem ser enviadas para o endereço eletrônico ppp@planejamento.gov.br.
O ministro informou que a previsão no Plano Plurianual para
investimentos do setor privado na área de infra-estrutura
é de R$ 36 bilhões. Os mecanismos de garantia dos
contratos de PPP agradaram em cheio aos empresários que integram
o CDES. Pelo projeto, as PPP permitem que o setor público
complemente a remuneração de obras e serviços
executados por empresas privadas, nos casos em que a cobrança
de tarifas não seja suficiente para garantir a viabilidade
financeira da operação. Para garantir que os governos
cumprirão os futuros contratos, o projeto das PPP prevê
a criação de fundos especiais, capitalizados com recursos
públicos, entre outros instrumentos, como a vinculação
de receitas e a priorização desses contratos na liberação
de recursos orçamentários. "Historicamente, o
Tesouro brasileiro está sujeito a contingenciamentos, adiamentos,
restrições e outros problemas que afastam os investidores",
afirmou o presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura
e Indústrias de Base (Abdib), José Augusto Marques,
após a reunião, acrescentando ter percebido um "sentimento
geral de receptividade em relação ao projeto",
segundo nota da agência Estado. O diretor-presidente da Siemens,
Adilson Primo, disse que o governo não conta com recursos
suficientes para resolver os problemas da área de infra-estrutura
do País e frisou que a regulamentação das PPP
é importante para cumprir a estimativa de captar até
R$ 30 bilhões por ano da iniciativa privada para a execução
dos projetos incluídos no Plano Plurianual (PPA). O diretor-presidente
da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch,
se disse otimista em relação à atração
de recursos privados por meio das PPP. "Se o primeiro projeto
for bem, os outros vão na seqüência", disse
Steinbruch. Para o presidente da Associação Brasileira
da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf, a regulamentação
brasileira das PPP é um exemplo da "criatividade"
da qual o País tem de lançar mão para garantir
os investimentos em infra-estrutura diante da escassez de recursos.
Após o encontro com os empresários, o ministro-chefe
da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso
Genro, afirmou que 28 sugestões foram apresentadas, "mas
o tom de todas elas foi altamente elogioso à proposta do
governo". Para o ministro Mantega, as garantias oferecidas
aos parceiros privados não são excessivas, já
que os projetos que se ajustam ao formato das PPP normalmente não
seriam atrativos para a iniciativa privada e, sem o novo instrumento,
teriam de ser inteiramente custeados pelo governo. "O princípio
das PPP é o de compartilhamento do risco entre o setor público
e o privado", explicou. Mantega observou que as parcerias podem
ocorrer, por exemplo, na conclusão das obras de sete metrôs
em construção, na duplicação de rodovias
no Nordeste e também em projetos de empresas privadas com
a Petrobrás. O ministro afirmou que cabe ao governo manter
nesses contratos a responsabilidade fiscal, ou seja, não
comprometer recursos públicos acima dos limites orçamentários.
Segundo ele, no governo Lula o Estado terá um papel importante
no planejamento do investimento, mas a execução ficará
a cargo do setor privado. Mantega espera que a consulta pública
do anteprojeto seja concluída até o fim deste mês,
para que o Congresso possa votar e aprovar, ainda este ano, a regulamentação
das parcerias. O diretor da PricewaterhouseCoopers, Greg Haddock,
avalia que a criação de fundos garantidores é
uma idéia inovadora. Ele explica que, em outros países
que já adotaram o modelo das PPP, a única garantia
do investidor é o contrato assinado com o poder concedente.
"A contraprestação vem do orçamento do
governo".