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Publicação do DCI de 17 de janeiro de 2007

 

Muito além das parcerias

Uma das maiores implicações para o setor privado resultante do desmoronamento de parte do túnel que abrigará a futura Linha 4 do metrô paulistano é um possível revés no processo de instituição das parcerias público-privadas (PPP) no Brasil.
O contrato feito pela Companhia do Metropolitano de São Paulo com o consórcio de construtoras que está tocando as obras não segue o modelo de parcerias. Mas a obra será utilizada depois por um consórcio que, entre outras empresas, tem a Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) como participante.

Este consórcio assinou no ano passado a primeira parceria público-privada brasileira.
Se a obra atrasar —ou até, na pior das hipóteses, não sair —, haverá uma nuvem de insegurança em relação às futuras parcerias que estão sendo negociadas por governos estaduais (Minas Gerais e Bahia estão em processo adiantando nesse sentido) e pelo Governo Federal.

As parcerias são um importante instrumento para suprir a falta de capacidade de investimento do setor público. Vários setores no País dependem desses investimentos para poderem acabar com gargalos que impedem que o Brasil assuma posição de destaque em relação aos seus pares. Áreas importantes, como as de geração e distribuição de energia e a de transportes, são exemplos de quão importantes são os investimentos privados para o País.

Quando da criação da figura das parcerias, muito se discutiu quais seriam as garantias que o capital privado teria quando investisse no lugar do Estado. O fundo garantidor das PPP é um exemplo de tentativa do governo de criar um ambiente de regulação adequada.
Mas em São Paulo o problema ocorrido se deu antes mesmo que a parceria pudesse de fato ser colocada em prática. O desmoronamento do túnel não estava na previsão nem dos mais pessimistas. Agora, cria-se um vácuo. E se as obras atrasarem mais que um mês, como tem dito o governo paulista?
É premente que os agentes públicos entendam a importância das PPP para o País e ajam com mais responsabilidade em relação a esses acordos. Caso deixemos isso de lado ou finjamos que o que aconteceu é apenas uma fatalidade, podemos estar contribuindo para que o País não atinja as taxas de crescimento que todos queremos.

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