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Publicação de O Estado de
São Paulo de 15 de dezembro de 2006
Congonhas no limite e Galeão vazio
revelam erro de gestão
Estudioso diz que disparidade mostra
o descompasso entre as empresas aéreas e “uma
estatal monopolista”
Mariana Barbosa
Enquanto alguns poucos aeroportos, como
Congonhas e Brasília, estão no limite da capacidade,
outros tantos, como o Galeão, estão ociosos.
Essas disparidades que hoje se vê nos aeroportos do
País são resultado do descompasso entre as
demandas de companhias aéreas, que funcionam sob
as leis do livre mercado, e uma estatal monopolista, a Infraero,
que define investimentos com base em interferências
políticas, avalia o coordenador do Núcleo
de Estudos de Competição e Regulação
do Transporte Aéreo (Nectar) do ITA, Alessandro Oliveira.
“O gestor da infra-estrutura aeroportuária
tem que estar coadunado com a dinâmica do mercado
e os interesses das companhias”, diz ele. “Hoje
vemos investimentos em certos aeroportos que não
correspondem às demandas das companhias.” Na
sua opinião, uma eventual privatização
da Infraero ou a abertura do setor para a iniciativa privada
poderia resolver problemas de investimento no médio
e longo prazo. Entretanto, independentemente do regime de
concessão, se público ou privado, o que o
setor precisa, segundo Oliveira, é de flexibilização.
“Se o mercado é livre, seria coerente ter aeroportos
privados. Isso daria mais eficiência ao sistema. Mas
não sei até que ponto a privatização
resolveria o problema de congestionamento.”
Para diminuir os gargalos, ele sugere a
flexibilização da estrutura de cobrança
de tarifas aeroportuárias, pagas pelas companhias
aéreas. “Aeroportos mais demandados deveriam
cobrar tarifas maiores, enquanto aeroportos menos atraentes
poderiam oferecer melhores condições”,
explica. “Essa é uma medida relativamente simples
que ajuda a induzir tráfego e aproveitar infra-estrutura
subutilizada. A empresa low-cost (baixo custo) européia
Ryanair cresceu assim: negociando melhores condições
com aeroportos secundários.”
Outra medida que ajudaria a dar mais eficiência
ao sistema, segundo o coordenador do Nectar é a descentralização
da administração. “Por que não
transformar cada aeroporto em uma unidade de negócios,
com seu próprio poder de atração de
serviços e de companhias? Quanto menos burocracia,
melhor para o sistema.” Para dar conta da necessidade
de investimentos futuros, Oliveira sugere a inclusão
dos aeroportos no regime de PPPs (parcerias público
privadas) ou mesmo a abertura de novos aeroportos para a
iniciativa privada. A convivência entre aeroportos
públicos e privados, na sua opinião, poderia
ser benéfica para o setor. “Se o Estado não
tem condição de fazer investimentos rápidos
na construção de um aeroporto que tem potencial
de atrair a iniciativa privada, por que não?”
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