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Publicação do Valor Econômico
de 15 de dezembro de 2006
PPPs devem ganhar impulso em 2007, prevêem
especialistas
Margareth Boarini
A partir do próximo ano, o Brasil
pode presenciar o boom das Parcerias Público-Privadas
(PPP) em todo o seu território. Depois de quase dois
anos de ter sido criada a lei que regulamenta essa prática
e passado o processo eleitoral, governos e iniciativa privada
devem aquecer a área com projetos principalmente
voltados para o setor de transportes, a exemplo do que acontece
em outros países. Afinal, é a área
que convive com grandes gargalos seja no escoamento de produção
através de portos e rodovias ou mesmo no transporte
de passageiros.
A previsão de analistas é que Estados e municípios
devam mostrar-se mais ágeis que o governo federal,
como já se delineou ao longo deste ano. O Estado
de São Paulo foi o que saiu na frente e anunciou
no final de novembro a primeira PPP do país para
a operação da Linha 4 do Metrô, vencida
pelo consórcio MetroQuatro, que integra a Companhia
de Concessões Rodoviárias (CCR), Montgomery
Participações, Benito Roggio Transportes e
RATP Développement, com investimentos previstos para
a obra da ordem de US$ 340 milhões em linhas, sinalização
e novos trens.
Minas Gerais também tem seu projeto bastante adiantado,
referente à modernização da rodovia
MG-050, em fase de julgamento de recurso da habilitação
técnica. "Talvez o resultado final desse projeto
aconteça no começo do ano que vem", prevê
Mauricio Endo, diretor de projetos de PPP da KPMG.
Levantamento da Deloitte aponta que existem hoje no país
35 projetos de PPP, dos quais 14 deles centrados na área
de transportes, afirma Elias de Souza, gerente da área
de corporate finance da consultoria. Em São Paulo,
o estudo da consultoria elenca o corredor de exportação,
que engloba obras em rodovias do Vale do Paraíba
e no Porto de São Sebastião, travessias marítimas
(modernização no sistema de ferryboats), expresso
aeroporto (interligação ferroviária
com extensão de 31 km entre o centro de SP com o
Aeroporto Internacional de Guarulhos), anel ferroviário
(prevê redução no custo de transporte
de carga entre o Estado de SP e o sudoeste de MG) e o expresso
Bandeirantes (ligação por trem entre os aeroportos
de Guarulhos e Viracopos, tanto para transporte de passageiros
quanto para o de cargas).
No Rio de Janeiro, o destaque é o arco rodoviário,
com obras de interligação do porto de Sepetiba
com as principais rodovias federais que acessam a cidade.
Na Bahia, a duplicação de 23,3 km e restauração
de 81,7 km da BA-093, enquanto em Santa Catarina, a construção
de um trecho de 35 km na SC-280 para ligar a BR-101 ao porto
São Francisco.
No Ceará, segundo o levantamento da Deloitte, as
PPPs previstas incluem obras nas rodovias CE-040 e Aquiraz-Iguape.
Em Pernambuco, os projetos previstos referem-se à
duplicação da rodovia PE-60 para favorecer
as áreas produtiva e turística, e construção
de ponte e implantação de sistema viário
do projeto praia do Paiva.
O Paraná abriga o projeto de construção
de 110 km de ramal ferroviário entre as cidades de
Guarapuava e Ipiranga, para facilitar o escoamento na exportação
de grãos. O estudo da Deloitte destaca ainda como
projeto do governo federal a restauração,
manutenção, operação e ampliação
da capacidade da BR-116/324.
"Seja qual for a base, transporte sempre é uma
das áreas mais atrativas para o setor privado, porque
embora o custo da obra seja elevado o retorno do investimento
sempre acontece", explica Souza, da Deloitte. Para
o poder público, por sua vez, realizar uma parceria
do gênero no setor de transporte também é
interessante não apenas por ser esta uma área
que favorece o desenvolvimento da economia e que necessita
periodicamente de modernização, mas também
porque passa a existir a diluição dos custos.
"A vantagem de uma Parceria Público-Privada
é justamente a de aliar a redução do
custo com o ganho da eficiência na gestão de
uma obra", justifica o consultor da KPMG, que desde
2001 mantém no Brasil uma área destinada exclusivamente
a negócios desta prática. Na visão
de Luis Guilherme Raposo, sócio-diretor da BDO Trevisan,
a eficiência na construção e na operação
é a grande vantagem trazida pela PPP. "O Brasil
já está bastante maduro nas discussões.
Acredito que para essa prática se tornar mais presente
é preciso o governo deter-se mais ao mapeamento e
divisão de riscos", afirma Raposo.
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