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Publicação do Valor Econômico
de 15 de dezembro de 2006
Apesar das críticas, estradas estão
em melhores condições
A conservação e a manutenção
das estradas brasileiras estão no topo da lista de
prioridades tanto de especialistas do setor de infra-estrutura
de transporte como de usuários. Não há
quem discorde que o esforço para resgatar a malha
rodoviária brasileira do processo de deterioração
em que entrou há alguns anos deva ser a prioridade
absoluta das ações públicas da pasta
de Transportes.
A má conservação da rede de estradas
- formada por 196 mil km de vias pavimentadas e mais outros
1,4 milhão de km não pavimentados, por onde
escoam 58% das mercadorias produzidas no país - prejudica
um patrimônio avaliado em US$ 200 bilhões,
segundo cálculos do Tribunal de Contas da União
(TCU). Pelas contas contas do Coppead/URFJ, de março
de 2005, uma carreta de 25 toneladas e seis eixos gasta
R$ 2,24 por km ao rodar em uma estrada ruim, ante R$ 1,60/km
que gastaria trafegando em vias bem conservadas.
Em linha com o consenso geral em torno do assunto, o Ministério
dos Transportes privilegiou as estradas nos gastos do Orçamento
Fiscal dos últimos anos. E deverá continuar
com sua programação de investimentos públicos
para a recuperação, conservação
e ampliação da malha rodoviária federal,
bem como também partir para modelos de financiamento
como as concessões e as Parcerias Público-Privadas
(PPPs) para garantir a boa operacionalidade das estradas.
No pacote de planos para a infra-estrutura de transportes,
apresentado recentemente pela ministra Dilma Roussef, chefe
da Casa Civil da Presidência da República,
as rodovias federais foram agraciadas com R$ 12 bilhões
para programas de manutenção e conservação
e mais R$ 12 bilhões para ampliação
da malha federal, formada por cerca de 58 mil km de estradas
pavimentadas (cerca de 30% do total da malha pavimentada),
que perfazem as principais rotas de escoamento de produtos
de todo o território brasileiro. Mas, além
de projetos futuros, muita coisa já está em
andamento.
"Estamos com frentes de trabalho no Brasil todo",
diz Paulo Sérgio Passos, ministro dos Transportes,
ressaltando o ritmo acelerado de crescimento das inversões
de recursos na rede de rodovias. Segundo ele, são
obras de diversos tipos, desde emergenciais, para recuperar
degradações pontuais, como outras de restauração,
conservação e sinalização, em
diversos pontos do território brasileiro.
As obras enquadradas no Programa Emergencial de Trafegabilidade
e Segurança nas Estradas (Petse), consideradas urgentes,
encontram-se em fase de conclusão, segundo o Departamento
Nacional de Infra-estrutura (Dnit). Foram alvo desse programa
26 mil de km de estradas federais, sendo que um conjunto
de 7 mil km apresentava problemas que exigiam intervenções
imediatas e a contratação das obras foi, por
isso, dispensada de licitação.
Os demais 19 mil km tinham contratos de manutenção
pré-existentes ao lançamento do programa e
foram agregados aos novos, apenas para fins de gestão
e avaliação, segundo informações
do governo federal. Entre as ações do programa,
houve recuperação e recapeamento de segmentos
da rodovia, recuperação de pontes, restauração
da sinalização, e também tapa-buracos.
Iniciadas em janeiro deste ano, sob uma saraivada de críticas,
essas obras acabaram sendo reconhecidas como adequadas e
necessárias, tanto pelo TCU, chamado a fiscalizar
e averiguar irregularidades nos contratos e má-qualidade
dos serviços, como pelos operadores de transporte
rodoviário. "O Petse conteve aspectos positivos,
que foram além de tapa-buracos", avalia Geraldo
Vianna, presidente da NTC&Logística, entidade
que reúne empresas de transporte rodoviário
e logística.
De acordo com Vianna, o programa contemplou, além
de intervenções pontuais de emergência,
restaurações importantes. "Considero
que o desempenho do governo na área de rodovias melhorou
bastante em 2006, apesar de ainda estar muito longe do ideal",
ressalta, adiantando que a expectativa do setor para 2007
é otimista.
O programa recebeu investimento total de R$ 407 milhões,
segundo o Dnit, liberados nos dois primeiros meses deste
ano, para obras distribuídas em 23 Estados da federação.
Um balanço do Ministério dos Transportes registra
que entre 2003 e outubro deste ano foram recuperados 13,8
mil km e conservados 38,4 mil km, além de implementada
sinalização em 40,1 mil km de rodovias federais.
Até agora, a maior parte dos poucos recursos públicos
disponíveis foram direcionados à malha sob
responsabilidade do governo federal. Entre 2000 e 2004,
essas estradas receberam em média R$ 700 milhões
por ano. A partir de 2005, o volume de dinheiro subiu para
R$ 2 bilhões.
Além disso, o governo argumenta que as parcelas da
Contribuição de Intervenção
no Domínio Econômico (Cide), instituída
em dezembro de 2001, já chegam aos Estados na proporção
de 30% da arrecadação e que representaram
R$ 1,1 bilhão em 2004, R$ 1,7 bilhão em 2005
e mais de R$ 1,7 bilhão em 2006 foram canalizados
para as malhas estaduais, de acordo com os governadores.
Mostrando ainda a intenção de prosseguir com
o investimento em rodovias, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, recentemente, garantiu que irá destinar
R$ 1 bilhão para a pavimentação de
865 km da BR 163 (Cuiabá/Santarém), recurso
que será incluído no Projeto Piloto de Investimento
(PPI) em 2007.
Paralelamente às obras, está saindo da gaveta
um programa para implantação de balanças
para pesagem de caminhões nas rodovias, a ser concedido
para a administração da iniciativa privada.
A previsão é de que a licitação
seja realizada em 2007, pelo prazo de cinco anos, com investimento
estimado em R$ 1,5 bilhão. Atualmente, existem 36
balanças móveis em operação,
13 fixas e mais 20 para serem instaladas nos próximos
meses sob responsabilidade direta do Dnit. Nas rodovias
concessionadas e fiscalizadas pela Agência Nacional
de Transporte Terrestre (ANTT), são 13 fixas e móveis.
"Os investimentos nas estradas precisam ser preservados
com um rígido controle de peso dos caminhões",
diz o ministro.
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