Para Alide, futuro de infra-estrutura em países da
AL dependerá de PPPs
Chico
Santos - O presidente da Associação Latino-Americana
de Instituições Financeiras de Desenvolvimento
(Alide), Mario Laborín, disse que o futuro dos investimentos
em infra-estrutura para os países da região
está nas parcerias público-privadas (PPP).
"Os
recursos do Estado são limitados na América
Latina. A idéia é buscar formas de maximizar
(esses recursos). A PPP é uma alternativa nova. Com
o cuidado necessário, com as regras claras, vai nos
permitir acelerar muitas coisas", disse.
Laborín
participou da abertura da 35ª Assembléia Geral
da entidade e admitiu que as privatizações não
tiveram para os países latino-americanos o retorno
desejado, resultando, em alguns casos, em aumentos de preços
de serviços, como os de energia elétrica. Daí
porque a rejeição de grande parte da opinião
pública da região a essas privatizações.
Apesar
disso, segundo Laborín, "é muito claro
que o dinheiro do setor público é escasso e,
por isso, todos os países, principalmente os deficitários,
se não tivessem dinheiro privado teriam que represar
os projetos (de infra-estrutura)".
O
presidente da Aladi disse que os países latino-americanos
estão "fazendo bem" a tarefa de baixar a
inflação e construir políticas macroeconômicas
de longo prazo, com influência no aumento do fluxo de
recursos para o mercado de capitais, especialmente no Brasil
e no México, e na redução do risco-país.
Ele disse também que o esforço de estabilização
macroeconômica está servindo para fortalecer
as instituições, tornando a vida econômica
dos países menos vulnerável a turbulências
políticas como as que o Brasil vive atualmente.
Para
Laborín, além de suprir o mercado de financiamentos
de longo prazo, os bancos de desenvolvimento da América
Latina devem ter como prioridade resolver os problemas das
pequenas e médias empresas que, segundo ele, não
necessariamente precisam de dinheiro para investir em equipamentos,
mas sim de dinheiro para funcionar (capital de giro).
O
presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), Guido Mantega, anfitrião e presidente
da assembléia da Alide, fez, no discurso de abertura,
uma defesa veemente da presença do Estado como promotor
do desenvolvimento. "O desenvolvimento econômico
não ocorre por geração espontânea
e nossos países não podem dispensar a atuação
do Estado para promover o aumento do bem estar da sociedade",
afirmou.
Para
Mantega, "as últimas décadas de políticas
liberalizantes e de redução do papel do Estado
na economia deixaram um saldo insatisfatório na maioria
dos países que as adotaram". Segundo ele, a nova
fase de intervenção estatal não deve
significar o retorno às políticas do chamado
período desenvolvimentista. "Hoje o mercado precisa
atuar mais na coordenação e no incentivo às
decisões do mercado do que na intervenção
direta na economia."
Mantega
justificou sua defesa da intervenção estatal
na economia afirmando que "algumas falhas do mercado
podem ser tão ou mais graves do que as falhas do governo".
Nesse quadro de aumento da presença estatal, o presidente
do BNDES considerou "fundamental" a participação
dos bancos de desenvolvimento como responsáveis pela
viabilização de financiamentos de longo prazo
para a área de infra-estrutura.
Segundo
a Alide, a América Latina possui 110 instituições
de desenvolvimento, 75 delas filiadas à entidade regional.
Na
visão de Mantega, os bancos de desenvolvimento da América
Latina precisam viabilizar financiamentos "a taxa de
juros mais favorável", que permita tornar viáveis
projetos que, "apesar de proporcionarem alto retorno
para a economia como um todo, não seriam realizados
somente com base na taxa interna de retorno (desses projetos)".
Ele
defendeu que os bancos de desenvolvimento sejam também
capazes de oferecer financiamentos a juros mais baixos que
os atuais. O BNDES vem defendendo, desde a gestão de
Carlos Lessa, a redução da taxa de juros de
longo prazo (TJLP), a taxa básica dos seus empréstimos.