Governo vai agilizar dois projetos de PPP
Chico
Santos - A ferrovia Norte-Sul, ligando Goiás ao Maranhão,
via Tocantins, e o trecho baiano da rodovia BR-116 serão
as duas primeiras obras públicas federais a serem licitadas
para fins de formação de parcerias público-privadas
(PPP). Segundo o chefe da Assessoria Econômica do Ministério
do Planejamento, Antonio José Alves Júnior,
os dois são os mais maduros de uma lista de cinco projetos
prioritários que inclui Ferroanel de São Paulo,
ferrovia Guarapuava-Ipiranga do Sul (PR) e arco rodoviário
do Rio de Janeiro.
Alves
disse que "não dá" para assinar nenhum
contrato de PPP federal ainda neste ano, mas afirmou que até
março de 2006 o governo pretende formalizar as parcerias
para a Norte-Sul e para a BR-116. Quanto às demais,
ele disse que será uma "agradável surpresa"
se o governo conseguir assinar parcerias no mesmo prazo. "São
projetos no papel há muitos anos, não há
nada inovador", disse Alves, ressaltando que essa característica
permite esperar uma tramitação mais rápida
dos projetos.
O
assessor do Planejamento fez ontem palestra no seminário
Modelagem para Participação dos Fundos de Pensão
em PPP, promovido pelas principais entidades de previdência
privada do país. Segundo Alves, não dá
para assinar PPP neste ano porque falta definir aspectos indispensáveis,
como a regulamentação do fundo garantidor (cobriria
eventuais inadimplências do Estado com os sócios).
A
Norte-Sul é um projeto dos anos 80 cuja licitação
para a totalidade da obra foi interrompida, em 1987 (governo
José Sarney) após o jornalista Janio de Freitas
publicar antecipadamente, em anúncio na "Folha
de S. Paulo", quais seriam os vencedores. Depois, foi
construído o trecho de Marabá (PA) a Estreito
(MA). Falta construir o trecho entre Senador Canedo (GO) e
Estreito. O governo está fazendo uma revisão
nos projetos para aumentar o grau de detalhamento. "A
ferrovia vai cortar a área que mais cresce no país",
disse Alves.
Diferente
das concessões ferroviárias feitas via privatização
no governo anterior, na Norte-Sul o governo Lula pretende
separar construção e manutenção
da via do serviço de transporte de carga. As PPPs serão
apenas para a construção e manutenção
da via. O governo entende que essa é uma concessão
de longo prazo, irremovível e, assim, de maior risco.
Para a operação de transporte haverá
licitação normal.
Para
a BR-116 a idéia do governo é licitar em conjunto
o trecho de Feira de Santa (BA) até a divisa com Minas
Gerais com a BR-324 (Feira de Santana-Salvador). O vencedor
vai recuperar e cobrar pedágio, sem suplementação,
nas duas rodovias, mantendo a BR-116 com mão dupla.
Após oito anos, se for necessário duplicar a
pista, aí o governo passaria a complementar a receita
da concessionária. O trecho mineiro da rodovia ficará
para depois pois não está no Plano Plurianual
(PPA) de investimentos.
O
diretor de Investimentos e Finanças da Valia (fundo
de pensão da Vale do Rio Doce), Manoel Cordeiro Silva
Filho, disse que será necessário definir o prazo
de cada projeto porque a liquidez, junto com a segurança
e a rentabilidade, é indispensável para os fundos
de pensão. Para ele, um fundo maduro (com número
elevado de benefícios a pagar) não pode entrar
em projetos de 30 ou 35 anos e o governo quer projetos de
5 a 35 anos.