PPP pode ter US$ 575 mi de fundo
Os
principais fundos de pensão do país lançaram
ontem um fundo de investimento no valor de US$ 575 milhões
-ou cerca de R$ 1,420 bilhão-, com o objetivo de buscar
negócios na área de infra-estrutura.
Guilherme Lacerda, presidente da Funcef (fundo de pensão
dos funcionários da Caixa Econômica Federal),
disse que os recursos serão usados também para
investir em projetos de PPP's (Parcerias Público-Privadas).
Segundo o executivo, a idéia é que os fundos
de pensão não apliquem seus recursos diretamente
nas PPP's, mas sim que invistam nas obras sempre por meio
do fundo de investimento.
O fundo de investimento já conta com o aval da CVM
(Comissão de Valor Mobiliários), e o gestor
já foi escolhido. É o banco ABN-Real, que, segundo
Lacerda, "está buscando oportunidades de negócios".
Estão em análise projetos de concessões
de rodovias.
Ele não revelou, porém, quais obras são
foco de interesse do fundo nem se os cinco projetos de PPP's
prioritários do governo estão sob análise.
As obras mais urgentes para o governo são: a Ferrovia
Norte-Sul, o ferroanel de São Paulo, o arco rodoviário
do Rio, a duplicação da BR-116 e a variante
Ferroviária de Guarapuava-Ipiranga (PR).
Com a Funcef, idealizadora do empreendimento, as fundações
de seguridade social Petros (Petrobras), Previ (BB) e Valia
(Vale do Rio Doce) também são cotistas do fundo
de investimento em infra-estrutura.
A expectativa é que os fundos de pensão funcionem
como "catalisadores" de outros investidores, inclusive
estrangeiros, diz Lacerda. Além dos recursos dos cotistas,
o fundo de investimento conta com US$ 75 milhões do
BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para financiar
projetos de infra-estrutura.
Só um setor, segundo Lacerda, não será
alvo de investimentos do fundo: o ferroviário. "Já
estamos satisfeitos com os investimentos que temos em ferrovias."
A Funcef e a Previ são acionistas da Brasil Ferrovias
e aportaram recentemente recursos na empresa, reestruturando-a
com a participação do BNDES.
Os dois fundos de pensão colocaram R$ 375 milhões
em dinheiro novo na companhia e outros R$ 115 milhões
em conversão de dívidas.
Os fundos aguardam até o dia 27 deste mês o ingresso
de recursos do BNDES, que só em dinheiro novo soma
R$ 385 milhões. O banco estatal também converteu
R$ 265 milhões de dívidas antigas em ações
da empresa. (PS)