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Publicação da Folha de São Paulo de 14 de junho 2005

PPP pode ter US$ 575 mi de fundo

Os principais fundos de pensão do país lançaram ontem um fundo de investimento no valor de US$ 575 milhões -ou cerca de R$ 1,420 bilhão-, com o objetivo de buscar negócios na área de infra-estrutura.
Guilherme Lacerda, presidente da Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal), disse que os recursos serão usados também para investir em projetos de PPP's (Parcerias Público-Privadas).
Segundo o executivo, a idéia é que os fundos de pensão não apliquem seus recursos diretamente nas PPP's, mas sim que invistam nas obras sempre por meio do fundo de investimento.
O fundo de investimento já conta com o aval da CVM (Comissão de Valor Mobiliários), e o gestor já foi escolhido. É o banco ABN-Real, que, segundo Lacerda, "está buscando oportunidades de negócios". Estão em análise projetos de concessões de rodovias.
Ele não revelou, porém, quais obras são foco de interesse do fundo nem se os cinco projetos de PPP's prioritários do governo estão sob análise. As obras mais urgentes para o governo são: a Ferrovia Norte-Sul, o ferroanel de São Paulo, o arco rodoviário do Rio, a duplicação da BR-116 e a variante Ferroviária de Guarapuava-Ipiranga (PR).
Com a Funcef, idealizadora do empreendimento, as fundações de seguridade social Petros (Petrobras), Previ (BB) e Valia (Vale do Rio Doce) também são cotistas do fundo de investimento em infra-estrutura.
A expectativa é que os fundos de pensão funcionem como "catalisadores" de outros investidores, inclusive estrangeiros, diz Lacerda. Além dos recursos dos cotistas, o fundo de investimento conta com US$ 75 milhões do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para financiar projetos de infra-estrutura.
Só um setor, segundo Lacerda, não será alvo de investimentos do fundo: o ferroviário. "Já estamos satisfeitos com os investimentos que temos em ferrovias."
A Funcef e a Previ são acionistas da Brasil Ferrovias e aportaram recentemente recursos na empresa, reestruturando-a com a participação do BNDES.
Os dois fundos de pensão colocaram R$ 375 milhões em dinheiro novo na companhia e outros R$ 115 milhões em conversão de dívidas.
Os fundos aguardam até o dia 27 deste mês o ingresso de recursos do BNDES, que só em dinheiro novo soma R$ 385 milhões. O banco estatal também converteu R$ 265 milhões de dívidas antigas em ações da empresa. (PS)

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