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Publicação da Agência
Estado de 13 de dezembro de 2006
Saneamento precisa de R$ 200 bilhões
em 20 anos
A aprovação da Lei de Saneamento Básico,
depois de 20 anos de tentativas frustradas, trouxe animação
ao mercado. Na avaliação de especialistas,
o modelo deve pôr o setor numa nova fase e atrair
importantes investimentos para a universalização
dos serviços de água e esgoto, que exigirá
recursos anuais da ordem de R$ 10 bilhões durante
20 anos - ou seja, R$ 200 bilhões no período.
`Essa regulamentação pode
mudar a história do saneamento no Brasil`, festeja
o presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura
e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy.
Segundo ele, hoje 47 milhões de pessoas no País
não têm água de qualidade e 36 milhões
dos moradores da zona urbana sofrem com a falta de rede
de esgoto ou fossa séptica. Na zona rural, apenas
18% da população têm acesso a esses
serviços, enquanto 25,2 milhões de pessoas
não têm. `Se conseguirmos investir os R$ 10
bilhões por ano, diminuiremos de 63 anos para 20
anos a universalização dos serviços
prestados.`
De acordo com dados da entidade, em 2005 foram investidos
apenas 0,22% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor. Mas,
para garantir acesso a todos os cidadãos, são
necessários investimentos de 0,63% do PIB por ano
ao longo de 20 anos.
Godoy acredita que não vai faltar dinheiro para investir
em saneamento no Brasil. `O importante é ter o marco
regulatório. A partir daí é mais fácil
conseguir estruturar financiamentos para projetos do setor
e, conseqüentemente, alavancar os investimentos.`
Segundo a Abdib, ao aprovar a regulamentação
do setor e atrair investimentos, o governo também
está contribuindo para resolver um outro problema
do País: a saúde. De acordo com dados da entidade,
em 2005 2.291 pessoas foram internadas por causa de doenças
causadas especialmente por falta de saneamento.
Oportunidades
O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da
Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando
Santos Reis, destaca que o saneamento é a área
mais crítica do setor de infra-estrutura no Brasil,
o que significa inúmeras oportunidades de negócios
para a iniciativa privada. `Com a regulamentação,
os investidores vão participar das PPPs (Parcerias
Público-Privadas) e disputar as concessões
de serviços. Há excelentes oportunidades de
investimentos.`
Para o superintendente-técnico da Associação
das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (Aesbe),
Walder Suriani, a política do setor é extremamente
importante, pois estabelece regras para a prestação
de serviços e atração de capital privado.
Além disso, estabelece regras para a criação
de órgãos reguladores no setor.
Hoje, a regulação é feita de acordo
com a titularidade dos serviços, se municipal ou
estadual. Mas o governo federal tem atuado no setor nos
últimos anos para suprir algumas carências
de regulamentação.
Titularidade
Ele lembra, no entanto, que a lei do saneamento não
resolve a questão da titularidade dos serviços
em regiões de interesse comum, como as metrópoles.
`Isso será decidido pelo Supremo Tribunal Federal.`
Mas Suriani acredita que a aprovação da lei
no Congresso, ontem, deve causar algum incômodo ao
Supremo. Isso significaria que em breve o setor teria uma
definição sobre o assunto.
O executivo diz também que agora o setor deverá
entrar na fase de resolver as questões de financiamento
dos projetos. É preciso saber de onde virão
os recursos para aplicar no setor, argumenta ele.
Alguns fundos de pensão, como Funcef (dos funcionários
da Caixa Econômica Federal) já declararam,
em várias ocasiões, que estão dispostos
a analisar os projetos. Há meses alguns empreendedores
estavam se formando para criar um fundo de investimento
na área de saneamento básico.
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