Ferrovia e rodovias devem inaugurar obras das PPPs
MARTA SALOMON - A construção
de 295 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul e a duplicação
de 633 quilômetros das rodovias BR-116 e BR-324, entre
a fronteira dos Estados de Minas Gerais e Bahia e o porto
de Aratu, são as duas obras candidatas a inaugurar
as Parcerias Público-Privadas, mecanismo criado pelo
governo para driblar a falta de investimentos públicos
na área de infra-estrutura.
Os dois projetos foram selecionados pela comissão técnica
das PPPs e submetidos ontem à noite ao comitê
gestor, integrado pelos ministros Antonio Palocci Filho (Fazenda),
Paulo Bernardo (Planejamento) e José Dirceu (Casa Civil),
em sua primeira reunião.
Considerados os mais bem estudados de todos os projetos passíveis
de parcerias entre a União e a iniciativa privada,
os trechos da Ferrovia Norte-Sul e de rodovia na Bahia ainda
serão objeto de estudos por parte de consultoria a
ser contratada antes do lançamento das primeiras licitações.
A expectativa é que os primeiros contratos de PPPs
sejam assinados ao final do primeiro trimestre do ano que
vem, informou o secretário-executivo do comitê
gestor e chefe da assessoria econômica do Ministério
do Planejamento, Antonio José Alves Júnior.
"A idéia é começar [as parcerias]
com dois projetos e, dois ou três meses depois, lançar
mais uma ou duas licitações", disse.
Os dois primeiros projetos objeto das PPPs representam investimentos
estimados em R$ 1,82 bilhão -R$ 1,2 bilhão da
rodovia e mais R$ 620 milhões da ferrovia. A mais recente
versão dos projetos é bem diferente do primeiro
cardápio das parcerias apresentado pelo governo logo
depois do envio do projeto de lei ao Congresso, em novembro
de 2003. Na época, o governo contava em lançar
as primeiras licitações no segundo semestre
do ano passado.
No caso da Ferrovia Norte-Sul, o governo optou pela construção
do trecho de 295 quilômetros entre Estreito (MA) e Guaraí
(TO). Posteriormente, seriam construídos dois novos
trechos até Gurupi (TO). A ferrovia começou
a ser construída no governo Sarney (1985-1990) e funciona
entre Estreito e Açailândia, onde se liga, pela
estrada de ferro Carajás, ao porto de Itaqui (MA).
O governo avalia que a obra é estratégica por
causa da produção de grãos na região
e da presença de jazidas de calcário e fosfato
e de usinas de álcool em Tocantins.
Houve mudanças também no trecho escolhido da
BR-116, além da inclusão de trecho não
previsto da BR-324, entre Feira de Santana (BA) e o Porto
de Aratu. Paralela à BR-101, que margeia o litoral
do país, a BR-116 é tida como importante eixo
de integração nacional.
A primeira reunião do comitê gestor da PPPs não
deveria escolher ainda o nome da instituição
financeira que vai administrar o fundo garantidor de aproximadamente
R$ 4 bilhões, criado para bancar futuras obrigações
da União com investidores privados.
A lei autoriza que a União se comprometa com até
70% da remuneração dos investimentos em contratos
com duração de até 35 anos. A lei também
fixa limites para o financiamento público e para a
participação de fundos de pensão nos
negócios.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) ou outra instituição financeira federal
poderá financiar até 70% da operação.
Em associação com fundos de pensão, o
financiamento e a participação acionária
nos empreendimentos podem alcançar 80% do negócio.