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Publicação do DCI de 12
de dezembro de 2006
Bancos injetarão R$ 18,3 bilhões
em projetos
Sílvia rosa
O financiamento dos bancos a projetos de
infra-estrutura, conhecido como project finance, deve injetar
R$18,3 bilhões de investimentos no setor no próximo
ano. Além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) e do Banco do Brasil, outras instituições
privadas como Unibanco e Banco Espiríto Santo (BES)
têm aumentado sua participação nesse
mercado, sobretudo nas áreas de energia, logística
e óleo e gás.
O Banco do Brasil possui na carteira 16 projetos em andamento,
que somam investimentos de R$ 15 bilhões, dos quais
R$9 bilhões serão financiados.
Até agora o banco já alocou cerca de R$ 3
bilhões em projetos como a instalação
do segundo maior parque de energia eólica do mundo,
Ventos do Sul Energia, no Rio Grande do Sul, que recebeu
cerca de R$ 100 milhões do banco e deve entrar em
operação em dezembro deste ano. Outros projetos
que também devem receber recursos estão Pequenas
Centrais Hidroelétricas (PCHs), usinas hidroelétricas
e empreendimentos no setor sucroalcooleiro.
O BB atualmente analisa outros 30 projetos que envolvem
obras no setor de energia, sucroalcoleiro, concessões
rodoviárias e portos. Segundo o gerente executivo
do banco, Alan de Toledo, o BB poderá entrar em algumas
Parcerias Público-Privada (PPPs), que não
sejam federais e que o banco não seja o gestor do
fundo garantidor.
Ele afirma que dos 16 projetos, 10 já iniciaram as
obras e quatro deverão entrar em funcionamento no
ano que vem como as oito PCHs de Pipoca e Cachoeirão,
em Minas Gerais, que conta com investimento de R$ 500 milhões.
O BB ainda não definiu sua participação,
que deve chegar a 70% do valor financiado.
No setor elétrico, o banco ainda participou com financiamento
no valor de R$ 120 milhões para o projeto do Complexo
Energético do Rio das Antas, que envolve a construção
de três usinas hidrelétricas.
Além de atuar nos leilões de linhas de transmissão,
que apresenta estrutura de project finance por requerer
a criação de uma Sociedade de Proprósito
Específico (SPE), e cujo valor investido deve ser
de R$ 1,5 bilhão em quatro linhas, sendo uma já
contratada e outras duas em andamento.
O banco também conta com outras fontes de financiamento
como BNDES, Fundo do Centro-Oeste (FCO), além do
repasse das linhas de incentivo à exportação
de bancos estrangeiros, quando o projeto envolve a compra
de máquinas importadas.
Assessoria a projetos
Outra forma de participar do project finance é atuar
na assessoria para implantação dos projetos.
O Unibanco possui 30 empreendimentos em carteira, entres
eles a linha 4 do metrô de São Paulo, que somam
investimentos de R$ 7 bilhões. De acordo com o superintendente
de estruturação de projetos e concessões
do banco, Carlos Mellis, de 1999 a 2005 foram alocados cerca
de R$ 12 bilhões para projetos de infra-estrutura,
dos quais o banco foi responsável por R$ 3 bilhões.
“Pretendemos participar do financiamento de todos
os projetos que prestamos assessoria”, afirma.Entre
os projetos que o banco participa do financiamento e que
deverão entrar em operação em 2007
estão o campo de produção de gás
de Manati, (BA), operado pela Petrobras em parceria com
os grupos Queiroz Galvão e Rio das Contas (do grupo
norueguês Norse Energy), orçado em R$ 1 bilhão,
dos quais cerca de R$ 80 milhões devem ser alocados
pelo Unibanco. A instituição ainda participa
do financiamento da construção de duas usinas
hidroelétricas, de Foz de Rio Claro (GO) e São
José (RS), arrematadas pela Alusa - Companhia Técnica
de Engenharia Elétrica , cujo investimento deve chegar
a R$ 500 milhões, dos quais R$ 300 milhões
devem ser financiados. “O banco tem participado com
30% do valor financiado dos projetos em carteira , o que
corresponde a cerca de R$ 1 bilhão”, afirma
Mellis.
Entre as áreas que deverão receber investimento
estão o setor de energia elétrica —
incluindo linhas de transmissão — logística,
saneamento e açúcar e álcool. O banco
também estuda a entrada em PPPs, e atualmente está
assessorando a Odebrecht no projeto de PPP da Empresa Baiana
de Águas e Saneamento (Embasa).
O Banco Espiríto Santo (BES) também tem assessorado
alguns projetos na área de transporte e energia,
como rodovias federais - MG 050 - implantação
de terminais portuários e leilões de linha
de transmissão. Esses projetos ainda estão
nas fases de estruturação e licitação.
Em financiamento o BES participou da construção
de uma plataforma de petróleo a ser arrrendada à
Petrobrás. “O Brasil apresenta o maior potencial
de toda a América Latina, tanto em número
de projetos quanto em volume. A expectativa é grande
em relação às PPPs, concessões
e outros projetos privados em infra-estrutura”, afirma
Paulo de Tarso Vasconcellos, diretor da área de Project
Finance do banco Espírito Santo Investment.
O chefe de departamento de energia elétrica do BNDES,
Nelson Siffert, explica que existem dois modelos de project
finance: o “puro” e o híbrido. O primeiro
não exige fiança por parte dos acionistas
da SPE nem na fase de implantação e a garantia
de conclusão da obra pode ser dada, por exemplo,
por meio de uma seguradora. Já no segundo, há
um mecanismo de fiança corporativa na primeira fase
para depois migrar para a garantia dos recebíveis,
cujo fluxo de caixa do projeto deve ser 1,3 vezes maior
que o custo mensal do serviço de dívida. “Como
os custos são contabilizados no orçamento
da SPE, não há impacto no balanço dos
empreendedores e o que estimula os investimentos”,
diz.No período de 2003 a 2006, o banco participou
de 81 projetos na área do setor de energia, com apoio
financeiro de R$9,3 bilhões, que somaram R$ 21,8
bilhões no total dos investimentos. Desses, segundo
Siffer, cerca de 64 projetos estão enquadrados na
categoria de project finance. Atualmente o BNDES está
com 51 projetos em análise, que somam R$ 21,8 bilhões
em investimento e devem receber aportes de R$ 9,3 bilhões
do banco. Desse grupo, 30 projetos estão sendo estruturados
como project finance, entre eles a construção
de cinco hidrelétricas, uma termoelétrica,
21 PCHs, duas usinas de biomassa e uma usina eólica,
que devem sair até o primeiro trimestre de 2007 e
devem receber R$ 5,2 bilhões de empréstimo.
O banco também tem atuado nos leilões de transmissão
e está analisando 13 projetos, que devem receber
R$ 4,1 bilhões de investimento, sendo R$ 2 bilhões
financiados pelo banco.
Segundo Siffert, o BNDES pode participar em até 80%
do valor do investimento, mas a média situa-se no
patamar de 60%, sendo que metade do valor financiado é
repassado para outros bancos privados. O Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID) também participou no co-financiamento
de cinco projetos, com cerca de 20% a 25% do valor financiado.
No momento estão em análise mais cinco usinas
hidroelétricas, sendo que uma delas deve ser aprovada
ainda este ano, e deverá receber R$ 800 milhões
de investimento, dos quais R$ 570 milhões devem ser
liberados pelo banco. Siffert acredita que o projeto do
Complexo do Rio Madeira, estimado em R$ 20 bilhões,
também possa vir a se desenvolver por meio de project
finance.
De acordo com um estudo do BNDES, devem ser investidos no
setor de infra-estrutura cerca de R$ 200 bilhões
em três anos.
Os investimentos tem chamado atenção dos investidores
estrangeiros. Ontem o presidente do “Barrett Trade
& Finance”, o norte-americano Joseph Barrett,
visitou a Apeop (Associação Paulista de Empresários
de Obras Públicas) para discutir a criação
de um Equity Fund com o objetivo de financiar os programas
de PPPs para as empresas que integram a entidade.
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