Governo planeja atrair recurso árabe para PPP
O
grande volume de recursos financeiros acumulado pelos países
do Conselho de Cooperação do Golfo, entre eles
Arábia Saudita, Omã e Qatar, está na
mira do governo brasileiro, para sustentar projetos de Parcerias
Público-Privadas (PPP), informou o chefe do departamento
de promoção comercial do Ministério das
Relações Externas, Mário Vilalva.
Ele
espera aproveitar a inauguração da primeira
linha aérea diária entre São Paulo e
Dubai, nos Emirados Árabes, até o fim do ano,
para enviar à região uma missão comercial
que deverá ter integrantes do governo encarregados
de apresentar propostas de PPPs aos bancos árabes que
aplicam recursos desses países.
"Queremos
fazer 'road shows', como na época das privatizações",
diz Vilalva, que contratou uma consultoria britãnica
para identificar onde estão os recursos acumulados
pelos países árabes, beneficiados pela alta
do petróleo. O estudo identificou 30 instituições
financeiras que concentram as aplicações de
países reunidos no Conselho de Cooperação
do Golfo (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos,
Kuait, Qatar, Bahrein e Omã).
Reuniões
como a Cúpula América do Sul-Países Árabes
e o encontro de empresários que começa hoje
em São Paulo, promovido pela Cãmara de Comércio
Brasil-Árabe, têm a vantagem de aumentar o conhecimento
do setor privado sobre o potencial das duas regiões,
argumenta Vilalva.
Vilalva
lembra que na visita feita por ele aos países árabes,
em março, surpreendeu-se ao descobrir que um executivo
do Saudi-American Bank (Samba, na sigla em inglês) ainda
acreditava haver hiperinflação no Brasil. O
Samba, ligado ao Citibank, e instituições como
o Saudi-Holland Bank e Saudi-British Bank estão entre
os bancos que serão procurados pelo governo brasileiro
para apresentação das Parcerias Público-Privadas.
A
primeira PPP financiada com capital árabe pode ser
resultado da visita do presidente Lula à Líbia,
em 2003, acredita Vilalva. Já está em fase de
estudo de viabilidade o financiamento de um projeto de irrigação
para fruticultura em Irecê, na Bahia, a ser realizado
em conjunto pela Odebrecht, Codevasf e Lafico, estatal líbia
de investimentos. A Lafico comunicou ao Brasil a disposição
de financiar projetos em até US$ 450 milhões.(SL)