PPPs terão "papel coadjuvante" nas obras de infra-estrutura, diz Ciro
O
ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes,
mostrou ontem forte ceticismo em relação ao
sucesso das Parcerias Público-Privadas (PPPs) como
instrumentos para recuperação e ampliação
da infra-estrutura-brasileira. Segundo o ministro, elas terão
apenas "papel coadjuvante", cabendo o ônus
maior ao Estado brasileiro. Ciro resumiu seu pensamento em
uma metáfora: "O filé já foi, há
aí alguma alcatra que ainda vai nas PPPs, mas o osso,
amigo, vai ficar para o Estado brasileiro suportar".
Para
o ministro, as PPPs "terão papel relevante, mas
coadjuvante" e somente um "incauto" pode pensar
que será diferente. Isso se dá, segundo ele,
em razão da realidade brasileira e de erros cometidos
no passado. Deu como exemplo a BR-116, da qual faz parte o
trecho Rio-São Paulo (rodovia Presidente Dutra), já
privatizado. Ao privatizar apenas a Dutra, o Estado perdeu
a possibilidade de usar um esquema de subsídios cruzados,
de modo a compensar com o pedágio na Dutra outros trechos
menos rentáveis da rodovia.
Nas
PPPs, cabe ao Estado dar garantia de algum retorno ao investimento
feito pela iniciativa privada. Para Ciro, o preço que
o setor público terá que pagar para honrar sua
parte em determinados trechos da infra-estrutura do país
pode inviabilizar a parceria. O ministro fez essas declarações
pouco antes de fazer uma palestra sobre desenvolvimento regional
no XVII Fórum Nacional, que termina hoje, no Rio.
O
ministro disse também que as obras de construção
dos dois canais da transposição de águas
do rio São Francisco para o semi-árido setentrional
deverão começar em julho. Os editais de licitação
para a escolha das empresas que serão encarregadas
dos 14 lotes nos quais estão divididas as obras, deverão
ser publicados ainda este mês.
A
obra, que tem custo previsto de R$ 4,5 bilhões, visa
transferir, por meio de dois canais, um mínimo de 26
metros cúbicos e um máximo de 127 metros cúbicos
por segundo de água do São Francisco (um metro
cúbico é igual a mil litros) para perenizar
rios temporários dos Estados de Pernambuco, Paraíba,
Rio Grande do Norte e Ceará.
"Nós
já corremos toda a discussão, estamos com o
projeto pronto, temos o licenciamento ambiental e vamos agora
publicar os editais de licitação para executar
a obra", disse Ciro.
O
ministro acrescentou que, segundo o objetivo do governo, "em
julho haverá obras", respeitados todos os prazos
legais do processo de licitação. A previsão
de Ciro é mais otimista que a última feita pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a qual
as obras começariam em setembro. (CS)