Calendário eleitoral tornou-se determinante na agenda da PPP
Parece
que foi ontem
Já
havia minuta de projeto de lei no final da administração
federal anterior. A atual mal tinha alguns meses de gestão
quando definiu a PPP como uma prioridade. Entre tomar o pé
da situação e enviar seu projeto ao Congresso
Nacional, passaram-se 11 meses. Assim acabou o ano de 2003.
O ano seguinte marcou, com o episódio Waldomiro Diniz,
o início do enfraquecimento político que menos
de um ano depois levaria à vitória de Severino.
No meio, o projeto de PPP parou por mais tempo do que desejava
o governo. Graças ao esforço pessoal do senador
Mercadante e do próprio presidente Lula, o que era
projeto transformou-se em lei em 30 de dezembro. Assim acabou
o ano de 2004. Em março de 2005, saiu o primeiro decreto
regulamentador, criando o Comitê Gestor. Logo depois,
as primeiras regras do Fundo Garantidor. Discussão:
o gestor do fundo será o Banco do Brasil, a Caixa Econômica
Federal ou o BNDES? Ou os três? Ou dois dos três?
Com sugestões que buscam assegurar a devida liquidez
do fundo, interveio a tempo a Associação Brasileira
das Indústrias de Base (ABDIB). O novo decreto regulamentador
do FGP, então previsto para o final de abril, está
agora anunciado para o fim de maio. Eis que então faltarão
cerca de 16 meses para o primeiro turno das próximas
eleições presidenciais. Anunciam-se para outubro
os primeiros editais. Previsão de assinatura dos contratos:
março de 2006. O governo federal corre contra o relógio.
As
duas estradasEntre os cinco projetos prioritários,
ao quais a imprensa deu destaque nesta semana, têm-se
os 145 quilômetros do Arco Rodoviário do Rio
de Janeiro e os quase 1.500 quilômetros de duplicação
da BR-116 da divisa entre Rio e Minas até Feira de
Santana, na Bahia. Não será surpresa se o trecho
da BR-116 for dividido em lotes - talvez dois, talvez três
-, hipótese que, se consumada, poderá resultar
na existência simultânea de diferentes operadores
para a mesma rodovia. A situação é inédita,
porém absolutamente admissível - e até
mesmo desejada - se considerada a dimensão do projeto.
A se consumar, merecerá elogios pela criatividade da
solução.
As
três ferrovias
A
soma das três PPP prioritárias resulta em quase
1.800 quilômetros de estradas de ferro. As ferrovias
já foram descritas anteriormente neste mesmo espaço:
"Primeiro, trechos dos longos 1.550 quilômetros
da ferrovia Norte-Sul, dos quais a esta altura estão
concluídos apenas 215. Pelo projeto, a Norte-Sul sai
do longínquo município de Açailândia,
no Maranhão, e termina em Anápolis, em Goiás.
Segundo, o ferroanel de São Paulo, que inclui dois
trechos. O sul, de 48 quilômetros, tem valor estimado
em US$ 160 milhões. Para o norte, de 66 quilômetros,
estimam-se US$ 240 mi. Estão ambos perto da capital
paulistana. Terceiro, outra ferrovia, Guarapuava-Ipiranga.
Fica no Paraná, tem 130 quilômetros e valor de
obra, em reais, estimado em 330 mi".
O
Fundo GarantidorTrata-se do grande tema, objeto do debate
do momento em Brasília. O que o mercado espera - e
é justo que assim espere - é um fundo garantidor
que garanta. A frase parece óbvia, mas no final das
contas não é tão simples assim para um
privado tirar dinheiro do bolso e, na hipótese de inadimplência
do parceiro público, receber como pagamento ações
de empresas, algumas estatais, outras não. É
interessante observar que se trata de um modelo ao qual o
próprio BNDES está acostumado, porém
na posição de emprestador que recebe a garantia.
Tome-se um exemplo, a Eletropaulo, distribuidora de energia
em São Paulo: na privatização, o BNDES
emprestou e, como garantia, aceitou ações da
própria empresa. No caso da PPP, o conceito é
diferente, já que as ações que serão
oferecidas em garantia são como qualquer outro patrimônio
que pertence à União. Imóveis, por exemplo.
Nesse sentido, não há relação
direta entre a empresa que toma o empréstimo - uma
SPE de PPP - e as ações que o garantem. É
igual, porém, à medida que o bem dado em garantia
são valores mobiliários. Pergunta: considerando
que o valor de uma ação varia de um dia para
o outro, como vincular um determinado número de ações
a uma quantia certa em dinheiro? São questões
como essa sobre as quais, espera-se, debruçam-se neste
momento os técnicos do Ministério do Planejamento.