Para tucano, PPP não deve ter uso imediato no Ceará
O
vice-líder do governo na Assembléia Legislativa,
João Jaime Marinho (PSDB), avalia que as Parcerias
Público-Privadas (PPPs) dificilmente serão efetivadas
no Ceará depois da aprovação do projeto
pela Assembléia Legislativa
Salomão
de Castro
da Redação
Embora
ameace dividir a bancada petista na Assembléia Legislativa,
o projeto que institui as Parcerias Público-Privadas
(PPPs) no Ceará é defendida de forma curiosa
pela base aliada ao governador Lúcio Alcântara
(PSDB). Um dos principais defensores da proposta, o vice-líder
do governo na Assembléia, João Jaime Marinho
(PSDB), não vê perspectiva de execução
de projetos pelo Palácio Iracema no modelo das PPPs
nos próximos meses. ''Na prática, dificilmente
o PPP será efetivado porque o Ceará não
tem um financiador como o BNDES para o projeto nacional'',
avalia o tucano.
Para
João Jaime, a aprovação do projeto é
uma medida para ''garantir reserva'' ao Governo do Ceará
em futuros empreendimentos. ''Temos que nos esforçar,
porque de repente o Ceará pode vir a articular a aprovação
de empreendimentos que precisem ser feitos no modelo das PPPs'',
entende.
A
forma como o vice-líder do governo vê a eventual
aprovação do projeto explica em parte o fato
de a base situacionista não o ter defendido com muita
ênfase em plenário. A outra razão é
a certeza de aprovação da proposta pelos deputados.
Os aliados do Palácio Iracema têm até
mesmo silenciado quando o projeto é criticado pela
oposição.
O
deputado Guaracy Aguiar (PMDB) critica duramente a proposta,
classificando-a como ''privatização disfarçada''.
O peemedebista tem sido um dos principais críticos
do projeto, ao lado da deputada Iris Tavares (PT), que não
seguirá a orientação da bancada do PT
favorável à aprovação do projeto.
Crítico
do projeto ao longo da tramitação do mesmo,
Guaracy Aguiar cita países em que projetos desenvolvidos
a partir das PPPs teriam fracassado - como Inglaterra, Filipinas
e África do Sul. ''É uma farsa neoliberal. Qual
será o papel do Estado depois desta segunda onda de
privatizações ?, indaga.
O
peemedebista critica o projeto em um pronunciamento na Assembléia,
citando trechos de discursos do senador Tasso Jereissati (PSDB)
contrários à proposta semelhante defendida pelo
governo Lula no Congresso Nacional.