A parceria público-privada (PPP) "é
o único mecanismo" que vai viabilizar novos investimentos
no setor elétrico. A ministra das Minas e Energia, Dilma
Roussef, procurou deixar claro que não há tentativa,
por parte do governo, de estatização do setor.
Dilma disse que, no momento, não há necessidade
de investimentos emergenciais no segmento de geração.
Segundo ela, é compromisso do governo que os investimentos
de infra-estrutura para a geração nova sejam por
meio das PPPs. - É fundamental que haja investimentos
público e privado - disse a ministra. O novo modelo do
setor elétrico, anunciado nesta sexta-feira pelo presidente
Lula, proíbe a realização de novos contratos
de "self-dealing", mecanismo de compra e venda de
energia entre geradora e distribuidora pertencentes ao mesmo
grupo econômico. Entretanto, isso só vale para
contratos novos, pois o governo vai manter os que estão
em vigor. - Vamos respeitar os contratos bilaterais. Não
temos solução a não ser respeitar - lamentou
a ministra Dilma. Durante o anúncio do novo modelo, em
Brasília, Dilma frisou que todos os novos contratos de
compra de energia se darão por meio de leilão.
A ministra também confirmou que no ambiente regulado
no qual as distribuidoras vão adquirir energia, o chamado
'pool', a energia nova (de projetos de expansão) e a
velha (já amortizada, mais barata) serão licitadas
separadamente. As novas licitações para geração
de energia, antes realizadas com base no maior ágio oferecido
pelo investidor interessado no projeto, agora serão balizadas
pela menor tarifa oferecida, confirmou a ministra das Minas
e Energia, Dilma Roussef. Além disso, segundo ela, as
concorrências terão contestação por
técnica e por preço e levarão em conta
também o mercado associado, ou seja, a licitação
será associada "a um contrato de compra de longo
prazo de energia". Para a ministra, essa disposição
prevista no novo modelo do setor elétrico significa retomar
o planejamento de longo prazo, com mecanismos de mercado. Dilma
frisou que o novo modelo direciona o sistema para contratos
de longo prazo: - Estamos dando sinais corretos para os geradores,
nosso modelo não é de curto, é de longo
prazo, para que o investidor não tenha atrativos de curto
prazo e prejuízo no decorrer do projeto. Outros elementos
previstos no novo modelo: as distribuidora terão de contratar
100% da demanda quando for para os consumidores cativos e que
as futuras contratações de energia se darão
exclusivamente por leilão, não sendo mais permitida
a contratação bilateral nas futuras contratações.
Os contratos atuais serão respeitados, segundo explicou
a ministra. O novo modelo prevê a criação
de três instituições para operar no planejamento,
operação e regulação do sistema.
Por meio de Medidas Provisórias (MPs), serão criadas
a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a qual fixará
as regras básicas para o setor, e a Câmara de Comercialização
de Energia Elétrica (CCEE), que definirá as normas
para comercialização pelo "pool" de
empresas do ramo. Também caberá a EPE realizar
estudos para definição da matriz energética,
com indicação das estratégias e metas de
longo prazo. Cuidará ainda dos inventários das
bacias hidrográficas, de prover licenças prévias
e estudos de viabilidade. À CCEE fará, entre outras
funções, a administração da contratação
de energia no âmbito do Ambiente de Contratação
Regulada (para o consumidor cativo). Por fim será criado
o Comitê de Monitoramento dos Sistemas Elétricos
(CMSE), responsável por mapear as condições
de atendimento no horizonte de 5 anos e recomendar ações
preventivas. - Na crise, ninguém era responsável
por prever desequilíbrios e tomar providências
- mencionou a ministra Dilma Roussef. Sobre investimentos, a
ministra afirmou que há muitos empreendimentos médios,
por exemplo, que só podem ser desenvolvidos pelo setor
privado. Ela disse, ainda, que a Eletrobrás não
vai segurar investimentos para ajudar no superávit primário
do governo, ao responder a uma pergunta nesse sentido. Mas garantiu
que os investimentos terão que ser mistos e que não
há emergência no atendimento pela Eletrobrás.
Dilma garantiu ainda que a Eletrosul continuará apenas
como empresa de transmissão e que não procedem
as especulações de alteração da
função da estatal. A ministra garantiu também
que estarão no Diário Oficial desta sexta-feira
duas medidas provisórias: uma criando a Empresa de Pesquisa
Energética e a outra criando a Câmara de Comercialização
de Energia Elétrica e o Comitê de Monitoramento
do Setor Elétrico. Segundo ela, após transformadas
em leis, caberá ao governo baixar decretos e resoluções
necessárias.