Em
audiência pública hoje, na Comissão de Infra-Estrutura
do Senado Federal, o ministro do Planejamento, Orçamento
e Gestão, Guido Mantega, disse que as Parcerias Públicas-Privadas
(PPP) são instrumento viabilizador de investimentos de
que o país necessita. Ele ressaltou a importância
das parcerias, especialmente para as empresas privadas, ao destacar
que o projeto, do modo como foi estruturado, permite que as
despesas sejam contabilizadas como gastos correntes. "Digamos
que em uma estrada, determinada empresa (parceira no investimento)
deva pagar 50% do pedágio. Ela calculará quanto
isto custa e colocará no orçamento como custeio
e não como dívida."
O ministro afirmou ainda que a PPP não retira do Estado
sua responsabilidade no investimento necessário ao desenvolvimento
da Nação. "A PPP não substitui o investimento
público. Ela complementa e preserva o planejamento estatal."
De acordo com Mantega, as parcerias são importantes,
não só para projetos federais, mas também
para os estados e municípios endividados fazerem investimento
em saneamento. "Hoje, eles não podem fazer investimentos
totais, como contrair empréstimo externo, que é
contabilizado como gasto primário. Eles podem não
ter espaço orçamentário para colocar, por
exemplo, R$ 1 bilhão no orçamento para construção
de uma empresa de saneamento. Mas tem para colocar R$ 100 mil
por mês para pagar a conta dos usuários."
Uma das vantagens das PPPs é a possibilidade de ultrapassar
os limites orçamentários sem transgredir a Lei
de Responsabilidade Fiscal. Para assegurar esse procedimento,
será formado um conselho para analisar o impacto e desempenho
que os contratos terão nas contas públicas e coordenar
a aprovação das parcerias. "Vamos criar um
órgão como a Cofiex, que examina a capacidade
de endividamento do estados e municípios. Aqueles que
estão dentro do limite da LRF poderão fazer parcerias."
Com o objetivo de reduzir os riscos para o setor privado, será
criado um fundo garantidor constituído por ativos, ações
e recebíveis, que assegurarão a preferência
no pagamento. "O fundo garantidor é uma espécie
de seguro.
O governo vai criar uma lei específica para constituí-lo".
Investimentos em infra-estrutura
De acordo com o ministro, os investimentos em infra-estrutura
deverão alcançar o patamar de R$ 298,2 bi. A maior
parte será viabilizada pelas estatais e está fixada
em R$ 135,2 bi. O setor privado deverá contribuir com
R$ 99,2 bi através das parcerias. Os fundos, bancos públicos,
estados e municípios participarão com R$ 36,3
bi e R$ 27,7 correspondem a valores orçamentários.
O segmento energético (elétrico, petróleo
e gás) deverá consumir R$ 207,2 bi do total, enquanto
que o de transporte e logística totalizará R$
41,04 bi, o de saneamento e infra-estrutura urbana soma R$ 22,61
bi, habitação com R$ 21,58 e infra-estrutura hídrica
com R$ 5,9 bi.
Os investimentos em energia elétrica serão destinados
ao acréscimo de geração e transmissão
de energia e universalização dos serviços
na área rural. O governo pretende alcançar, até
2007, dois milhões de domicílios rurais que se
encontram hoje sem acesso a energia elétrica, implantar
12.425 quilômetros de linhas de transmissão e viabilizar
a geração de 14.085 megawatts de potência
instalada.
Nos próximos três anos, o Brasil deverá
estar auto-suficiente em petróleo. Segundo Mantega, a
produção passará dos atuais 1,6 milhão
de barris diários para 2,2 milhões no período.
Estão previstas também a ampliação
em 2.479 quilômetros da malha de gasodutos, com a disponibilização
de 34,5 milhões de metros cúbicos de gás
por dia, e o aumento de 1.62 milhão para 1,85 milhão
de barris diários na capacidade de refino de petróleo.
O governo pretende recuperar 75% da malha rodoviária
federal, hoje em estado de má conservação.
Serão feitas obras de melhorias e manutenção
em 43 mil quilômetros de rodovias, e de construção
e adequação em 5,5 mil quilômetros nas estradas
federais. Há previsão de construção
de 2,4 mil quilômetros de ferrovias e implantação
de 10 mil quilômetros de hidrovias, com melhoria de navegabilidade.
Outro objetivo é a ampliação da capacidade
portuária em 200 milhões de toneladas.
Em relação aos recursos hídricos, está
prevista a revitalização e integração
da bacia do São Francisco, com fornecimento água
potável para 3,7 milhões de habitantes de 200
localidades do semi-árido brasileiro. Com o projeto,
espera-se aumento de 83% da área irrigada como promoção
do desenvolvimento regional da agricultura.
O ministro explicou que, para o saneamento, o objetivo é
ampliar de 50,9# para 57,9% a taxa de cobertura de serviços
urbanos de coleta e tratamento de esgoto, e passar de 29% para
43% os municípios atingidos com tratamento de resíduos
sólidos.
Os investimentos em habitação deverão reduzir
em 25% o déficit habitacional das famílias com
renda de até cinco salários mínimos através
do financiamento e apoio à produção de
1,2 milhão de lares. O governo pretende também
regularizar a condição fundiária da população
de baixa renda, com emissão de 780 mil títulos
de propriedade emitidos.