Governo diz que aperto será menor
O
governo federal fechou os 12 meses encerrados em março
com uma economia de 4,8% do PIB, mas o ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, afirmou que a "orientação"
é reduzir o índice aos 4,25% previstos no Orçamento
de 2005.
A economia é chamada de superávit primário
e é destinada ao pagamento dos juros da dívida
pública. Quando Lula assumiu o governo, em 2003, a
meta foi elevada de 3,75% para 4,25%. Em 2004, o índice
subiu para 4,50% e, neste ano, foi reduzido para 4,25%.
A cada ano, o Brasil gasta pelo menos R$ 100 bilhões
com o serviço de sua dívida, um problema que
o ministro da Casa Civil, José Dirceu, classificou
ontem como "o mais importante e mais grave" do país.
"Não há herança mais grave do que
esta e nós vamos ter de equacioná-la nos próximos
anos", declarou Dirceu durante o 17º Fórum
Nacional, no Rio.
Também participante do evento, Bernardo afirmou que
há limites para o aumento do esforço fiscal
do governo, defendido no fórum pelos economistas Raul
Velloso e Affonso Celso Pastore. Velloso chegou a propor um
superávit de 7% do PIB em momentos de turbulência
internacional.
Bernardo disse que uma economia maior que a prevista comprometeria
a já baixa capacidade de investimento do setor público.
PPPs
Para escapar das restrições ao investimento,
o governo pretende lançar no segundo semestre os editais
de licitações das primeiras cinco obras a serem
realizadas por meio das PPPs (Parcerias Público-Privadas).
Neste modelo, o setor privado garante os recursos para a construção
de infra-estrutura e é remunerado com a cobrança
de tarifas dos usuários. Se elas forem insuficientes,
o poder público entra com a diferença.
As cinco obras prioritárias, cuja construção
deverá começar no próximo ano, são
do setor de transportes: 1) trecho da ferrovia Norte-Sul;
2) ferrovia Guarapuava-Ipiranga, no Paraná; 3) arco
rodoviário do Rio de Janeiro; 4) rodoanel de São
Paulo e 5) BR-116 e BR-324 na Bahia.
O governo também pretende alterar a Lei de Concessões
para estimular o investimento privado. Dirceu anunciou que
irá propor ao Congresso um período único
de 25 anos para concessão da exploração
de portos.
Outra mudança, segundo o ministro do Planejamento,
será a incorporação na Lei de Concessões
de mecanismos criados pela Lei das PPPs. As principais alterações
seriam a simplificação do processo de licitação,
a fixação de metas de desempenho do concessionário
e a possibilidade de o financiador intervir e mudar o executor
da obra se houver má gestão.
O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, afirmou
ontem em Londres que a idéia do ministro Antonio Palocci
Filho (Fazenda) de limitar as despesas e receitas do setor
público pelos próximos dez anos contribuirá
para a criação de um ambiente mais favorável
ao investimento.
"A carga tributária é um espelho da despesa,
se você quer estabilizá-la, tem de fazer escolhas
em relação à despesa e você tem
de, como o presidente Lula diz, ser audacioso, ambicioso,
não dá para ficar com medo. Tem de botar essas
metas, sim, para todo mundo saber o que a gente vai fazer",
disse Levy, após dar palestra sobre o projeto das PPPs
ontem, na sede embaixada brasileira em Londres.
Segundo Levy, o estabelecimento de metas por dez anos é
factível. Ele afirmou que elas levariam a uma redução
da pressão fiscal, contribuindo para o aumento da transparência
do setor público e a diminuição do custo
de empréstimos para o país. (CT e PS)