Governo define 5 projetos como prioridade para as PPPs
O
governo espera lançar até outubro os primeiros
editais de Parcerias Público-Privadas (PPPs), informou
ontem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Os cinco
projetos definidos como prioritários são: o
trecho Norte da Ferrovia Norte-Sul; o ferroanel de São
Paulo; a variante ferroviária entre Guarapuava e Ipiranga,
no Paraná; o arco ferroviário do Rio; e um pacote
que inclui trechos das rodovias BR-116 e BR-324, ligando a
divisa de Minas Gerais e Bahia ao Porto de Aratu, na Bahia.
Os demais projetos da lista devem ficar para o próximo
governo. "A PPP é um projeto que vai ter um tempo
longo de maturação, entre 3 e 4 anos",
disse o ministro.
Segundo ele, os cinco projetos da primeira fase dependem só
da elaboração dos editais e contratos e da definição
de quem vai gerir o fundo garantidor de R$ 6 bilhões.
Os primeiros contratos, disse, devem ser assinados até
março do ano que vem. A questão do fundo garantidor
deve ser definida nas próximas semanas. Uma das alternativas
em estudo prevê a divisão do fundo, formado por
ações do Banco do Brasil, Petrobrás e
Companhia Vale do Rio Doce, entre os três principais
bancos estatais: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), Caixa Econômica Federal e o próprio
Banco do Brasil. O objetivo é evitar conflitos de interesse
entre os financiadores - os próprios bancos - e o gestor
das garantias para os contratos.
Paulo
Bernardo informou que o governo deve contratar consultorias
jurídicas com experiência internacional para
colaborar na elaboração dos editais e contratos.
"O governo não tem experiência nem quadros
capacitados para fazer isso", justificou. Segundo ele,
o BNDES pode custear a contratação das consultorias.
O
ministro afirmou desconhecer instrumentos legais para criar
metas fiscais de longo prazo no País, como propôs
segunda-feira o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "A
idéia é correta, mas não sei se o Palocci
falou em criar amarras." Paulo Bernardo afirmou, porém,
que o orçamento de 2007, a ser elaborado no ano que
vem, terá metas para serem cumpridas pelo próximo
governo. "A vantagem é que criamos um mecanismo
que dificilmente o governo futuro vai deixar de cumprir."
Para
2006, a meta de carga tributária foi definida em 16,1%
do PIB e a de despesas, em 17% do PIB. O ministro disse que
espera não ter que fazer corte nos gastos, uma vez
que todas as estimativas apontam para um crescimento do PIB.
Ele acrescentou, no entanto, que há esforços
do governo para reduzir o déficit da Previdência
em pelo menos R$ 8 bilhões dos R$ 40 bilhões
atuais, com aumento da arrecadação e corte em
algumas despesas.