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Publicação da Folha Online
de 11 de janeiro de 2007
Desoneração em infra-estrutura
pode ter levado à suspensão de concessões
ANA PAULA RIBEIRO
A desoneração no setor de
infra-estrutura que será feita por meio do PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento) pode ter influenciado
a decisão do governo de suspender a licitação
das concessões de sete trechos de rodovias federais.
A avaliação é de Paulo Godoy, presidente
da Abdib (Associação Brasileira da Infra-Estrutura
e Indústrias de Base).
"Se há um componente diferente
neste momento é que se estudam no PAC algumas medidas
de desoneração que poderão atingir
um segmento vasto da infra-estrutura, na medida em que se
vai atacar a parte da construção civil dos
empreendimentos e estradas, saneamento", disse.
Ele explicou que a taxa de retorno dessas
concessões é composta por cinco itens. Um
deles é o custo do investimento, que poderá
ser menor devido as desonerações que devem
ser anunciadas ainda neste mês.
O governo estuda uma série de medidas
para estimular investimentos na construção
civil e em infra-estrutura (energia, logística, saneamento).
O anúncio do PAC deverá ser feito no próximo
dia 22.
Os outros quatro pontos que definem a taxa
de retorno são os custos de operação,
tributos, financiamento do investimento e o custo Brasil.
Godoy esteve reunido na tarde de hoje com
o secretário-executivo do Ministério da Fazenda,
Bernard Appy, e, antes, com a ministra Dilma Rousseff (Casa
Civil). De acordo com ele, ficou claro que a suspensão
foi feita por razões técnicas.
"Não há por parte do
governo nenhum interesse e nenhum preconceito de fazer com
que esses investimentos na infra-estrutura sejam feitos
com a iniciativa privada. (...) Não há nenhum
componente ideológico do ponto de vista de afastar
a iniciativa privada."
Para ele, no caso dessas concessões,
não há muito o que se alterar e que o investimento
será financiado pelo usuário por meio do pagamento
de pedágios. Esses trechos não justificariam
uma PPP (Parcerias Público-Privadas) e o governo
não tem recursos para assumir essas operações.
Godoy também acredita que não prospera a hipótese
de uma estatal para administrar os pedágios.
"Acho que dá para mudar pontualmente.
Mas não pode ter grandes expectativas porque o investidor
vai usar esses mecanismos para aferir o custo da tarifa.
Fora disso, se não for factível para a iniciativa
privada, muito menos será para o governo se ele se
aventurar a fazer essa gestão toda", avaliou.
O prazo da concessão dos sete trechos
é de 25 anos e Godoy estima em R$ 20 bilhões
o investimento a ser feito nos sete trechos rodoviários,
entre eles a Fernão Dias e a Regis Bittencourt.
PAC
O presidente da Abdib afirmou que é
preciso ter foco no crescimento econômico e que o
Brasil precisa da iniciativa privada para resolver o problema
da infra-estrutura. O governo tem como papel atrair investidores
e atuar como um árbitro, ou seja, fazer com que a
remuneração das empresas que possuem as concessões
de serviços públicos seja equilibrada.
Sobre o PAC, ele disse que a isenção
do IR (Imposto de Renda) nos fundos voltados para infra-estrutura
irá entrar. No entanto, Godoy não sabe se
o mesmo tratamento será dado a CSLL (Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido). Além disso,
na área de infra-estrutura, o governo irá
fazer um fundo com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço).
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