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Publicação de O Estado de
São Paulo de 10 de dezembro de 2006
Interesses e pouca verba limitam Integração
Má distribuição
das linhas e atraso nas obras comprometem serviço
Projetos de integração do
transporte público, implantados desde 2000, ainda
não conseguem reduzir congestionamentos de 150 quilômetros,
sobreposição de itinerários e superlotação
nos ônibus, trens e metrô, presentes no dia-a-dia
dos 11 milhões de habitantes da cidade de São
Paulo. Disputas políticas entre empresas de ônibus
e perueiros, além da escassez de verbas para ampliação
da rede metroferroviária, são alguns dos responsáveis
pela falta de eficiência do sistema. Até hoje,
a integração do transporte não está
completa.
Um dos projetos é o Sistema Integrado
de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (Situp). Criado
pela Lei nº 13.284/01, na gestão Marta Suplicy
(PT), tinha como meta organizar o transporte por ônibus
e, conseqüentemente, assegurar o fim da corrupção
no setor. Depois de cinco anos, oito corredores de ônibus
foram construídos e reformados para dar continuidade
ao Situp. Até 2008, a previsão era fazer mais
36, sendo 9 só neste ano. Hoje, apenas duas obras
estão em andamento, o Expresso Tiradentes e o Corredor
José Diniz.
O sistema integrado não tirou o
peso dos subsídios às empresas de ônibus
das costas da Prefeitura. O aumento do rombo na conta municipal,
neste ano, está na ordem de R$ 85 milhões,
enquanto em janeiro de 2005, era de R$ 56 milhões.
Os ônibus, com o Situp, deveriam
atender às linhas de maior alcance, junto dos principais
corredores de trânsito, rumo ao centro. Os microônibus
cumpririam itinerários internos dos bairros. “Os
perueiros não querem deixar de ir ao centro, nem
às regiões da Lapa e de Santo Amaro, e os
ônibus não pretendem sair dos bairros”,
explica o criador do projeto, Carlos Zarattini, secretário
municipal de Transportes na gestão de Marta Suplicy.
O atual titular da pasta, Frederico Bussinger, concorda.
“Há resistência das operadoras e, principalmente,
da população.”
A falta de resultados efetivos ocorre também
pelas falhas no planejamento dos itinerários dos
ônibus. Bussinger afirma estar negociando aos poucos
com as empresas. “Fica difícil corrigir problemas
quando a implantação do sistema foi diferente
do previsto.”
Opinião semelhante tem o consultor
do Sindicato das Empresas de Ônibus Urbanos de São
Paulo Carlos Alberto de Souza diz que o desrespeito ao trajeto
ocorre por falta de cumprimento da Lei n.º13.284/01.
Para o consultor, se houvesse fiscalização,
o sistema funcionaria de fato. “Faremos o que a Prefeitura
determinar, porque mesmo com a lei, as empresas continuarão
a atuar em alguns bairros, sem perder a receita.”
Para o vereador Senival Pereira de Moura
(PT), presidente do Sindilotação, entidade
representativa dos permissionários, a disputa nas
ruas ocorre onde o transporte não atende à
demanda, como na zona sul, e onde há muitos passageiros,
como na oeste.
Para continuar o Situp, a atual gestão
investiu em obras. “Cerca de R$ 29 milhões
foram aplicados no Corredor José Diniz, em Santo
Amaro, na reforma do Terminal Capelinha e na construção
do Terminal Sapopemba, inaugurado em outubro”, diz
Bussinger.
O maior investimento foi de R$ 450 milhões,
na construção do Expresso Tiradentes, corredor
que terá 32 quilômetros. O projeto, que se
arrasta desde a gestão Celso Pitta (PTB), quando
era chamado de Fura-Fila, ligará o Parque Dom Pedro
II, no centro, à Cidade Tiradentes, na zona leste.
O primeiro trecho, de 8,5 quilômetros,
deve ficar pronto no primeiro semestre de 2007. “Do
ponto de vista social, o projeto foi bem orientado, pois
chega a uma parte isolada da cidade”, afirma o professor
do Departamento de Transportes da Escola Politécnica
da USP Jaime Waisman.
Morador de Barreiro Grande, na zona leste,
o estudante de Matemática da Universidade de São
Paulo (USP) Mártin Henrique trabalha em Jandira,
região metropolitana. Ele costuma levar até
cinco horas no trajeto entre casa, trabalho e faculdade.
“Uso o tempo para dormir, desenhar, escrever poemas
e até estudar.”
Henrique paga uma passagem para pegar até
três ônibus, metrô ou trem, no intervalo
de duas horas, graças à criação
do bilhete único, lançado em maio de 2004,
previsto pelo Situp. Na gestão de José Serra
(PSDB), em 2005, o número de viagens foi limitado
para quatro. Em março de 2006, o bilhete passou a
valer também para a rede metroferroviária.
O cartão aumentou o número
de viagens diárias de ônibus em mais de 2 milhões
e trouxe prejuízo para os cofres da cidade. Em 2007,
R$ 320 milhões do Orçamento Municipal serão
gastos com subsídios para as empresas. O metrô
recebeu R$ 156 milhões somente de gratuidade do governo
estadual.
Com o aumento dos passageiros, a Companhia
do Metropolitano (Metrô) e a Companhia Paulista de
Trens Metropolitanos (CPTM) devem receber R$ 600 milhões
em 2007.
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Quem mora no Capão Redondo, na zona
sul, poderá ir de metrô até a Vila Prudente,
na zona leste, depois que o Plano Integrado de Transportes
Urbanos (Pitu) estiver concluído. Pelo projeto, corredores
intermunicipais e extensão das Linhas 2 e 5 do Metrô
devem ser feitos até 2025. No entanto, seguir adiante
custa caro.
Para cumprir a meta é necessário
aumentar mais de 163% o orçamento anual de R$ 700
milhões da Secretaria de Transportes Metropolitanos
(STM), segundo o secretário Jurandir Fernandes. Em
2006, um corte de quase 70% atrasou em quatro meses as obras
de integração, segundo ele. Quem mais sofre
com a contenção de gastos é o metrô.
Em 30 anos, a média anual do avanço da rede
foi de 1,6 km, mínima para atender os atuais 3,6
milhões de passageiros diários.
A falta de investimentos também
afeta a CPTM. A obra da Estação Grajaú,
na zona sul, iniciada há um ano, deveria ser entregue
em julho de 2006, mas o corte adiou a inauguração
para o início de 2007.
Moradora do bairro, a estudante e funcionária
da USP Wiviane Ribeiro do Carmo, de 29 anos, leva duas horas
em dois ônibus e um trem para chegar até o
campus. “Tem ônibus direto, mas demora quatro
horas.” Com a estação, ela gastaria
apenas uma hora.
Para obter mais recursos, a STM aposta
em Parcerias Público-Privadas (PPPs), como na Linha
4 do Metrô, e na criação do Fundo de
Investimento de Direitos Creditórios (FIDC), que
vai modernizar as Linhas F e C da CPTM. O fundo deve aumentar
a receita da companhia em R$ 240 milhões.
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