Publicação do Zero Hora de 09 de novembro de 2005

Parceria com setor privado gera polêmica

Projeto foi debatido só uma semana antes de ser votado pela Câmara
CAROLINA CARVALHO


Receita já aprovada pelos governos federal e estadual, o programa de Parcerias Público-Privadas (PPPs) chega a Porto Alegre cercado de polêmica. Apesar de estar há quatro meses disponível para a análise de vereadores, o projeto enviado pelo prefeito José Fogaça (PPS) ao Legislativo provocou debate apenas uma semana antes de ser votado em plenário.

Aprovada pela maioria dos parlamentares na quinta-feira passada, a proposta das PPPs deve causar mudanças na cidade a partir de 2006. Investimentos privados, aliados à prefeitura, poderão alavancar e concluir obras e instalações, além de desenvolver serviços e atividades públicas, desde que atendam a interesse público e finalidade social.

Conforme Fogaça, vias de circulação urbana, centros comerciais e de habitação popular, atrações turísticas, industrialização do lixo e redes de informação feitas com fibra ótica serão prováveis objetos dessa nova espécie de concessão. Mas o prefeito ressaltou: a transformação do Cais do Porto, apesar de interessante para o município, é de responsabilidade do Estado.

- Hoje precisamos dispor de dinheiro em caixa ou assumir empréstimos para abrir licitação e contratar. As parcerias invertem essa lógica, já que as empresas entram com o dinheiro. Uma vez disponível à população, a prefeitura começa a pagar a obra - disse o prefeito.

Prevendo privatizações, vereadores oposicionistas, do PT, do PC do B e do PSB, manifestaram-se contrários à abertura do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), da Carris e da Procempa às PPPs.

Prefeito diz que "PPP não é privatização"

A entrada de capital privado nesses órgãos, segundo o líder da bancada petista, Carlos Todeschini, acarretará aumento dos custos repassados aos contribuintes. Sem conseguir aprovar emendas que retiravam o lixo, o transporte coletivo, a informática e as telecomunicações do projeto, o vereador defendeu as parcerias em casos como de habitação popular, do trensurb e do camelódromo.

- Vamos exercer o papel de controle. O governo, a cada ato, terá de enfrentar nossa opinião - afirmou.

O prefeito, em resposta, garantiu:

- PPP não é privatização. Essa idéia é um fantasma ideológico.

Na sessão da Câmara em que o programa das PPPs obteve 27 votos favoráveis, seis contrários e uma abstenção, servidores do DMLU e da Procempa protestaram, temendo a privatização. Uma emenda à lei garantiu a exclusão do ciclo da água, a cargo do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), da parceria com o setor privado.


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