Financiador de projeto de PPP quer judiciário rápido
Preliminarmente - Navega a
pleno vapor a reação oficial à entrevista
que caiu como uma bomba no Palácio do Planalto. O que
o governo fizer, daqui em diante, tende a determinar o desfecho
da crise política em andamento. Tentar imaginar o capítulo
final de mais essa novela - com momentos empolgantes, sem
dúvidas - seria um indevido exercício de futurologia.
Alguns conceitos, porém - resultado da observação
de nossa História -, tendem a revelar o caminho que,
se seguido, não causaria surpresa. Embora nem de longe
aplicável ao cenário da crise atual, talvez
possa ser um norte - não por seu conteúdo propriamente
dito, mas pelo que representa - a frase "façamos
a revolução antes que o povo a faça",
de José Maria Whitaker, hoje nome de rua em São
Paulo, então homem de Getúlio Vargas. No outro
extremo, não se pode chegar ao exagero de afirmar que
entre nós "tudo acaba em pizza"- o caçador
de marajás das Alagoas que o diga. O escândalo
brota porque se vive plena democracia, inclusive quanto à
liberdade de imprensa - instituição que, uma
vez mais, deixa de lado seu papel de mera observadora-narradora
para tornar-se personagem dos fatos, às vezes puramente
em nome da liberdade de expressão, porém nem
sempre. Que não se perca na memória o que já
revelaram, em diferentes circunstâncias, Samuel Wainer
e Mário Sérgio Conti, para ficarmos em dois
exemplos. Pelo bem ou pelo mal, é melhor que seja assim.
No mínimo, sob a perspectiva do poliânico "jogo
do contente". A esta altura do texto, já estará
a se indagar o leitor: é esta coluna sobre política
ou PPP? Resposta: em uma semana como esta, uma e outra, eis
que a primeira influencia a segunda.
Influência direta
O governo federal promete,
para muito breve, a esperada regulamentação
do fundo garantidor. Era para abril, depois maio. Vivemos
a primeira quinzena de junho.
Financiador quer estabilidade
Crise política como
a atual causa susto. Crises assim não são exclusividade
do Brasil. Quer dizer: em maior ou menor grau, o mundo inteiro
está acostumado a escândalos, razão pela
qual as reações negativas são efêmeras,
não obstante a obviedade de que uma série consecutiva
de crises pode prolongar a aparente transitoriedade de seus
efeitos.
O Judiciário
Voltem-se os olhos para um
aspecto institucional que deve ser modificado não apenas
para que dê certo a próxima PPP, mas para que
frutifique todo o programa de PPP - seja o federal, sejam
os estaduais - e, mais que isso, para que o capital estrangeiro
não especulativo venha para o País com a força
necessária. Refere-se, aqui, ao Poder Judiciário.
Um observador atento já escreveu que reformar o Judiciário
é tarefa para estadista.
O papel do STF
Merecem elogios, sem dúvidas,
as ações do presidente do Supremo Tribunal Federal,
ministro Nélson Jobim, que não só concentra
atenção no tema como também tenta, à
medida do possível, divulgar, além das fronteiras
tupiniquins, as providências em andamento. Há
duas semanas ele esteve nos Estados Unidos. Em Nova York,
o advogado que abaixo subscreve pôde constatar, na comunidade
de negócios, a reação positiva às
novidades que para lá levou o presidente do STF quanto
à reforma do Judiciário. Se por um lado há
um sentimento palpável de que é longo o caminho
a percorrer, por outro sente-se que, finalmente, o Brasil
começa a enfrentar questões antes tidas como
sacras, e portanto intocáveis. O investidor estrangeiro
- o financiador que vai emprestar dinheiro para as PPP ou,
alternativamente, oferecer garantias - quer um Poder Judiciário
confiável e rápido. Parêntese: soa até
estranho escrever a frase anterior se se observar que nem
de longe o investidor externo será o maior beneficiário
de um Poder Judiciário ágil, informatizado e
pouco suscetível a influências políticas.
Direta e indiretamente, os principais beneficiários
serão, sem sombra de dúvidas, os próprios
brasileiros.
A arbitragem
No contexto, a inclusão
da possibilidade de arbitragem na Lei de PPP é freqüentemente
citada não só como um ponto positivo a mais,
mas também decisivo para que empréstimos possam
ser concedidos a taxas menores, eis que o instrumento permite
a proteção contra certos riscos que, infelizmente,
o Poder Judiciário não oferece neste momento.
A saber, o risco de não se ter uma solução
imediata - ou quase, pelo menos - em um hipotético
litígio por milhões de dólares.