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Publicação do Valor Econômico
de 8 de dezembro de 2006
Serra recebe pacote de projetos de transportes
para tocar em sua gestão
Samantha Maia e Cristiane Agostine
A área de transportes do Estado
de São Paulo deixa um conjunto de projetos prontos
para serem implementados no início da gestão
de José Serra (PSDB). Entre eles, a concessão
do trecho Sul do Rodoanel vai à audiência pública
no próximo dia 14 e as Parcerias Público-Privadas
(PPPs) dos expressos Aeroporto e Bandeirantes estão
prontas para serem publicadas. Como uma forma de aumentar
os investimentos no setor, o governo quer ver aprovada na
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a criação
do Fundo de Investimento de Direito Creditório (FIDC)
para projetos como a ampliação das linhas
de trem C e F e da Linha 5 do Metrô.
Segundo o atual secretário estadual de Transportes,
Dario Lopes, o governo já tem um modelo de concessão
definido para tornar viável a construção
do Trecho Sul do Rodoanel. No entanto, não quis detalhar
o projeto. "Tudo será explicado no dia da audiência
pública." Quando a decisão de cobrar
pedágio no Rodoanel foi anunciada, houve reação
dos transportadores de carga, preocupados com a possibilidade
de o projeto se tornar inviável caso os veículos
tenham de pagar uma taxa muito elevada. Existe o receio
de que os caminhões evitem a obra e continuem circulando
pela cidade.
Mauro Arce, indicado para a pasta de Transportes do governo
Serra e atual secretário estadual de Recursos Hídricos
e Energia, não acredita que os motoristas preferirão
os congestionamentos a pagar a tarifa. Arce sinalizou, no
dia de sua indicação, que as parcerias com
o setor privado estão entre as prioridades do governador
eleito. "Vamos trabalhar nessa direção."
Entre as prioridades do novo governo também está
a PPP do Expresso Bandeirante, uma ligação
ferroviária de 93 quilômetros entre Campinas
e São Paulo. Segundo o secretário estadual
de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, o projeto
só não foi lançado agora por estar
muito próximo do fim de sua gestão. "Mas
o Serra está a par e deve seguir o projeto",
diz Fernandes. Outra obra ferroviária que também
está próxima de ser viabilizada, segundo o
secretário, é a PPP do Expresso Aeroporto,
que interligará o aeroporto de Guarulhos ao centro
de São Paulo.
Durante o anúncio dos integrantes de seu governo,
na quarta-feira, Serra disse que já está buscando
recursos para a área de transportes. "Nós
queremos fazer um amplo programa de remodelação
das estradas vicinais. Pedi tanto para o BID quanto para
o Banco Mundial, em um esquema de co-financiamento."
Uma comitiva do Banco Mundial está em São
Paulo para tratar do reajuste do financiamento da Linha
4 do Metrô. Além disso, o governador eleito
está atrás de recursos para a linha 5, na
Zona Sul da cidade. "Nós queremos impulsioná-la
na minha gestão", disse, na solenidade.
Uma nova forma de atrair a iniciativa privada para as obras
públicas é o lançamento de um Fundo
de Investimento de Direito Creditório (FIDC). Há
três anos o governo paulista elabora esse projeto,
que deverá ser analisado pela Comissão de
Valores Mobiliários (CVM) em 19 de dezembro.
Se usado para a ampliação da Linha 5 do Metrô,
por exemplo, o governo emitiria um recebível de oito
anos que teria como garantia de retorno a arrecadação
tarifária. "É um negócio sem risco
de inadimplência e já há grandes entidades
financeiras interessadas, entre elas o BNDES", diz
Fernandes. Como a área técnica da CVM já
deu sinal positivo ao projeto, a expectativa do secretário
é de aprovação.
Empresários do setor ferroviário estão
otimistas com as perspectivas de aumento do investimento
no transporte de passageiros. Após fecharem 2006
com estimativa de queda de 45% nas vendas de trens de passageiros,
o diretor do Sindicato Interestadual da Indústria
de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários
(Simefre), Luis Fernando Ferrari, acredita que há
possibilidade de recuperação diante da demanda
paulista. "Agora voltamos a receber pedidos internos,
da CPTM", diz. A Companhia Paulista de Transporte Metropolitano
(CPTM) iniciou um programa de reforma de 122 trens, que
deve durar quatro anos, com um custo de R$ 380 milhões.
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