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Publicação do DCI de 8 de
dezembro de 2006
Infra-estrutura receberá R$ 25 bi
em 2007
Márcio Rodrigues
O governo trabalha para destravar alguns
dos principais projetos em infra-estrutura do País.
Prova disso é que, na próxima semana, devem
sair as licenças ambientais para a instalação
de duas usinas hidroelétricas. Além disso,
o Tribunal de Contas da União aprovou há cerca
de 15 dias a 2ª fase das concessões de rodovias
federais. Juntos, esses projetos devem demandar investimentos
de R$ 25 bilhões.
Um estudo do Santander Banespa mostra que a viabilização
de 15 projetos pendentes na área de infra-estrutura
poderia alavancar os investimentos frente ao Produto Interno
Bruto (PIB), dos atuais 20%, para mais de 22% nos próximos
anos, de acordo com o economista-chefe do banco, André
Loes. O estudo aponta os principais empreendimentos pendentes
hoje no País, somando cerca de US$ 50 bilhões.
Segundo o secretário executivo do Ministério
do Meio Ambiente (MMA), Cláudio Langone, as licenças
ambientais para a instalação da Usina de Estreito,
no rio Tocantins e sob o comando da Suez Energy, e da Usina
de Foz do Chapecó, na divisa entre Santa Catarina
e Rio Grande do Sul, será concedida no máximo
até o início da próxima semana. Com
isso, os dois projetos somados demandarão recursos
de quase R$ 5 bilhões, com injeção
na economia já em 2007. “No caso de Foz do
Chapecó, já havíamos dado a licença,
mas devido a problemas societários, ela expirou.
No entanto a questão foi acertada com a saída
da Companhia Vale do Rio Doce e a entrada de Furnas no empreendimento.
Houve nova requisição que será emitida
no máximo até a próxima semana”.
Em relação à 2ª fase das concessões
de rodovias federais, como a Régis Bittencourt e
a Fernão Dias, segundo assessoria de imprensa da
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT),
o TCU solicitou algumas mudanças que já estão
em curso. “O edital deve ser lançado no máximo
até o Natal e o leilão para os trechos, que
ocorrerá na Bovespa, é esperado para março”,
informou a assessoria. Essas concessões, juntas,
devem alavancar recursos de R$ 20 bilhões. Além
disso, Langone revelou que a licença ambiental para
o Complexo do Rio Madeira — construção
de duas usinas hidroelétricas ao redor de Porto Velho
— sairá ainda no primeiro trimestre do próximo
ano. “Já estamos em fase final de análise”,
conta Langone. O estudo do Santander estima investimentos
de US$ 9 bilhões nesse empreendimento.
Outra usina que pode ter sua licença concedida já
no próximo ano é a de Tijuco Alto, no rio
Ribeira, com investimentos de US$ 100 milhões. “Esse
é um processo que se arrasta há doze anos.
Agora, uma empresa do Grupo Votorantim assumiu a concessão
e já realizou estudo de impacto ambiental. A licença
já está em andamento”, afirma Langone.
Como se não bastasse, o secretário garantiu
que assim que o setor privado requisitar a licença
ambiental para a parceria público-privada que prevê
a ampliação da BR-116 e BR-324, será
atendido rapidamente. Além disso, ele afirmou que
as licenças para quatro novas plataformas de petróleo
serão dadas em 2007. “Se essas ações
andarem, poderíamos ter US$ 10 bilhões de
investimento, equivalente a 1% do PIB por ano (US$ 50 bilhões
em cinco anos ano). Isso poderia elevar a taxa de investimento
da economia, hoje em 20% do PIB, para algo entre 22%, permitindo
um crescimento anual entre 4% e 4,5% do PIB”, afirma
o economista do Santander. Ainda segundo ele, “sem
os mecanismos de parcerias, o investimento vai crescer marginalmente.
O investimento em infra-estrutura puxaria o investimento
de outros setores, em um movimento que impulsionaria o crescimento
econômico”, complementa.
No entanto, um dos investimentos que poderia injetar até
US$ 10 bilhões na economia não sairá.
Isso porque, a licença ambiental para a Usina de
Ipueiras foi indeferida. “Essa usina teria o quinto
pior rendimento do País entre área alagada
e geração de energia”, diz Langone.
Dois outros empreendimentos enfrentam problemas jurídicos.
A Usina de Belo Monte, no rio Xingu, e a Transposição
do Rio São Francisco. “Ambos os casos estão
sendo discutidos no Supremo Tribunal Federal (STF). No caso
do rio São Francisco já havíamos concedido
a licença, que foi cassada”, afirma Langone.
Transportes
Na área de transportes, de acordo com o Ministério
dos Transportes, a BR-163, que irá de Cuiabá
a Santarém, será iniciada em 2007 com recursos
públicos da ordem de R$ 100 milhões. Já
a Ferrovia Norte-Sul, que demanda investimentos de US$ 700
milhões, ainda está em análise, mas
deverá ser feita com recursos orçamentários
ou por meio de subconcessão. O Ferroanel de São
Paulo ainda está em análise, mas deverá
ser viabilizado por meio de PPP nos próximos anos.
No que diz respeito a Ferrovia Transnordestina, que custará
US$ 2 bilhões, a Companhia Ferroviário do
Nordeste (CFN), informou que as obras já foram iniciadas
e que os problemas de definição nos financiamentos
públicos e privados foram quase equacionados.
Caminho
Para o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial (Iedi), Edgar Pereira, agilizar esses investimentos
“é o caminho para o crescimento”. “Em
primeiro lugar, isso ativa a economia, gerando renda e demanda.
Por outro lado, elimina gargalos e incentiva investimentos
de outros setores”, diz. Ele acredita inclusive, que
ao final de quatro anos, o País poderá ter
cerca de 24% de investimentos frente ao PIB.
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