Quatro projetos de irrigação também serão prioritários
Ygor
Salles
Quatro projetos de irrigação, todos localizados
no vale do Rio São Francisco, são os novos concorrentes
para inaugurar o sistema de parcerias público-privadas
(PPPs), segundo anunciou o governo federal.
Os projetos já estão incluídos no Plano
Plurianual (PPA) desde 2003 e passaram ao posto de prioritários
na semana passada, segundo o ministro do Planejamento, Orçamento
e Gestão, Paulo Bernardo. Todos já estão
parcialmente implantados, sob coordenação da
Companhia de Desenvolvimento dos Vales dos rios São
Francisco e Parnaíba (Codevasf), ligada ao Ministério
da Integração Nacional.
Trata-se dos projetos Jaíba (no norte de Minas Gerais),
Baixio do Irecê e Salitre (ambos na Bahia) e Pontal
(em Pernambuco). O governo federal já investiu cerca
de R$ 1,5 bilhão nestes projetos, e pretende colocar
mais R$ 100 milhões do seu caixa. Os R$ 1 bilhão
restantes necessários para concluir esses projetos
deverão sair da iniciativa privada, através
das PPPs.
Segundo estudos da Codevasf, esses projetos poderão
gerar quase 500 mil empregos diretos e indiretos, além
de gerar uma renda bruta anual de US$ 990 milhões (R$
2,37 bilhões).
No início deste ano, os projetos de irrigação
foram considerados de segunda classe pelo Ministério
do Planejamento, Orçamento e Gestão, em um critério
que leva em conta a estratégia de desenvolvimento do
governo federal, a capacidade de geração de
receitas, o nível de interesse do setor privado e o
nível atual de desenvolvimento do projeto.
Todos os que estão na primeira classe (Ferrovia Norte-Sul,
Ferroanel de São Paulo, Variante Ipiranga-Guarapuava
e Arco Rodoviário do Rio de Janeiro) já foram
incluídas no primeiro pacote de projetos, que deverão
ter seus editais concluídos e publicados até
o final deste ano.
Para Ariovaldo Barbosa Pires Júnior, especialista em
PPPs da Albino Advogados Associados , o investimento em irrigação
tem “um pouco menos de prioridade” dos possíveis
investidores por ser uma concessão administrativa,
ou seja, em que o “cliente” é o próprio
governo.
“O investidor tem um certo receio em investir quando
a única fonte pagadora é o governo”, disse
ele, “pelo fato de ser PPP já dá um pouco
mais de segurança, mas o interesse estará diretamente
ligado ao quanto o governo pretende pagar de tarifa em cada
projeto deste tipo”.
Além da boa classificação de que usufruem
dentro do Ministério do Planejamento, os projetos de
irrigação estão diretamente ligados ao
plano do governo federal de iniciar as PPPs com os corredores
estratégicos de exportação, que reduziria
o gargalo de infra-estrutura do agronegócio.
Os quatro projetos estão inseridos no corredor São
Francisco, um dos cinco planejados pelo governo. A lista também
inclui obras como a duplicação das rodovias
BR-116 e BR-324 na Bahia, por parte do governo federal, e
da construção da ferrovia Leste-Oeste pelo governo
estadual da Bahia. Essas obras fazem parte do Sistema Multimodal
do São Francisco, que foi planejado para reduzir o
custo do que é produzido na região através
da interligação de diversos meios de transporte
(navegação fluvial, ferrovias e rodovias) com
o objetivo de ser exportado através do Porto de Aratu.
Segundo Pires, se o Sistema Multimodal do São Francisco
e o projeto de transposição do rio — este
último com investimento exclusivamente público
— fossem realizados em conjunto, os projetos de irrigação
ganhariam mais importância.
“Não adianta investir em uma área que
vai produzir se a produção não conseguir
ser escoada. Além disso, a captação da
água é o que custa mais caro, e a transposição
do São Francisco ajudaria muito neste sentido”,
disse.
Estradas sob xeque
Se a irrigação ganhou fôlego dentro das
PPPs, outras perderam terreno. É o caso do transporte
rodoviário. O setor é considerado tão
rentável que o governo federal já começa
a retirá-la da lista de prioridades para que sejam
feitas por concessão comum.
Um exemplo é a BR-116, que em diversos trechos, como
a Rodovia Régis Bittencourt e a Rodovia Fernão
Dias, deve ser “loteada” para o processo de licitação
nas próximas semanas.
“O que conta na hora de decidir se o projeto vira concessão
patrocinada (PPP com receita externa) ou concessão
comum é a capacidade de produção de receita.
Sabemos que algumas destas estradas que estão no PPA
conseguem se pagar sozinhas”, disse Pires.
“O governo federal não vai ter interesse em realizar
projetos que por si só podem gerar receita ao investidor.
Nestes casos, é bem melhor fazer concessão comum,
em que o poder público ainda consegue receber dinheiro”,
disse ele. Uma das poucas exceções a esta regra
seriam estradas onde o movimento é alto, mas majoritariamente
de caminhões. Nesse caso, a PPP seria viável
para que as tarifas fossem menores, reduzindo o custo do transporte
ao exportador. Um exemplo disso é o Corredor de Exportação
Campinas-São Sebastião, que está em fase
de projeto por parte do governo do Estado de São Paulo.
São os projetos Jaíba (Minas Gerais), Baixio
do Irecê e Salitre (Bahia) e Pontal (Pernambuco).