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Publicação da ANBA de 06 de junho 2005

Arabés interessados em investir em PPPs

O governo brasileiro vai organizar, em conjunto com o Banco do Brasil (BB) e Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um road show pelas principais instituições financeiras dos países árabes com objetivo de trazer investimentos da região para o Brasil.

A informação foi dada pelo diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, o embaixador Mário Vilalva, ontem, durante a abertura do encontro empresarial organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), no Hotel Renaissance, em São Paulo.

De acordo com Vilalva, o Itamaraty fez um estudo no qual identificou mais de 30 bancos nos quais há um grande volume de capital árabe. O Banco do Brasil e o BNDES já aceitaram participar do road show. O embaixador acredita que as visitas poderão começar ainda antes do final deste ano. O objetivo é conversar com os árabes sobre projetos brasileiros, como as Parcerias Público Privadas (PPPs), e ver as oportunidades que interessam aos árabes. `Vamos ir para lá para conversar`, explica.

Crescimento das relações entre árabes e brasileiros agora está nas mãos do setor privado - Na abertura do encontro de negócios entre árabes e brasileiros, organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), em São Paulo, as autoridades árabes e brasileiras convocaram o setor privado a levar adiante o processo de aproximação iniciado no encontro de chefes de estado, que terminou ontem em Brasília. Entre hoje e amanhã empresários das duas regiões participarão de rodadas de negócios no Hotel Renaissance.

“Esse encontro é o coroamento dos esforços diplomáticos feitos entre a Liga Árabe e o Mercosul. Agora cabe a vocês potencializar as oportunidades e divulgar nas suas cidades e países que temos um conjunto de desafios pela frente, cujo sucesso depende de cada um”, disse disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, aos empresários.

Furlan acredita que o comércio entre os 22 países da Liga Árabe e o Brasil poderá chegar a US$ 15 bilhões nos próximos três anos e disse que para isso será necessásio apenas “um pouco” de esforço do setor privado. No ano passado, o comércio ficou em cerca de US$ 8 bilhões. Ele lembrou que neste ano serão realizados 15 eventos nos países árabes para promoção das exportações brasileiras e que durante a cúpula foi cogitada a realização de uma missão para o Marrocos.“O presidente Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) disse que se houver uma missão empresarial consistente ele aceita emprestar um avião da sua frota”, falou. `Mas não o novo`, brincou.

De acordo com Furlan, acordos como os assinados entre o Mercosul e o Marrocos e o Mercosul e o Egito vão ajudar a aumentar o comércio. O ministro disse que já recebeu 900 pleitos de empresários de produtos que gostariam de ver incluídos no tratado de preferências tarifárias com o Marrocos e que isso demonstra o interesse do setor privado brasileiro. O Mercosul já assinou acordos-quadros, que deram início às negociações por tratados comerciais, com os dois países.

Também será feita, de acordo com Furlan, um encontro empresarial com iraquianos na Jordânia, com o apoio da CCAB. O centro de distribuição de móveis brasileiros de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, deverá ser ampliado para outros setores. O presidente da CCAB, Antonio Sarkis Jr., afirmou que a entidade não vai medir esforços para promover o aumento das relações econômicas e comerciais entre as duas regiões. Ele afirmou que espera que o encontro de São Paulo se traduza em mais comércio, mais investimentos e mais negócios.

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, também convocou os empresários a trabalharem pelo aumento do comércio entre as duas regiões. “As oportunidades estão disponíveis e o caminho está aberto. Dificuldade de comunicação e distância geográfica são coisas do passado”, afirmou na abertura do encontro. “Agora a bola está com o setor privado”, reforçou. Mussa disse que, se houver necessidade de novas leis, para facilitar o fluxo de comércio e investimentos, os empresários devem pedir aos seus governos.

Mussa lembrou que a cúpula identificou alguns setores nos quais os países árabes e sul-americanos devem investir em ações conjuntas: comércio, turismo, transportes, energia e ciência e tecnologia. Ele também ressaltou o comprometimento dos países envolvidos na cúpula para tornar o comércio internacional mais justo e dar mais espaço para os países em desenvolvimento.

Além de Mussa, Sarkis e Furlan, participaram da solenidade de abertura do encontro empresarial o ministro do Comércio, Indústria e da Capacitação da Economia do Marrocos, Salaheddine Mezouar, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o presidente da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes, Abdel Hakim Kemmou, o diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, Mario Vilalva, e o secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), Abdul Ahman Bin Hamad Al-Attiyah.

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