Arabés interessados em investir em PPPs
O
governo brasileiro vai organizar, em conjunto com o Banco
do Brasil (BB) e Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), um road show pelas principais instituições
financeiras dos países árabes com objetivo de
trazer investimentos da região para o Brasil.
A
informação foi dada pelo diretor do Departamento
de Promoção Comercial do Itamaraty, o embaixador
Mário Vilalva, ontem, durante a abertura do encontro
empresarial organizado pela Câmara de Comércio
Árabe Brasileira (CCAB), no Hotel Renaissance, em São
Paulo.
De
acordo com Vilalva, o Itamaraty fez um estudo no qual identificou
mais de 30 bancos nos quais há um grande volume de
capital árabe. O Banco do Brasil e o BNDES já
aceitaram participar do road show. O embaixador acredita que
as visitas poderão começar ainda antes do final
deste ano. O objetivo é conversar com os árabes
sobre projetos brasileiros, como as Parcerias Público
Privadas (PPPs), e ver as oportunidades que interessam aos
árabes. `Vamos ir para lá para conversar`, explica.
Crescimento
das relações entre árabes e brasileiros
agora está nas mãos do setor privado - Na abertura
do encontro de negócios entre árabes e brasileiros,
organizado pela Câmara de Comércio Árabe
Brasileira (CCAB), em São Paulo, as autoridades árabes
e brasileiras convocaram o setor privado a levar adiante o
processo de aproximação iniciado no encontro
de chefes de estado, que terminou ontem em Brasília.
Entre hoje e amanhã empresários das duas regiões
participarão de rodadas de negócios no Hotel
Renaissance.
“Esse
encontro é o coroamento dos esforços diplomáticos
feitos entre a Liga Árabe e o Mercosul. Agora cabe
a vocês potencializar as oportunidades e divulgar nas
suas cidades e países que temos um conjunto de desafios
pela frente, cujo sucesso depende de cada um”, disse
disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Luiz Fernando Furlan, aos empresários.
Furlan
acredita que o comércio entre os 22 países da
Liga Árabe e o Brasil poderá chegar a US$ 15
bilhões nos próximos três anos e disse
que para isso será necessásio apenas “um
pouco” de esforço do setor privado. No ano passado,
o comércio ficou em cerca de US$ 8 bilhões.
Ele lembrou que neste ano serão realizados 15 eventos
nos países árabes para promoção
das exportações brasileiras e que durante a
cúpula foi cogitada a realização de uma
missão para o Marrocos.“O presidente Lula (Luiz
Inácio Lula da Silva) disse que se houver uma missão
empresarial consistente ele aceita emprestar um avião
da sua frota”, falou. `Mas não o novo`, brincou.
De
acordo com Furlan, acordos como os assinados entre o Mercosul
e o Marrocos e o Mercosul e o Egito vão ajudar a aumentar
o comércio. O ministro disse que já recebeu
900 pleitos de empresários de produtos que gostariam
de ver incluídos no tratado de preferências tarifárias
com o Marrocos e que isso demonstra o interesse do setor privado
brasileiro. O Mercosul já assinou acordos-quadros,
que deram início às negociações
por tratados comerciais, com os dois países.
Também
será feita, de acordo com Furlan, um encontro empresarial
com iraquianos na Jordânia, com o apoio da CCAB. O centro
de distribuição de móveis brasileiros
de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, deverá
ser ampliado para outros setores. O presidente da CCAB, Antonio
Sarkis Jr., afirmou que a entidade não vai medir esforços
para promover o aumento das relações econômicas
e comerciais entre as duas regiões. Ele afirmou que
espera que o encontro de São Paulo se traduza em mais
comércio, mais investimentos e mais negócios.
O
secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, também
convocou os empresários a trabalharem pelo aumento
do comércio entre as duas regiões. “As
oportunidades estão disponíveis e o caminho
está aberto. Dificuldade de comunicação
e distância geográfica são coisas do passado”,
afirmou na abertura do encontro. “Agora a bola está
com o setor privado”, reforçou. Mussa disse que,
se houver necessidade de novas leis, para facilitar o fluxo
de comércio e investimentos, os empresários
devem pedir aos seus governos.
Mussa
lembrou que a cúpula identificou alguns setores nos
quais os países árabes e sul-americanos devem
investir em ações conjuntas: comércio,
turismo, transportes, energia e ciência e tecnologia.
Ele também ressaltou o comprometimento dos países
envolvidos na cúpula para tornar o comércio
internacional mais justo e dar mais espaço para os
países em desenvolvimento.
Além
de Mussa, Sarkis e Furlan, participaram da solenidade de abertura
do encontro empresarial o ministro do Comércio, Indústria
e da Capacitação da Economia do Marrocos, Salaheddine
Mezouar, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin,
o presidente da União Geral das Câmaras de Comércio,
Indústria e Agricultura dos Países Árabes,
Abdel Hakim Kemmou, o diretor do Departamento de Promoção
Comercial do Itamaraty, Mario Vilalva, e o secretário-geral
do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), Abdul
Ahman Bin Hamad Al-Attiyah.