|
Publicação da Agência
Estado de 5 de dezembro de 2006
Grupo reage contra a parceria público-privada
do Metrô
Cerca de 20 representantes de partidos políticos e
do Sindicato de Metroviários de São Paulo
protestaram novamente, na manhã de ontem, contra
a parceria público-privada (PPP) da Linha 4 do Metrô
(Luz-Vila Sônia).
O grupo, que portava faixas contra a privatização
da linha, esteve na estação por volta das
11h, depois da vistoria do governador paulista, Cláudio
Lembo (PFL), às obras no ramal.
Segundo o sindicato, os manifestantes, liderados pelo presidente
da categoria Flávio Godoi, conversaram com o governador,
que aceitou marcar uma audiência para a semana que
vem para a entrega de um abaixo-assinado com mais de 50
mil assinaturas contra a privatização.
Na próxima semana, o sindicato pretende entrar novamente
na Justiça contra a PPP da Linha 4. A categoria teme
pelo corte de benefícios e desemprego dos metroviários
no futuro ramal, além de a parceria poder aumentar
o valor da passagem do Metrô uma vez por ano na linha
explorada, conforme prevê o contrato.
A preocupação do sindicato está presente
também na questão da segurança da população.
A Linha 4 foi concebida com um quadro enxuto de funcionários,
segundo o sindicato, tanto que não haverá
operador na frente das composições, o que
poderá trazer riscos aos usuários em caso
de emergências, e cada estação terá
apenas um funcionário, pois todos elas serão
totalmente automatizadas.
Nova fase
As obras da Linha 4 entram ontem em nova fase. Às
11h, pela primeira vez desde o início dos trabalhos
de construção, iniciados em 2004, duas frentes
de escavação se encontraram e se transformaram
em um único túnel, que passará por
baixo do rio dos Pinheiros. Há 27 frentes de trabalho
em andamento atualmente.
O encontro ocorrerá na rua Capri, em Pinheiros, zona
oeste, local da futura Estação Pinheiros.
Com a ligação dos túneis, vai ser concluída
a escavação entre o ponto em que ficará
a futura Estação Butantã (na avenida
Vital Brasil) e a rua Ferreira de Araújo, em Pinheiros,
onde fica um poço de obras.
“Isso vai possibilitar o trânsito de máquinas
e funcionários de uma margem a outra do rio, sem
interferências externas”, afirma o presidente
do Metrô, Luiz Carlos David. Ainda faltará
o acabamento dos túneis.
O megatatuzão adquirido na Alemanha pelo Metrô,
especialmente para a escavação de 6,4 quilômetros
dos 12,8 quilômetros que terá a linha, começa
a operar apenas em janeiro, e ficará responsável
por seguir do largo da Batata (Pinheiros) até a Luz.
Até agora, o método utilizado na abertura
dos túneis é o Natm (New Australian Tunneling
Method), que prevê, além de trabalhos manuais,
o uso de explosivos na abertura dos túneis.
Balanço
No total, o Consórcio Via Amarela, responsável
pelas obras da Linha 4, já escavou 3,5 quilômetros
de túneis, contando os poços onde ficarão
as estações e as vias.
A operação comercial da primeira fase da Linha
4, que terá 14 trens e seis estações,
está prevista para dezembro de 2008. A demanda prevista
é de aproximadamente 704 mil passageiros por dia.
Já estarão, nessa etapa, abertos todos os
12,8 quilômetros da extensão total da linha.
As outras cinco estações devem estar completamente
concluídas em 2012.
Voltar
|