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Publicação do Valor Econômico
de 4 de dezembro de 2006
CCR enxerga possibilidade de expansão
no setor metroviário
Márcio Rodrigues
Depois de assinar o contrato da primeira
parceria público-privada (PPP) do Brasil referente
a operação da Linha 4 do Metrô de São
Paulo, a Companhia de Concessões Rodoviárias
(CCR) — maior concessionária do País
e líder do consórcio MetroQuatro, vencedor
da licitação — não descarta a
expansão dos negócios da empresa nesse segmento.
De acordo com o vice-presidente da CCR, Márcio Batista,
mesmo sem querer dar “dicas aos concorrentes”,
como ele mesmo brincou, avisa que a empresa acompanha de
perto movimentos de concessão ou PPPs de linhas de
metrô. “Já existem movimentos semelhantes
ao de São Paulo em outros estados do Brasil como,
por exemplo, em Brasília, Belo Horizonte (MG) e Rio
de Janeiro. Se essas parcerias forem feitas com a mesma
organização e estrutura da parceria paulista,
é claro que nos interessaremos”, ressalta o
executivo.
Além disso, Batista chama a atenção
para novas oportunidades também em São Paulo.
“Caso outras linhas do Metrô que venham a ser
feitas também tenham o mesmo processo da Linha 4,
poderemos sim participar de futuras concorrências”.
O executivo baseia sua expectativa na quantidade de linhas
existentes hoje na cidade de São Paulo e na real
necessidade da capital paulista. “Atualmente a cidade
de São Paulo conta com 70 quilômetros de metrô.
Para atender toda a demanda, deveriam estar instalados,
cerca de 250 quilômetros”, contabiliza.
Primeira parceira
Sobre a primeira parceria do País, Batista diz que
a expansão dos negócios já estava nos
planos da CCR. “Essa será nossa primeira experiência
no setor metroviário. Já fazia parte da nossa
estratégia para até 2010 agregar valor ao
nosso negócio. Acreditamos que essa seja uma boa
oportunidade para fazer isso”, explica.
Ainda segundo ele, as novas linhas tendem a ser feitas por
meio de concessões ou parcerias com o setor privado.
“Isso ocorrerá por conta da baixa capacidade
de investimento e endividamento do estado, além da
necessidade de expansão desse serviço”,
diz.
Quanto aos riscos do novo empreendimento, o vice-presidente
da CCR admite a existência, mas chama a atenção
para os mecanismos de segurança inclusos no contrato
assinado com o governo paulista. “No caso dos reajustes,
o governo é o responsável por autorizá-los.
Caso eles se tornem necessários, mas o poder público
não autorize por se tratar, de certa forma, de uma
tarifa social, o governo irá nos ressarcir pela não
atualização”.
Outra segurança prevista no contrato e condição
indispensável para que a CCR comece a comprar os
trens que circularão pela nova linha — cuja
aquisição é de responsabilidade da
vencedora da licitação — é a
criação da Câmara de Compensação.
“Essa câmara é uma espécie de
empresa responsável por arrecadar e distribuir para
cada uma das partes envolvidas o montante que for resultado
de integração entre ônibus, metrô
e trem”, explica. Esse mecanismo foi comparado pelo
próprio Batista ao sistema de cobrança do
pedágio “Sem Parar”, instalado nas rodovias.
Batista lembra que essa câmara deverá ser criada
em até seis meses após a assinatura do contrato.
“Claro que nesse período já estaremos
negociando a aquisição dos trens. Assim que
for criada, receberemos a ordem de serviço e fechamos
a compra”.
Diante de tudo isso, a expectativa da CCR é apenas
uma: “Esperamos ter o retorno planejado”, avisa
Batista sem mencionar valores, uma vez que segundo ele,
trata-se de uma informação estratégica
da empresa.
Estradas ainda no foco
Apesar da entrada da empresa nesse novo segmento, o executivo
da CCR deixa claro que o foco principal continua sendo as
concessões de estradas. “Claro que nos interessamos
também por transportes urbanos, como o ferroviário”,
diz o executivo, dando a dica de outro setor de interesse.
A empresa administra atualmente 1.452 quilômetros
de rodovias, representando cerca de 15% da malha rodoviária
nacional sob gestão de empresas privadas. Hoje, além
de controlar seis concessionárias — Ponte Rio-Niterói
(RJ), NovaDutra (SP/RJ), ViaLagos (RJ), RodoNorte (PR),
AutoBAn (SP) e ViaOeste (SP), a CCR administra também
duas empresas prestadoras de serviços — Actua
e Engelog — e detém participação
acionária na empresa que opera os serviços
de meios eletrônicos de pagamento, a STP.
Atualmente, a estrutura acionária da CCR é
composta da seguinte forma: 17,39% da Andrade Gutierrez
Concessões, 17,88% da Camargo Corrêa, mesmo
percentual da Serveng e da Brisa. O restante, 28,98%, está
pulverizado entre pequenos investidores.
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