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Publicação da Folha de São
Paulo de 3 de dezembro de 2006
Especialistas sugerem resgatar "agenda
perdida" para impulsionar expansão
O presidente Lula, se quiser buscar o crescimento sustentado
do país, tem também de resgatar sua "agenda
esquecida", para deixar mais seguras as regras de investimento
no país e reduzir custos das empresas.
Essa é a sugestão de economistas de dentro
e fora do governo ao analisar as medidas em elaboração
pela equipe econômica, encomendadas por Lula para
tentar fazer o país crescer 5% em 2007.
Desde que se reelegeu, o presidente tem cobrado de sua equipe
um plano "ousado" para destravar a economia do
país, até aqui centrado em corte de impostos,
crescimento do investimento público em infra-estrutura
e trava para evitar que as despesas subam mais do que a
variação do PIB.
Sua cobrança, segundo assessores, aumentou depois
de avisado de que o crescimento deste ano não passará
de 3%.
A "agenda esquecida" foi em boa parte elaborada
por Marcos Lisboa, ex-secretário de Política
Econômica.
A maior parte das medidas já tramita no Congresso,
mas o governo não demonstra empenho na sua aprovação.
São elas:
1) Projeto que torna mais claras as regras das agências
reguladoras, trazendo mais segurança para investidores;
2) Novo sistema de defesa da concorrência, tido como
fundamental para estimular investimentos em fusões;
3) Quebra do monopólio estatal na área de
resseguros;
4) Projeto do marco regulatório do saneamento;
5) Projeto que trata da reformulação das normas
contábeis.
Além dessas medidas, é visto como essencial
melhorar as regras para investimento em energia e pôr
em prática as PPP (Parcerias Público-Privadas).
O problema dessa "agenda esquecida", formulada
a partir da famosa "agenda perdida" dos economistas
José Alexandre Scheinkman e Marcos Lisboa, é
que ela reduz a intervenção do Estado, o que
nem toda a equipe de Lula concorda.
Os defensores dessa agenda, porém, destacam que ela
seria capaz de atrair investimento do setor privado. (VC).
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