As parcerias público-privadas não
estão isentas de riscos. As recém-criadas parcerias
público-privadas (PPPs) podem transformar-se em poderoso
instrumento de criação de empregos. Trata-se de
engenhoso mecanismo que permite ao governo, sem descuidar dos
indicadores macroeconômicos - inflação sob
controle, juros descendentes, superávit primário
nas contas públicas e respeito aos limites estabelecidos
pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) -, ir, aos poucos,
retomando o crescimento, sem esperar pelo fim do ajuste.
Em outras palavras, tais parcerias são
uma forma de o governo antecipar alguns benefícios só
possíveis após a retomada plena do desenvolvimento
sustentável, entendido como crescimento econômico
do PIB em ritmo superior ao do aumento da população,
com inclusão social, via emprego, e sem desequilibrar
novamente as contas públicas.
Em termos políticos, equivale a um convite
para que a iniciativa privada nacional e do exterior participe,
juntamente com o governo, de projetos prioritários para
o desenvolvimento do País, notadamente na área
de infra-estrutura. O aval implícito em tais parcerias
é o fato de a casa já estar sendo arrumada e o
pressuposto de que o que ainda falta será feito até
o fim do mandato do presidente Lula.
Cumpridas as promessas, têm tudo para
dar certo. Apesar disso, é impossível afirmar
que as PPPs sejam isentas de riscos. O principal deles é
a vocação excessivamente intervencionista que
os governos brasileiros nunca desmentiram ao longo da história.
Esse "talento" - não apenas nosso, mas de todas
as demais nações de cultura latina - degenera,
com freqüência, em atitudes do tipo reinventar a
roda.
Além desse, há, para a iniciativa
privada, o risco adicional da insegurança jurídica
gerado por equívocos no texto de criação
das PPPs, enviado ao Congresso. Um exemplo: as empresas que
participarem do projeto de determinada obra não poderão
executá-la nem explorar a concessão do serviço
público. Obviamente, se aprovada no Congresso, será
facilmente questionável na Justiça.
Outro exemplo: uma empresa desclassificada na
licitação pública de determinada obra,
um partido político adversário do PT na esfera
federal ou agremiações dos governos regionais
poderão alegar que a parceria é uma forma de "driblar"
a LRF e até mesmo os orçamentos estaduais e federal.
Por último, não é descartável
a possibilidade de o Estado empurrar para o setor privado alguns
"abacaxis", ou seja, projetos de alto interesse para
usuários, mas de baixo retorno em razão do valor
do investimento exigido.
Em recente artigo, publicado em "O Estado
de S. Paulo", o ex-ministro das Minas e Energia, Antonio
Dias Lopes, alerta para esse risco ao analisar as propostas
para o setor elétrico. "O modelo", diz Dias
Lopes, "me parece inconsistente, já que se apóia
em parceria entre a iniciativa privada, sem liberdade, e o setor
público, sem recursos".
A conclusão é que, para serem
bem-sucedidas, as PPPs deverão ter a menor interferência
por parte do governo. E, uma vez aprovadas, necessitarão
de um texto claro, simples e conciso, diminuindo assim as chances
de questionamento jurídico e criando maior entusiasmo
na iniciativa privada.
kicker:
Para darem certo, deverão ter a menor interferência
possível do governo