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Publicação do DCI de 03 de junho 2005

Ferrovias têm mais R$ 2,1 bi para expansão

Os investimentos em obras de ampliação de ferrovias, além de novas locomotivas, anunciados pelas 11 empresas concessionárias que administram os 28 mil quilômetros de malha ferroviária no País, deverão consumir cerca de R$ 2,1 bilhões até o próximo ano, segundo o presidente da Associação Nacional dos Transportes Ferroviários , Elias Nigri. Dentro desse aporte coletivo, a MRS anunciou que irá investir, isoladamente, R$ 1,3 bilhão em compra de vagões e locomotivas até 2009, sendo R$ 600 milhões de reais neste ano. De acordo com Nigri, há possibilidades, ainda este ano, de a ferrovia Norte-Sul, que conta com 228 quilômetros, também fazer parte de uma concessão, o que injetaria mais investimentos ao montante anunciado. “Após ficar sem investimentos por quase 20 anos, o segmento está se desenvolvendo no País. O desenvolvimento está sendo puxado pelo bom desempenho agrícola e da retomada econômica”, diz. No ano passado, o setor ferroviário recebeu investimentos de R$ 1,9 bilhão.
Norte-Sul
A Ferrovia Norte-Sul está sendo construída pela Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A , controlada. pela União e supervisionada pelo Ministério dos Transportes, que detém a concessão para sua construção e operação. O primeiro trecho da Norte-Sul já está concluído e em operação comercial. Os 228 quilômetros de linha ferroviária, ligando as cidades maranhenses de Estreito e Açailândia, se conectam à Estrada de Ferro Carajás, permitindo o acesso ao Porto de Itaqui, em São Luís.
Atualmente está sendo construído o trecho Aguiarnópolis, em Colinas do Tocantins, com 38 quilômetros, no Estado do Tocantins, com meta de conclusão para o final deste ano. Ao mesmo tempo, está em processo de contratação a empresa que será responsável pela construção do trecho Darcinópolis-Filadélfia, também no Tocantins, com 50 quilômetros de extensão.
No Estado de Goiás, onde a Ferrovia Norte-Sul terá 510 quilômetros de extensão, foi iniciada em janeiro deste ano a construção do trecho Anápolis-Petrolina de Goiás, com 40 quilômetros.
PPPs
Para o presidente da ANTF, as parceiras público-privadas (PPPs) deverão viabilizar projetos essenciais para o escoamento de commodities , entre outros produtos, o que deve aliviar os gargalos logísticos. “São 23 projetos para PPPs, dos quais nove são para ferrovias. O governo federal anunciou que cinco projetos são prioritários”, revela Nigri.
Os projetos prioritários são: Ferrovia Guarapuava-Ipiranga, no Paraná, com 100 quilômetros, que, se aprovada, deverá consumir R$ 450 milhões de investimentos; o Ferro Anel Norte, em São Paulo, que consumirá R$ 85 milhões em obras de implementação; e, por último, o trecho da Norte-Sul com 653 quilômetros até 2006.
Brasil Ferrovias
Uma das empresas que deverá investir alto entre este e o próximo ano é a Brasil Ferrovias , que promove a sinergia operacional das ferrovias Ferronorte, Ferroban e Novoeste. Com aporte de R$ 600 milhões, a concessionária irá adquirir 1,5 mil novos vagões e 100 locomotivas. A origem do maquinário está dividida: parte é fabricada ou recuperada no Brasil e outra parte é oriunda dos Estados Unidos. De acordo com Elias Nigri, também presidente da Brasil Ferrovias, este ano a companhia deverá movimentar cerca de 16 milhões de toneladas, 20% mais que no ano passado. Para 2006, o presidente projeta 23 milhões de toneladas em mercadorias transportadas. “A demanda está muito acentuada este ano em relação ao ano passado”, diz.
De acordo com Rodrigo O. Vilaça, diretor executivo da ANTF, “o País tem potencial para ampliar sua malha ferroviária e as PPPs deverão contemplar projetos fundamentais para o desenvolvimento do segmento no País”.
A Brasil Ferrovias cobre três estados — São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso; serve mais dois — Goiás e Minas Gerais, por meio da Hidrovia Tietê-Paraná; e interliga dois países vizinhos — Paraguai, a partir de Ponta-Porã, e Bolívia, através de Corumbá — ao Porto de Santos. A frota da Brasil Ferrovias é composta hoje por 320 locomotivas e mais de dez mil vagões. Em sua malha de 4,4 mil quilômetros, existem terminais ferroviários de clientes, três terminais próprios e um terminal portuário de granéis agrícolas em Santos, em parceria com a Caramuru Alimentos . Além disso, tem projeto para construção de outro terminal portuário, em parceria com a AMAGGI e a Bunge no Guarujá.
MRS Logística
A concessionária MRS Logística pretende investir R$ 1,3 bilhão até 2009 para aumentar a produtividade e atender à demanda crescente de seus clientes. O montante será aplicado na compra de locomotivas e vagões, automação e melhora na sinalização da malha ferroviária. Só este ano, serão investidos R$ 600 milhões na aquisição de 29 locomotivas e 716 vagões. Ao fim de 2009, mais 3.200 vagões e cerca de 60 locomotivas terão integrado a frota da empresa, elevando em 33% o atual número de vagões e 24% o de locomotivas. Os vagões deverão chegar à sede da companhia, em Minas Gerais, até o fim do ano. Com os recursos, a empresa estima que aumentará o volume de carga transportado de 98 milhões de toneladas, em 2004, para 110 milhões de toneladas em 2005. A ampliação de capacidade possibilitará o aumento de faturamento em 2005 para R$ 2,1 bilhões, 31% maior que a obtida em 2004, de acordo com Tida Brandão, superintendente administrativo da MRS.
O setor que mais tem pressionado por investimentos é o de mineração, que vem expandindo sua produção nos últimos anos, impulsionada pelo bom momento da commodity no mercado internacional. A Companhia Vale do Rio Doce , que domina a produção de minério de ferro no Brasil, reponde por cerca de 85% do volume anual de carga transportada na MRS, da qual é acionista. A intenção da concessionária, porém, é diversificar a carteira de clientes. “Queremos ampliar o atendimento. Os setores siderúrgico e agrícola também vivem bons momentos. Cada vez mais o modal ferroviário está sendo demandado. Temos que aproveitar a ocasião”, diz Tida, que participou ontem de um evento promovido pelo Instituo Brasileiro de Petróleo e Gás , no Rio.
Além dos investimentos em compra de ativos, a MRS está investindo em automação. Nos próximos dois a três anos, todas as 358 locomotivas que hoje integram a frota da companhia serão equipadas com computadores de bordo, aprimorando o trabalho dos maquinistas. “Eles poderão saber quando uma peça do trem se solta e a quantos metros está a ladeira que a locomotiva terá de subir, por exemplo ”, diz Tida. Cerca de R$ 150 milhões serão destinados para automação dos trens.
O investimento em sinalização será outra prioridade da empresa. Com o crescimento em torno de alguns pontos da MRS, as locomotivas têm de reduzir sua velocidade para 5 km/h quando cruzam adensamentos demográficos, as chamadas passagens de nível. “Isso acaba reduzindo nossa produtividade, pois temos que praticamente parar os trens”, explica a superintendente.
Além da nova sinalização, a MRS está conversando com prefeituras para equacionar o problema. A idéia é que os municípios construam viadutos nos locais do cruzamento da linha férrea com estradas e ruas. Com essas medidas, a empresa pretende elevar a velocidade comercial (média do percurso, incluindo as paradas nas passagens de nível) de suas locomotivas de 25km/h para 35km/h em dois anos.
Fabricante também investe
Os investimentos em aumento de produtividade e redução de custos logísticos se dão nas duas pontas. Não só concessionárias estão investindo, como também fabricantes que usam ferrovias e rodovias para levar seus produtos ao consumidor final. A americana Kimberly Clark Kenko , fabricante de produtos de higiene pessoal, está avaliando negociar a compra de combustível para abastecer as 2.500 carretas operadas pelas 23 transportadoras com as quais tem contrato. Hoje, a negociação é feita individualmente entre as transportadoras e as distribuidoras de combustíveis.
“Queremos usar nosso poder de barganha para conseguir descontos na compra de combustível”, diz Eduardo Figueiredo, executivo de relacionamento com fornecedores da Kimberly. A idéia é que as carretas abasteçam seus tanques de combustível em um posto a ser construído até o próximo ano. O posto ficará ao lado do novo centro de distribuição que a empresa pretende inaugurar em 2006. Figueiredo preferiu não estimar a redução de custo que a transação poderia trazer ao valor do frete, nem quis informar o local do novo centro de distribuição. Atualmente, a empresa tem apenas um, em Recife (PE), além de seis fábricas espalhadas pelo País. A Kimberly tem plantas industriais em 42 países e comercializa seus produtos em 150 países. Sediada em Dallas (EUA), a empresa tem 68 mil funcionários, dos quais 3 mil no Brasil. O faturamento em 2004 no Brasil foi de R$ 1,3 bilhão.

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