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Publicação do DCI de 3 de
janeiro de 2007
Estradas receberão R$ 24 bi em 10
anos
Robson Bertolino
As rodovias nacionais deverão ganhar
aporte financeiro para obras de melhorias em infra-estrutura
e ampliação. Concessionárias e Governo
Federal irão investir até R$ 24 bilhões
nos próximos 10 anos. Do total, R$ 12 bilhões
são para recuperação e conservação
e R$ 12 bilhões para ampliação de estradas,
segundo o Ministério dos Transportes.
A Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR)
assinou em outubro um memorando de entendimento com a portuguesa
Brisa a fim de, até 2010, dobrar o atual tamanho
da companhia, avaliado em R$ 6 bilhões. A Brisa já
detém 17% do controle da CCR e, juntas, pretendem
atuar efetivamente nos mercados latino e norte-americano.
A parceria entre as companhias prevê investimentos
na malha rodoviária que a CCR administra.
A CCR está montando uma estratégia para impulsionar
suas novas investidas em concessões rodoviárias
no Brasil e no exterior, no setor de transportes metropolitanos
e em novos negócios.
Os recursos oriundos do próprio cofre, de parceiros
e demais fontes de financiamento, tem condições
de levantar até R$ 12 bilhões nos próximos
quatro anos. A empresa pretende elevar sua relação
dívida líquida, da atual 1,1 vez para até
três vezes. A geração operacional de
caixa da CCR até o fim de setembro atingiu R$ 884
milhões. “Os níveis de alavancagem da
companhia são confortáveis e garantirão
um belo fôlego para sustentar os investimentos”,
diz André Ribeiro, sócio da Fama Investimentos.
Os números foram apresentados no “CCR Day”,
em São Paulo, evento que reuniu analistas, investidores
e executivos da holding de concessões. Procurada
pela reportagem, a empresa não quis comentar o teor
da apresentação. Para dobrar seu valor de
mercado, a empresa deverá recorrer ao Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mercado
de capitais e bancos além de cogitar emissões
internacionais.
Estão na mira da concessionária o programa
federal de concessões (equivalente a 8,1 mil quilômetros),
a nova fase do programa de desestatização
do Estado de São Paulo (outros 2 mil quilômetros
de estradas) e o trecho sul do Rodoanel paulista, projeto
que será levado adiante por um modelo de concessão
pura. Está marcada para dezembro uma audiência
pública para discutir o desenvolvimento das obras.
A CCR se mostra disposta a buscar parcerias locais para
concorrer aos processos de concessões nos Estados
Unidos e no México. Só nos EUA, o programa
de privatizações corresponde a 320 mil quilômetros
de rodovias. Naquele país, a CCR chegou a participar
de uma pré-qualificação de concessão
no Estado do Texas e ainda concorre em um projeto no Colorado.
Nas duas empreitadas conta com a parceria da portuguesa
Brisa. Segundo um dos executivos da empresa, os financiamentos
para projetos no exterior serão levantados fora do
país. Na participação do transporte
metropolitano, a empresa faz parte do consórcio Metroquatro
(formado também por concessionárias de transporte
metropolitano de Buenos Aires e Paris) para operar e explorar
a Linha 4 do Metrô paulista.
Pesquisa
Recente pesquisa (novembro) da Confederação
Nacional dos Transportes (CNT) aponta a que de 84.382 quilômetros
no Brasil (metade da malha), apenas 10,8% estão em
estado ótimo e 75% apresentam pelo menos algum tipo
de deficiência de pavimento, sinalização,
geometria, segurança, ou serviços ao usuário.
Das rodovias avaliadas pela CNT, as 23 melhores são
pedagiadas, mostrando a adequação desse processo
de gestão, em que os recursos da tarifa são
aplicados na própria estrada. E 79,8% dessas rodovias
pedagiadas mereceram a classificação ‘ótima’
ou ‘boa’, o que, segundo a CNT, significa que
“sob o ponto de vista operacional [ a rodovia] é
bastante favorável ao transportador. Rodovias com
adequado estado de conservação propiciam a
redução de custos operacionais e possibilitam
a diminuição de tempo de viagem, além
de garantir maior eficiência no transporte”,
diz Moacyr Servilha Duarte, presidente da Associação
Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).
No caso das rodovias sob gestão estatal, apenas 16,9%
foram classificadas como ótimas ou boas.
Investimento
Anunciados no dia 13 de dezembro pela ministra Dilma Roussef,
chefe da Casa Civil da Presidência da República,
a intenção é que os investimentos para
infra-estrutura nas rodovias venham tanto do setor público
como do privado, enquadrados em modelos de financiamento
que vão desde o Orçamento Fiscal da União,
o Programa Piloto de Investimento (PPI), as parcerias público-privadas
(PPP) e linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) a fundos de investimentos constitucionais
e privados.
“Nossa agenda para o setor é pesada, porque
a infra-estrutura em boas condições é
um pressuposto para o crescimento”, afirmou Paulo
Sérgio de Oliveira Passos, ministro dos Transportes,
durante evento realizado em São Paulo.
Segundo ele, o ministério obteve a partir de 2005
recursos mais condizentes com as necessidades do País.
Foram R$ 6 bilhões no ano passado e R$ 4 bilhões
até outubro de 2006. Em 2007, o Ministério
dos Transportes deve trabalhar com R$ 5,5 bilhões.
No entanto, essa faixa pode aumentar até 100%, com
o enquadramento de projetos no PPI. A projeção
de investimentos nas rodovias, o modal de maior peso no
País com 58% da movimentação, é
de R$ 12 bilhões para a recuperação
e conservação e mais R$ 12 bilhões
para ampliação de estradas.
Nesses valores estão incluídos recursos públicos
e privados, em modelos de concessões ou PPPs. Está
em andamento o processo de licitação para
a concessão de 2.600 km de rodovias federais
A expectativa é de que os editais incorporem avanços
e atraíam investidores.
“Há liquidez no mercado internacional para
investimentos em infra-estrutura”, diz Moacyr Servilha
Duarte, presidente da Associação Brasileira
de Concessionárias de Rodovias (ABCR).
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