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Publicação de O Estado de
São Paulo de 2 de janeiro de 2007
Presidente estabelece educação
como prioridade
Ministérios serão
obrigados a cumprir metas e, entre as principais, está
melhoria do ensino
Luciana Nunes Leal, Ligia Formenti,
BRASÍLIA
Resolver o caos aéreo, evitar o
apagão de energia, consertar estradas, recuperar
a renda do trabalhador, desfazer entraves para o desenvolvimento.
Para alguns ministérios, o começo do ano traz
cobranças especiais do presidente Lula. Tudo porque,
sem essa ação conjunta, a meta estabelecida
pelo presidente de crescer 5% este ano ficará mais
difícil do que já é.
Fora da área econômica, Lula
apontou a educação como o foco principal de
seu segundo mandato. No setor, os desafios são inúmeros:
reduzir a repetência no ensino fundamental, aumentar
vagas no ensino infantil, diminuir o analfabetismo e aumentar
o número de jovens no ensino superior.
Em todos estes itens, o País apresenta
péssimos indicadores. O Brasil tem uma das maiores
taxas de repetência do ensino fundamental: 20,6%.
Somente Nepal, a colônia de Anguila e 12 países
da África estão em pior situação.
Quando se analisam índices de analfabetismo, os números
envergonham: 11,4% dos adultos não sabem ler e só
10,9% da população de 18 a 24 anos freqüenta
cursos universitários - taxa que é um terço
da meta fixada no Plano Nacional de Educação,
de 30%.
Para o Ministério da Justiça,
o combate à criminalidade é o desafio número
1. O entrave é a desarticulação entre
os governos federal e estaduais. Especialista em segurança
pública, o sociólogo Gláucio Ary Dillon
Soares, professor do Instituto Universitário de Pesquisa
do Rio de Janeiro (Iuperj), sugere que o desafio seja dividido
entre União e Estados com uma medida de impacto:
condicionar parcialmente o repasse do Fundo Nacional de
Segurança Pública (FNPS) aos governos estaduais
ao aumento da resolução de crimes e redução
da impunidade.
A meta de crescimento de 5% do PIB para
este ano fixada por Lula, dizem os especialistas, só
tem alguma chance de sair do campo das idéias por
meio de ações emergenciais. “Sem uma
série de medidas, é praticamente impossível
crescer 5% de maneira sustentável. O governo errou
ao fixar esta meta”, critica o economista Antônio
Carlos Assumpção, do Ibmec-Rio.
MISSÕES EM SÉRIE
Na lista das missões urgentes, uma
das mais importantes está no Ministério da
Defesa. O apagão aéreo, agravado pelas empresas
que não honraram compromissos com os passageiros,
é a face mais evidente da falta de investimentos.
Desta vez, nos equipamentos de segurança de vôo.
Do 20% do PIB investido no país, somando investimentos
públicos e privados, a União entrou com apenas
0,5%. Para um crescimento substancial da economia, será
preciso que os investimentos totais subam para, pelo menos,
25% do PIB. “Esta situação é
insustentável. Será preciso austeridade no
gasto público para liberar recursos para o investimento.
Acho os 5% de crescimento um índice muito difícil,
mas ainda possível”, diz o economista e senador
petista Aloizio Mercadante (SP).
No primeiro mandato, vários ministérios
estiveram em encruzilhadas. O da Justiça sofreu com
a onda de violência deflagrada pelo crime organizado;
o da Agricultura administrou o surto de febre aftosa no
rebanho brasileiro; o da Saúde foi envolvido em escândalos
de corrupção; o do Meio Ambiente levou parte
da culpa pelas exigências ambientais que atrasam obras
estruturais.
“A política macroeconômica
foi até certo ponto bem gerida, a inflação
está controlada, a relação dívida/PIB
parou de crescer. O problema são as reformas de longo
prazo. Há gargalos na infra-estrutura e o mais sério
deles é na energia elétrica. Se a economia
tivesse crescido 5% nos últimos dois anos, correríamos
o risco do apagão de 2001”, diz o professor
do Ibmec.
No Ministério das Minas e Energia,
o ano começa com o desafio de de construir as hidrelétricas
do Rio Madeira e Belo Monte. O Ministério dos Transportes
precisa tocar a operação tapa-buracos - um
investimento de R$ 500 milhões de governo federal
ao longo de 2006 que se revelou insuficiente -, a duplicação
de rodovias na Bahia, no Pará, no Mato Grosso e no
Acre e a construção de outras duas, em Goiás
e Minas Gerais. Além da necessidade de driblar a
dificuldade de investimentos privados no setor, por meio
das Parcerias Público-Privadas (PPPs).
Diante de tantos desafios, os críticos
apontam excesso de otimismo nas metas do governo. “O
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(Ipea)tem
técnicos para auxiliar o governo em previsões
econômicas. Quando a gente olha os boletins de previsão
do Ipea e o que o presidente e o ministro da Fazenda falam,
pensa ou que as autoridades dizem algo insano ou que os
técnicos são incompetentes”, ironiza
Antônio Carlos Assumpção.
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