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Publicação da Folha de São
Paulo de 1 de janeiro de 2007
Dinheiro privado deve bancar governo Serra
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
O governador eleito de São Paulo,
José Serra (PSDB), vai depender de recursos privados
para levar à frente os principais investimentos em
infra-estrutura do Estado, incluindo rodovias, abastecimento
e a expansão do metrô paulistano.
Embora o Estado possa investir em 2007
o equivalente a 9,9% de sua receita corrente líquida,
gastos obrigatórios com segurança, penitenciárias,
saúde e educação reduzem a margem de
manobra do futuro governo em seus programas.
Também há, pelo menos para
o primeiro ano de governo, a necessidade de cortes de R$
1,2 bilhão, segundo estimativa da equipe de transição
que analisou o Orçamento 2007. O valor é de
R$ 84,5 bilhões, sendo R$ 6 bilhões para investimentos,
inclusas expectativas de verbas da União, que não
vêm se consolidando, e outras fontes.
Para os projetos mais adiantados, são
previstos cerca de R$ 11 bilhões em dinheiro privado,
sendo que a maior parte é dirigida ao setor de transportes
--construção do Rodoanel, recuperação
das marginais Pinheiros e Tietê, duplicação
da rodovia dos Tamoios (SP-99) e extensão da rodovia
Carvalho Pinto (SP-70).
O pacote inclui também o anel viário
e o porto de São Sebastião, no litoral norte
de São Paulo, que fazem parte do corredor de exportação.
Com investimentos privados que somam R$
750 milhões, o Estado contratou a PPP (Parceria Público-Privada)
da linha 4-amarela do Metrô.
As obras nas marginais e do trecho sul
do Rodoanel são emblemáticas do esgotamento
da capacidade de investir do Estado. As vias serão
privatizadas e pedagiadas no governo Serra para bancar as
obras.
Quando prefeito de São Paulo, Serra
já tinha como uma de suas metas reformar as marginais,
que estão sendo transferidas da prefeitura para o
Estado. Em seu plano de governo, ele ainda falava em iniciar
o trecho leste do Rodoanel.
Ainda está no plano de governo outra
obra, também projetada com parcerias privadas. É
a construção de um corredor metropolitano
a noroeste da região de Campinas, interior paulista,
de R$ 286 milhões.
Continua em andamento o processo de ampliação
da capacidade de abastecimento de água do sistema
Alto Tietê, com outros R$ 300 milhões, para
impedir que haja um colapso na Grande São Paulo.
Outro contrato de PPP planejado pelo governo,
na área da segurança pública, prevê
a modernização do sistema de identificação
dos cidadãos, que passará a ser digital. O
sistema é orçado em R$ 698 milhões.
O edital deverá ser lançado
ainda no início do ano pela Secretaria da Segurança
Pública.
O objetivo é criar uma base única
de dados em todo o Estado, com informações
sobre identificação civil e criminal. A ferramenta
é considerada importante no combate ao crime.
"O Estado tem que dar prioridade à
saúde e à educação. Outros investimentos
têm de ter participação da iniciativa
privada", declarou o governador Cláudio Lembo
(PFL), que transmite hoje o cargo a José Serra. ""Quando
assinei [a privatização do Rodoanel], não
pensei duas vezes."
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