Publicação
de O Globo de 31 de maio 2005
Parcerias para um país competitivo
As PPPs podem não representar
a solução para todos os problemas de infra-estrutura
do país, mas constituem o instrumento mais viável,
moderno e seguro para executar a maior parte dos projetos prioritários.
A análise foi feita pelo presidente em exercício
da Federação das Indústrias do Estado do
Rio de janeiro (Firjan) e também presidente do Conselho
Empresarial de Economia da entidade, Carlos Mariani Bittencourt.
— As PPPs são um instrumento essencial
para tornar possível um Brasil mais competitivo. O Custo
Brasil será brutalmente reduzido tão logo elas
contem com uma regulamentação que ofereça
segurança ao governo e ao investidor privado.
Carlos Mariani destacou que o sistema Firjan
encontra-se mobilizado para sensibilizar o setor privado a viabilizar
os investimentos considerados indispensáveis. Um deles,
conforme lembrou, é o que levará à implantação
do Arco Rodoviário, ligando a Baixada Fluminense ao Porto
de Sepetiba.
— Somado a outro projeto de PPP, o Ferroanel
de São Paulo, o Arco permitirá o crescimento significativo
do fluxo de cargas do porto de Sepetiba. Com a obra, em cinco
anos, o porto deverá se converter no maior pólo
brasileiro de escoamento de produtos — prevê.
A Baixada Fluminense, de acordo com estimativas
da Firjan citadas por Mariani, deverá atrair grande parte
dos R$ 50 bilhões que o Rio tende a receber em investimentos
nos próximos dois anos.
Apesar da urgência em se adotar no país
o novo modelo das parcerias, o dirigente da Firjan ponderou,
no entanto, que as PPPs ainda estão distantes de se tornar
realidade.
—- Uma coisa é a sua aprovação;
outra, bem diversa é a implementação. Ainda
há muito por fazer até que o primeiro projeto
deixe o papel —- observou.
Carlos Mariani acrescentou que o fato de haver
uma Lei das PPPs não é o bastante para atrair
investidores, sendo também necessária e urgente
a definição do marco regulatório para investimentos
em setores específicos como, por exemplo, saneamento.
Outra questão assinalada pelo dirigente
da Firjan e classificada por ele também como "crítica"
é a referente à Lei das Agências.
— A fiscalização e o controle
dos contratos das PPPs, de acordo com a legislação,
deverão ser exercidos pelas autoridades de tutela setorial,
os ministérios, as secretarias e as agências reguladoras.
Mas o que poderá acontecer diante da iminência
de alterações profundas na própria Lei
das Agências? — questiona.
O fundamental, ainda segundo Mariani é
que todas as arestas de ordem regulatória e legal sejam
devidamente aparadas. A experiência internacional mostra
que os erros tendem a custar caro, quando é preciso implementar
qualquer mudança de rota — frisou.
Promovido pela Fundação Getulio
Vargas em parceria com o Globo Online, O GLOBO, e o BNDES, o
seminário "O Desafio das Parcerias Público-Privadas"
reuniu cerca de 600 pessoas, lotando o auditório do segundo
andar da sede da Federação das Indústrias
do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que também promoveu
o evento.
Aparentemente complexo, o tema das PPPs atraiu
um público heterogêneo, em sua maioria empresários,
analistas financeiros e advogados, mas que também incluiu
estudantes e cidadãos comuns, já que as exposições
abordaram amplos aspectos, inclusive relacionados com o cotidiano
das pessoas, como o desemprego.
O presidente da Fundação Getúlio
Vargas (FGV), Carlos Ivan Simonsen Leal, assinalou que a parcela
da população economicamente ativa com grau de
instrução mais elevado cresce num ritmo maior
que o da população total do país. O tempo
médio de sete anos e meio de educação formal
do brasileiro, verificado atualmente, também é
superior ao registrado há 20 anos, segundo Simonsen.
Assim, no entender do dirigente da Firjan, se os investimentos
de que o país necessita, em vários setores da
economia, não ocorrerem no ritmo esperado, a taxa de
desemprego tenderá a aumentar.
— É o investimento em infra-estrutura,
após mais de 20 anos em que a cultura do planejamento
esteve abandonada, o ponto capital para voltarmos ao caminho
do desenvolvimento — frisou o presidente da FGV, na sessão
de abertura do seminário.