Reconhecidos
tradicionalmente como investidores de longo prazo, os fundos
de pensão, por sua própria natureza previdenciária,
são levados a contar o tempo por décadas. Afinal,
entre o momento no qual o trabalhador ingressa no plano e
o dia em que se aposenta passam-se em média entre 30
e 40 anos.
Assim,
não cabe medir a performance das carteiras mensalmente,
por semestre ou mesmo por ano. É preciso buscar a verdade
consultando os resultados em horizontes temporais mais dilatados;
quem fizer isso no Brasil, diga-se, não sairá
decepcionado. Estudo da consultoria internacional Towers Perrin
mostra uma rentabilidade média acumulada de 10,16%
ao ano em período de dez anos.
É
essa natureza voltada para o longo prazo, por sinal, que torna
os fundos de pensão tão benéficos à
economia. Antes de tudo, claro, a poupança previdenciária
acumulada torna-se importante na esfera social, ao assegurar
um melhor padrão de renda ao trabalhador na aposentadoria.
Ao lado desse papel socialmente tão relevante, está
também a função, cada vez mais valorizada,
de suprir de recursos a atividade econômica.
Veja-se
o debate que liga hoje os fundos de pensão à
necessidade que o governo e a sociedade brasileira sentem
de encontrar investidores dispostos a alocar recursos na modernização
e ampliação da infra-estrutura.
É
natural que, no atual debate, essa ligação surja
naturalmente, uma vez que os fundos de pensão são
uma feliz combinação entre justas demandas sociais,
como a proteção do trabalhador na aposentadoria,
e evidentes prioridades na economia, que precisa mais do que
nunca crescer de forma sustentada, gerando emprego e renda.
Ao acumular reservas para pagar aos seus aposentados, esses
fundos de pensão oferecem, a um país subcapitalizado
como o Brasil, tão carente de poupança interna,
a chance de contar com recursos que, de outra forma, dificilmente
conseguiria.
Essa
estreita relação entre as duas esferas - a social
e a econômica - mostra-se especialmente verdadeira na
fase atual, quando a sociedade brasileira reconhece claramente,
de um lado, que os valores pagos pela previdência básica
estatal precisam ser complementados e, de outro lado, a necessidade
de se retomar os investimentos.
Essa
notável característica coloca os fundos de pensão
diretamente no centro do debate que se trava hoje em torno
das PPP. E isso acontece em boa hora, não só
porque o Brasil precisa muito reformar e ampliar sua infra-estrutura,
como neste momento os fundos de pensão estão
para ingressar em um novo ciclo de mais rápido crescimento,
ganhando assim melhores condições para investir.
Um
novo pano de fundo legal e normativo, resultado, na maior
parte, do fato de o governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva ter definido como uma de suas maiores prioridades
o fomento da poupança previdenciária, deverá
permitir ao sistema de EFPC (entidades fechadas de previdência
complementar) provavelmente dobrar de tamanho ao longo da
atual década, dando cobertura a mais de 6 milhões
de participantes, ou perto de 18 milhões, se somarmos
os dependentes, atingindo reservas superiores a R$ 600 bilhões.
É
um bom momento também porque a tendência de queda
nos juros, uma certeza a médio e longo prazos, obrigará
de maneira crescente os fundos de pensão a transferir
aplicações da renda fixa para participações
em empresas e projetos.
Tendo
avançado na governança, os fundos de pensão,
há mais de uma década e meia como acionistas
de peso de mais de uma centena das maiores empresas do País,
muitas das quais os têm em seus grupos de controle,
estão seguramente prontos para avaliar tecnicamente
e efetivar investimentos mais complexos, como serão
os projetos embutidos nas PPP.
Como
são ainda, por natureza, investidores a longo prazo,
sequer a característica de longa maturação
desses empreendimentos os preocupa. A exigência que
fazem, e dela não abrem mão, é que as
operações propostas ofereçam segurança,
rentabilidade e liquidez adequadas.
A
constituição de fundos fiduciários garantidores
da receita é, por isso mesmo, julgada fundamental.
Isso assegurado, o resto não constituirá problema,
ainda porque ninguém ignora a urgência que cerca
a tarefa de dotarmos a Nação de uma infra-estrutura
à altura do potencial de sua economia.
Por
todas essas razões, os fundos de pensão esperam
a aprovação do projeto que cria as PPP, atualmente
em tramitação no Congresso, onde também
se encontram em curso iniciativas de igual importância
como a Lei de Falências e a normatização
das agências reguladoras.
São
conquistas que darão mais segurança aos investidores
e ajudarão a trazer os recursos necessários
ao desenvolvimento sustentado da Nação, com
a justa repartição de seus frutos.
kicker:
As entidades de previdência complementar poderão
dobrar de tamanho na década atual
(Gazeta
Mercantil/Caderno A - Pág. 3)(Fernando Pimentel - Presidente
da Associação Brasileira das Entidades Fechadas
de Previdência Complementar (Abrapp).
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