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Publicação de O Estado de São Paulo de 26 de outubro 2004

Vantagens e limites das PPPs

A insuficiência de investimentos é um dos mais graves problemas da economia brasileira. O setor privado investe menos do que poderia por não poder contar com créditos de longo prazo, a um custo possível de ser coberto por receitas futuras. O setor público, diante de seu enorme endividamento e também da incapacidade de reduzir gastos correntes, teve de cortar investimentos na infra-estrutura. A solução buscada, e que não implica novo aumento da dívida pública, é o sistema de Parcerias Público-Privadas (PPP), que se encontra em pauta no Congresso.

Mas esse sistema não é uma panacéia para todos os problemas da economia brasileira, embora possa contribuir eficazmente para desfazer os gargalos da infra-estrutura.

É preciso ter em mente que as PPPs não criam poupança, embora seja de se esperar que atraiam vultosa poupança do exterior. Para que isso aconteça, é preciso que os capitais privados que se mostrarem dispostos a investir no País encontrem um contexto que assegure sua remuneração e, especialmente, a certeza da contrapartida dos recursos prometidos pelo governo.

Assim, atenção toda especial deve ser dada a essa questão, com a regulamentação de um "funding" que represente uma garantia para o sócio privado do governo.

Embora seja desejável um mecanismo suscetível de favorecer investimentos na infra-estrutura, é preciso que essa inovação não redunde em ameaça para aquilo que representa uma das mais importantes conquistas brasileiras na área institucional: a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Foi com essa preocupação que o relator do projeto das PPPs, senador Valdir Raupp, estabeleceu como norma que a administração pública só poderá gastar 1% de sua receita corrente líquida por ano com o pagamento de PPPs e que o valor mínimo desse tipo de operação será de R$ 20 milhões.

Se é verdade que essa limitação afasta do sistema 90% dos municípios brasileiros, é de se reconhecer nela uma decisão prudente para evitar a desmoralização do sistema.

Em sua coluna no Estado, o jornalista Ribamar Oliveira faz uma estimativa de recursos disponíveis. O governo federal disporia de R$ 2,2 bilhões por ano para as parcerias; o governo do Estado de São Paulo, de R$ 437 milhões. Deve-se considerar, ainda, o efeito multiplicador que o sistema pode ter e que, no caso da União, permitiria alavancar investimentos da ordem de R$ 10 bilhões.

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