Publicação
de O Globo de 26 de maio 2005
Experiência das PPPs no mundo vem desde o século XIX
Os
primeiros editais de Parcerias Público-Privadas (PPPs)
no Brasil deverão sair até o fim de 2005, com
alguns anos de atraso em relação a outros países,
principalmente europeus, que já vêm desenvolvendo
o projeto desde meados dos anos 90. No entanto, a idéia
das PPPs naquela região remonta ao século XIX,
quando tudo o que tinha a ver com infra-estrutura era feito
através de PPPs.
Depois das
duas guerra mundiais, no entanto, o poder público assumiu
as obras de reconstrução da Europa. Lá
pelo idos de 70, quando o ciclo de reconstrução
foi concluído, nasceu uma nova era de PPPs. Havia necessidade
de escolas, hospitais, rodovias, universidades.
Hoje na
Europa, existem as chamadas forças-tarefa de PPPs, compostas
por 15 estados-membros, que representam centros de experiência
para oferecer apoio ao setor público.
Em um cômputo
geral, mais de 50 países já adotaram o sistema
ou estão implementando, movidos, principalmente, pela
necessidade de fazer frente a investimentos crescentes em infra-estrutura
sem recursos fiscais suficientes. Na maioria dos países,
os projetos que apresentaram o maior destaque foram transportes
e saúde.
Não
se pode deixar de citar outras iniciativas, no âmbito
das Nações Unidas, das agências multilaterais,
como o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID) e da Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE), todas em favor das
PPPs.
Segundo
especialistas, o exemplo mais maduro é o do Reino Unido,
onde a mais recente discussão diz respeito a uma maneira
de repartir entre a iniciativa privada e poder público
os ganhos decorrentes de refinanciamento.
De acordo
com as últimas estatísticas sobre a experiência
de PPPs no Reino Unido, onde existem acordos fechados até
mesmo com instituições sem fins lucrativos, entre
1992 e 2003, foram investidos US$ 100 bilhões em PPPs,
assinando, no período, 617 projetos.
Em Portugal,
outro país onde a força-tarefa de PPPs é
considerada bem implementada, o programa foi estabelecido em
1997, possibilitando o rápido desenvolvimento de uma
rede de rodovias de alta qualidade. Nos últimos dez anos,
mais de 2 mil quilômetros de estrada foram construídos.
A expectativa é de que, até 2006, os investimentos
representarão a duplicação de toda a extensão
da malha de auto-estradas concedidas em um período de
dez anos.
No entanto,
antes de acertar no modelo, o país recorreu amplamente
às PPPs para superar todas as deficiências da malha
rodoviária. A falta de coordenação inicial
do setor público e o fato de o governo ter subestimado
os custos finais levaram a impactos fiscais imprevistos e à
revisão do programa.
Apesar das
experiências bem-sucedidas na região, as PPPs ainda
continuam se aperfeiçoando. Na França, por exemplo,
só no ano passado a lei foi efetivamente aprovada. Em
2002, as Parcerias Público-Privadas daquele país
receberam 78% dos recursos dedicados à pesquisa, contra
apenas 38% em 1998.
Na Holanda,
o governo reservou 805 milhões de euros para o financiamento
de parcerias em áreas estratégicas no período
2002-2010.
Na América
Latina, as experiências são mais recentes, destacando-se
o México e o Chile, onde as PPPs foram introduzidas também
por causa da necessidade de equilibrar os investimentos em infra-estrutura
com a demanda de serviços sociais. De acordo com o marco
regulatório das parcerias público-privadas daquele
país, pode-se garantir receita mínima ao parceiro
privado.
Desde 1994,
quando foi implementado, foram executados 36 projetos no montante
de US$ 6 bilhões em 45 projetos, sendo que mais de 20
foram para área de transporte. Como resultado, o investimento
anual em obras públicas no Chile passou de US$ 300 milhões
para US$ 1,7 bilhão.
No México,
o governo constituiu um fundo que pode cobrir parte dos custos
de construção do projeto e do serviço da
dívida.
As PPPs
não são padronizadas, mas desenvolvidas sob medida
para as necessidades de cada país, tornando cada projeto
uma experiência única, dependendo do ambiente institucional
e econômico. No entanto, pode servir de espelho para a
iniciativa brasileira.