Publicação
de O Globo de 26 de maio 2005
A importância das PPPs no desenvolvimento do Brasil
Moacyr
Duarte, Presidente da Associação Brasileira de
Concessionárias de Rodovias
As Parcerias
Público-Privadas foram instituídas para ajudar
o Brasil a solucionar gargalos na infra-estrutura que, se não
equacionados, impedirão a continuidade do desenvolvimento
econômico e social do país. Não se deve,
no entanto, pensar que as PPPs vão se constituir em um
instrumento salvador da pátria e que os projetos a serem
viabilizados com sua utilização serão executados
em curto prazo.
A experiência
em outros países indica que as parcerias devem ser precedidas
de estudos de viabilidade, o que demanda custo e tempo. Portugal
e México, por exemplo, em razão de os resultados
não corresponderem ao previsto, foram obrigados a redefinir
o modelo de negócio adotado nas parcerias. Assim, são
necessários, pelo menos, dois anos para o início
da implantação de projetos de maior vulto.
As concessões
de rodovias representam para os governos uma alternativa para
solucionar os problemas decorrentes dos gargalos em infra-estrutura.
A própria lei das PPPs define três modalidades
de Concessão: Comum (já existente), Patrocinada
(PPP) e Administrativa (para prestação de serviços).
As concessões comuns se referem ao bem-sucedido modelo
adotado há 9 anos para concessões de rodovias,
que possibilitou ao Brasil contar com um alto padrão
de qualidade em grande parte de seus principais eixos rodoviários.
As concessões
comuns, no entanto, não podem ser aplicadas em toda a
malha rodoviária. A mesma prudência usada para
planejar as PPPs deve ser atribuída ao planejamento de
novas concessões, para evitar casos como o de rodovias
em que a base de pagantes é inferior a 10% do total de
viagens realizadas no trecho. Essa diferença faz com
que poucos paguem para muitos usarem, o que acaba afetando o
valor do pedágio. Uma base de pagantes maior permitiria
se chegar a tarifas menores.
De acordo
com levantamentos técnicos, além dos 10.117 quilômetros
de rodovias administradas e operadas pela iniciativa privada,
existem no país outros 10 mil quilômetros em condições
de serem concedidos no sistema atual. Esse modelo pode não
ser viável nos trechos onde há a necessidade de
grandes investimentos e o fluxo de veículos é
baixo. Por esse formato, a equação econômica
determinaria valores de pedágio elevados.
Para esses
casos, as Concessões Patrocinadas (PPPs) despontam como
solução, já que o modelo prevê a
soma de cobrança de tarifa com subsídio. Essa
combinação cria condições para que
o Poder Público consiga atrair o interesse do investidor
a projetos importantes localizados em diferentes regiões
do país, desde que se conte com um ambiente institucional
adequado e as garantias previstas
No setor
rodoviário, as PPPs, a exemplo das Concessões
Comuns, ajudarão o Brasil a sedimentar o caminho para
o desenvolvimento, assegurando estradas com alto padrão
de qualidade. Rodovias com boas condições de tráfego
resultam em mais segurança para os usuários e
diminuição de gastos com transporte, que contribui
para a redução do Custo Brasil.