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Publicação de O Estado de São Paulo de 26 de janeiro 2005

As PPPs como motivadoras do turismo

Guilherme Antonio de Moura Costa - As Parcerias Público-Privadas (PPPs) estão na moda. Conhecidas pelas três letras pês, elas se tornaram a solução para a falta de recursos que o Estado moderno tem para atender às necessidades de obras de infra-estrutura. Sua função é contratar a iniciativa privada para construir, por exemplo, estradas e ferrovias e ter direito a operar o serviço por até 35 anos.
Depois que a obra estiver pronta, o Estado divide o risco da operação com o investidor privado. Têm sido muito usadas na Grã-Bretanha nos últimos dez anos. Nesse país, já foram assinados contratos de obras para o metrô de Londres, que correspondem a 40% dos investimentos realizados por meio das PPPs. Escolas, hospitais e prisões, na Inglaterra, foram também construídos pelas PPPs.

Não podendo contar com recursos do Estado, as PPPs são tocadas por empresários, associações financeiras que gerem fundos de investimentos privados, fundos de pensão e mesmo entidades financeiras multilaterais, como o Banco Mundial e o BID, que as executam e, ao término delas, cobram uma tarifa dos usuários dos serviços decorrentes dessas obras, por um tempo determinado.

O Estado pode cobrir toda ou uma parte dessa tarifa de uso, para que o usuário do serviço tenha condições de usufruí-lo e para garantir ao investidor privado, o retorno de seu capital investido, com lucratividade. Sempre, é claro, dentro de um limite de endividamento público por parte do Estado para não ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal. No projeto do governo federal, que sofreu algumas alterações pontuais no Legislativo, e que foi aprovado pelo Congresso Nacional recentemente, esse limite de gasto com as PPPs não poderá ultrapassar 1% da receita da União, dos Estados e municípios.

Mas o que o turismo tem a ver com as PPPs? A indústria do turismo tem necessidade de se inserir nos projetos das PPPs, até para atingir a meta de recebermos 9 milhões de turistas estrangeiros até 2007, traçada no Plano Nacional elaborado pelo Ministério do Turismo. De 2002 para 2003, o número de turistas estrangeiros no Brasil cresceu 8,12% e o ingresso de dólares, 8,52%. Em 2004, o País recebeu a visita de 4,5 milhões de visitantes de fora, segundo a Associação Brasileira de Turismo Receptivo. A quantidade é 12% maior do que no ano anterior. Nos últimos doze meses os turistas estrangeiros gastaram US$ 2,5 bilhões de dólares, quase R$ 7 bilhões, correspondendo a 32% a mais do que em 2003. Bem, já é fácil concluir que na economia do turismo também necessitamos de obras de infra-estrutura voltadas para apoiar a indústria do setor - como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos onde grande parte de seu uso seja por parte de turistas.

Tomemos como exemplos a Linha Verde, rodovia que liga Salvador a Aracaju pelo litoral nordestino, e também a ferrovia entre Curitiba e Morretes, na Serra do Mar. Inúmeros trechos de ferrovias desativadas ou subutilizadas que passam por regiões de grande atratividade turística poderiam ser retomados para a circulação de trens com a finalidade exclusiva de transportar turistas. Também as redes de água e esgoto, de energia elétrica e de telecomunicações, tocadas por meio das PPPs, ajudariam em muito a atividade econômica do setor em regiões de grande potencial turístico: tanto em praias ainda inexploradas no Nordeste e no Norte como em regiões ecológicas do interior do País, que teriam sua economia dinamizada por novos empreendimentos turísticos, graças a investimentos provenientes das PPPs.

Cabe agora ao Estado apresentar a relação de obras que será oferecida aos empresários do setor privado para a realização das PPPs - alguns projetos de obras que estejam ligados direta ou até indiretamente ao setor do turismo. Algumas dessas obras, que já constam da lista de prioridades para as PPPs, são a Rodovia 101 Sul do corredor Mercosul e a ampliação do Porto de Santos, ambas com impacto econômico muito forte no ramo de turismo.

Como vemos, há inúmeras opções de investimentos em infra-estrutura de apoio ao turismo - e as PPPs poderiam tornar-se a solução ideal para o desenvolvimento e fortalecimento do nosso mercado turístico sem que o governo tenha de desviar recursos de outras áreas mais prioritárias, como saúde e educação, por exemplo.

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