Governo
pressiona e limita benefícios ao setor privado
André Barrocal
O projeto das parcerias público-privadas
(PPPs) será alterado para atender exigências
do governo que contrariam os interesses de investidores. Do
texto a ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE) do Senado, vão desaparecer o compartilhamento
de perdas de financiamento entre empresa e administração
pública, a indenização adicional ao investidor
no fim do contrato e a limitação de leilões
sucessivos de definição de vencedor de parceria.
As modificações
foram acertadas ontem em reunião do relator do projeto
na CAE, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), com o líder
do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e o chefe
da assessoria econômica do ministério do Planejamento,
Demian Fiocca, principal negociador do tema em nome do ministro
Guido Mantega.
O parecer de Raupp pode sofrer
novas modificações na segunda-feira, um dia
antes de ser votado na CAE. O relator voltará a se
reunir com senadores e o Planejamento para discutir três
pendências: a preferência de recebimento do governo
que “parceiro” deve ou não ter (o governo
quer e o relator não), a gestão do fundo garantidor
das PPPs (pode ser o BNDES ou uma instituição
privada, para fugir de eventual bloqueio orçamentário
do Executivo) e o prazo mínimo dos contratos (está
em 5 anos, mas pode cair para 2 ou 3). “Estamos costurando
um acordo para votar o projeto na CAE”, disse Raupp,
que está otimista quanto à aprovação
terça-feira na comissão.
O parecer apresentado esta
semana na CAE determina que o setor público estaria
forçado a dividir com o parceiro privado eventual perda
decorrente de aumento do custo de crédito. Para o Planejamento,
o risco do financiamento deve ser assumido sozinho pelo empresário.
Se o rateio da perda caiu,
o governo aceitou que o compartilhamento de ganho “poderá”
acontecer, em vez de ocorrer necessariamente, como dizia a
primeira versão do relatório de Raupp.
No caso da indenização
ao fim do contrato que o setor público poderia ter
de pagar para ficar com a obra depois de encerrado o contrato,
o Planejamento também cedeu. Admitiu que investimento
tecnológico feito perto do fim do contrato possa dar
origem a um pagamento extra. “A parte não amortizada
poderá ser indenizada”, afirmou Fiocca.
Segundo Raupp, a indenização
era uma “exigência dos investidores”, que
nos bastidores ameaçam boicotar a lei das PPPs, caso
não sejam atendidos em seus pleitos.
Em relação aos
leilões sucessivos, Raupp tinha restringido o processo
a só duas rodadas, o que impediria o governo de baixar
ao máximo o custo de uma parceria. “Favoreceria
a cartelização”, disse o senador Rodolpho
Tourinho (PFL-BA), que deve relatar o projeto na Comissão
de Constituição e Justiça, próxima
parada do texto depois da aprovação na CAE.
Tourinho também participou da reunião de ontem.
O Executivo tem pressa na
aprovação do projeto no Senado: o texto precisa
de ser votado no plenário e de novo na Câmara
(por causa das alterações) até o fim
de junho, pois no segundo semestre o Congresso vai esvaziar,
em função das eleições de outubro.
Fonte : - DCI/Panorama Brasil
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