Publicação
do Gazeta Mercantil de 21 de março 2005
Gargalos ameaçam a competitividade
O agronegócio brasileiro
encontra nos sistemas de transporte, de armazenagem e de terminais
portuários uma das principais barreiras para o seu desenvolvimento.
Com o gargalo na logística, a exuberante safra agrícola
nacional perde vantagem na comercialização.
Estradas precárias, ferrovias defasadas,
embarcações insuficientes, rios navegáveis
pouco explorados e armazéns com capacidade restrita são
alguns dos problemas que podem provocar um estrangulamento na
evolução da cadeia produtiva de cereais, leguminosas
e oleaginosas no Brasil.
Concentrado em rodovias, com 60% de participação,
o escoamento da safra agrícola enfrenta todas as dificuldades
das estradas que cortam o País. Para chegar aos terminais
portuários, o transporte dos produtos agrícolas
chega a percorrer mais de mil quilômetros em rodovias
em más condições.
O investimento das concessionárias, entre
1996 e 2003, foi de R$ 6,31 bilhões. Contudo, o montante
não foi o suficiente para alavancar a modalidade de transporte.
Existem trechos não concluídos, além da
estrutura das estradas de ferro não comportar trens velozes.
Multas diárias
Além de provocar perdas de prêmios
nos carregamentos marítimos, o atraso nos embarques em
navios incorre em elevadas multas diárias ao exportador
brasileiro. A partir de fevereiro de cada ano, as estradas que
se avizinham às plataformas marítimas ficam, em
geral, congestionadas com caminhões carregados de mercadorias.
É o período em que começa o envio aos terminais
portuários das commodities, inicialmente pela soja e
seguida pelo milho, pelo algodão, entre outros.
Para reverter a situação, antes
de o escoamento de cereais, grãos e oleaginosas, entre
outros produtos, entrar em colapso, o governo federal vem estudando
alternativas. Entre elas estão as Parcerias Público-Privadas
(PPP), cuja lei que a criou foi sancionada em dezembro de 2004.
A medida criará condições para a iniciativa
privada investir na recuperação e na construção
de estradas, rodovias, portos, aeroportos e centrais elétricas.
Em novembro do mesmo ano, o governo chinês sinalizou a
intenção de investir US$ 5 bilhões no setor
de infra-estrutura no Brasil.
Escoamento pelo Pacífico
A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F)
também apresentou, no primeiro semestre de 2004, um projeto
ao governo federal. Inclui orçamento de US$ 10 bilhões
para a abertura, exploração, produção
e industrialização do centro-oeste brasileiro
e escoamento comercial pelo Oceano Pacífico. Da soma,
US$ 1,8 bilhão destina-se para infra-estrutura, insumos,
máquinas e equipamentos para transformação
agrícola. De acordo com o estudo, os investimentos elevariam
de 71,3 milhões de toneladas, em 2002, para 152,6 milhões
de toneladas a produção de milho e soja em 2010.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 16)